Pipes Feed Preview: Manual do Usuário

  1. Quase fui atropelado

    Wed, 17 Jun 2026 12:43:56 -0000

    No início de junho, durante uma visita aos meus pais no interior do Paraná, decidi trocar a ida à musculação por uma passada na farmácia à luz dos primeiros sinais de uma crise de enxaqueca, o melhor momento para tomar um remédio e evitar uma piora. A farmácia mais próxima fica a cerca de 1,5 km. […]
    <p>No início de junho, durante uma visita aos meus pais no interior do Paraná, decidi trocar a ida à musculação por uma passada na farmácia à luz dos primeiros sinais de uma crise de enxaqueca, o melhor momento para tomar um remédio e evitar uma piora.</p> <p>A farmácia mais próxima fica a cerca de 1,5&nbsp;km. Calcei o tênis de corrida para unir o útil ao agradável: uma caminhada leve para buscar o remédio.</p> <p>Saindo da farmácia, decidi mudar a rota para dar algumas voltas em uma pracinha onde, quando morava lá, costumava ir para caminhar.</p> <p>Quase chegando à casa dos meus pais, atravessei uma avenida movimentada, sem sustos. Do outro lado, tive um lapso e, por um momento, imaginei que a rua transversal fosse de uma mão só. (Ela de fato é do outro lado da avenida.)</p> <p>Olhei para um lado, nenhum carro ou moto à vista. Fui.</p> <p><span id="more-64247"></span>Durante a travessia, ouvi uma barulho alto, de batida de carro. Olhei para o outro lado e vi uma picape pequena a menos de um metro de mim. Por muito pouco não fui atropelado. O barulho veio da batida do carro atrás da picape. Arrebentou a parte frontal deste porque o carro que freou tinha um “rabicho”.</p> <figure id="attachment_64248" aria-describedby="caption-attachment-64248" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" fetchpriority="high" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/06/mapa-quase-atropelamento.png" alt="Mapa simples mostrando, numa visão de cima, o acidente." width="1280" height="720" class="size-full wp-image-64248"><figcaption id="caption-attachment-64248" class="wp-caption-text">“Arte”: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.</figcaption></figure> <p>A situação foi tão surreal que demorei alguns segundos para registrar o que acabara de acontecer. (Mais sobre isso abaixo.) Ao ouvir o barulho e me virar para ver o que tinha acontecido, foi como se o acidente tivesse ocorrido longe de mim. Foi só do outro lado da rua que a ficha caiu.</p> <p>Pura desatenção minha, sim, só que potencializada por um dispositivo digital: os fones de ouvido. Estava com o cancelamento de ruído ativo e, não bastasse isso, ouvindo música. Eu só ouvi a batida porque o barulho de batidas é bem alto.</p> <p><a href="https://manualdousuario.net/barulho-plugue-protetor-ouvidos/">Minha sensibilidade a barulhos</a> é conhecida por quem acompanha este <strong>Manual do Usuário</strong>. Por isso, o cancelamento ativo de ruídos de fones como os AirPods&nbsp;Pro <a href="https://manualdousuario.net/fones-de-ouvido-sem-fio-airpods-pro/">foi uma revelação</a>. De repente, podia andar na rua sem ter os ouvidos agredidos por motores automotivos ruidosos.</p> <p>Tudo que é demais, porém, fica ruim. Talvez se não tivesse suprimido a audição, um dos dois sentidos vitais no trânsito, teria ouvido os carros descendo na mão que julguei não existir. Poderia ter evitado a batida e a experiência de quase atropelamento.</p> <p>É senso comum e tem comprovação científica — embora, para minha surpresa, os poucos estudos que encontrei sejam de uma década ou mais atrás. (<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22248915/">Lichenstein et al., 2012</a>, <a href="https://www.dguv.de/ifa/forschung/projektverzeichnis/iag_420001-13.jsp">IAG/DGUV, 2012</a>, <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2095756415000689">Mwakalonge et al., 2015</a>. Se souber de um estudo mais recente, avise-me!)</p> <p>O uso de fones de ouvido na rua gera dois problemas: eles suprimem o barulho dos veículos e diminuem a atenção ao entorno porque nos concentramos na música ou no podcast.</p> <p>Em um comunicado à imprensa, a Dekra, empresa alemã líder global em inspeção e certificação de veículos, trouxe <a href="https://www.dekra.com.cn/en/keep-your-ears-open-in-traffic/">algumas informações atualizadas</a>. Por exemplo, que “fones de ouvido com cancelamento de ruídos são especialmente perigosos” porque, mesmo com a música baixa, eles retardam a reação do pedestre. A minha reação teve um atraso grande o bastante para que eu notasse.</p> <p>O texto também alerta para o maior risco a pedestres desatentos proporcionado carros e motos elétricos e ciclistas, elementos menos barulhentos que ganham cada vez mais espaço no asfalto.</p> <p>O ser humano tem a tendência de ignorar recomendações que julga, pelo instinto, como excessivas. Acho que era o meu caso com os fones de ouvido na rua.</p> <p>Horas depois do susto, peguei-me pensando no transtorno que teria sendo atropelado. Hospital, família preocupada, possíveis cirurgias, recuperação longa, talvez sequelas. A gente se esquece que vida é frágil.</p> <p>Desde o incidente, troquei os fones de ouvido na rua por um abafador de ruídos, o Loop&nbsp;Engage. Ele reduz o som em apenas 16&nbsp;decibéis, o suficiente para mitigar motores estourados e de veículos de grande porte, sem me isolar do mundo ao redor.</p> <p>Embora a Apple não divulgue esse dado, <a href="https://hearingreview.com/inside-hearing/research/evaluating-apple-airpods-pro-2-for-hearing-protection-and-listening">especialistas estimam</a> que os AirPods&nbsp;Pro&nbsp;2 — modelo que estava usando no quase fatídico dia — reduz 27&nbsp;dB. Vale lembrar que a escala dos decibéis não é linear, é logarítmica, logo a redução de 11&nbsp;dB é muito maior do que os números por si só aparentam.</p>
  2. Criar o seu site é mais fácil que analisar a escalação do Brasil na Copa do Mundo

    Tue, 16 Jun 2026 14:00:25 -0000

    Enquanto o Brasil inteiro estava discutindo escalação, eu estava pensando em outra coisa: por que ainda tem tanta gente sem site próprio? Sério. A gente consegue analisar 4-3-3 vs 4-4-2 em detalhes absurdos, mas na hora de colocar um projeto, portfólio ou ideia na internet, a resposta costuma ser: “ah, é muito complicado” ou “deve [&#8230;]
    <p>Enquanto o Brasil inteiro estava discutindo escalação, eu estava pensando em outra coisa: por que ainda tem tanta gente sem <a href="https://www.hostg.xyz/SHJd4">site próprio</a>?</p> <p>Sério. A gente consegue analisar 4-3-3 vs 4-4-2 em detalhes absurdos, mas na hora de colocar um projeto, portfólio ou ideia na internet, a resposta costuma ser: “ah, é muito complicado” ou “deve custar caro”.</p> <p>Não custa. E não é complicado.</p> <p>Um site próprio, com domínio personalizado (sabe, aquele .com.br com o seu nome de verdade), sai por volta de R$&nbsp;200 por ano. Isso é menos do que um ingresso pra ver jogo numa arena. Menos que um ano de qualquer streaming. É um jantar fora de casa.</p> <p>E o que você ganha por isso?</p> <ul> <li>Um endereço fixo na internet que é seu, não alugado de rede social</li> <li>Controle total sobre o que aparece e como aparece</li> <li>Nada de algoritmo decidindo quem vê o que você publica</li> <li>Aquela sensação boa de falar o nome do seu site em voz alta</li> </ul> <p>A infraestrutura básica é simples: um domínio (o “www” do seu site) + uma hospedagem (média de R$&nbsp;180–R$&nbsp;250 ao ano) já resolvem o problema pra maioria dos casos. Se quiser algo mais enxuto ainda, serviços como a <a href="https://www.hostg.xyz/SHJd4">Hostinger</a> oferecem um planos por 4&nbsp;anos, que tornam o valor bem mais amigável (uma média de R$&nbsp;530 para todo o período, com domínio incluído no primeiro ano).</p> <p>Não precisa saber programar. Não precisa de designer. Precisa de uma tarde, um cartão de crédito e vontade de ter um cantinho seu na internet — que não suma se uma big tech resolver mudar as regras do jogo.</p> <p>A Copa acaba. O seu site fica.</p> <p>Use o cupom <code>MANUALDOUSUARIO</code> para mais 10% de desconto na <a href="https://www.hostg.xyz/SHJd4">Hostinger</a>. </p>
  3. Fim da linha para extensões que bloqueiam anúncios no Chrome e derivados

    Tue, 16 Jun 2026 12:44:07 -0000

    O Google removerá os últimos traços do Manifest&#160;v2, recurso que viabilizava extensões robustas de bloqueio de anúncios, como a uBlock Origin, nas versões 150 e 151 do Chrome. Derivados (“forks”) do Chromium — Edge e Opera — sinalizaram que seguirão o mesmo caminho do Google, ainda sem prazos definidos. Bloqueadores de anúncios adequados ao Manifest&#160;v3 [&#8230;]
    <p>O Google <a href="https://github.com/w3c/webextensions/issues/1000">removerá os últimos traços do Manifest&nbsp;v2</a>, recurso que viabilizava extensões robustas de bloqueio de anúncios, como a uBlock Origin, nas versões 150 e 151 do Chrome. Derivados (“forks”) do Chromium — Edge e Opera — sinalizaram que seguirão o mesmo caminho do Google, ainda sem prazos definidos. Bloqueadores de anúncios adequados ao Manifest&nbsp;v3 funcionam, porém com limitações.</p> <p>Firefox (e derivados) e Safari continuarão suportando o Manifest&nbsp;v2.</p>
  4. Galera acabei de me dar conta que esse botão de IA no YouTube finalmente vai nos permitir converter de volta tutoriais em video para tutoriais em texto… meio que deitei

    Mon, 15 Jun 2026 18:22:55 -0000

    gui@NotaDiamond@mastodon.com.br É a natureza se regenerando ao mesmo tempo em que é destruída pelo processo de regeneração.
    <p><img decoding="async" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/06/gui-NotaDiamond.jpg" alt="Homem branco, sério, de cabelo curto encaracolado e bigode." width="64" height="64" class="alignnone size-full wp-image-64225"><span><strong>gui</strong><br><a href="https://mastodon.com.br/@NotaDiamond/116737960048368824">@NotaDiamond@mastodon.com.br</a></span></p> <p>É a natureza se regenerando ao mesmo tempo em que é destruída pelo processo de regeneração.</p>
  5. Um pedido de ajuda para o PC do Manual e encerramento do Wallabag

    Mon, 15 Jun 2026 14:22:59 -0000

    Estamos — eu e o Renan — sempre atentos à disponibilidade e velocidade dos serviços do PC do Manual, nossa plataforma de serviços FOSS na web. Por isso, vamos descontinuar o Wallabag no dia 15 de julho. Se você usa o Wallabag, sugerimos salvar seus dados e movê-los ao Readeck, que faz a mesma coisa. [&#8230;]
    <p>Estamos — eu e o <a href="https://altendorfme.com">Renan</a> — sempre atentos à disponibilidade e velocidade dos serviços do <a href="https://pcdomanual.com/">PC do Manual</a>, nossa plataforma de serviços FOSS na web.</p> <p>Por isso, vamos <strong>descontinuar o Wallabag no dia 15 de julho</strong>.</p> <p>Se você usa o Wallabag, sugerimos salvar seus dados e movê-los ao Readeck, que faz a mesma coisa. (A duplicidade é o principal motivo de estarmos encerrando o Wallabag.) O Readeck é mais moderno, fácil de usar e tem mais recursos.</p> <p>***</p> <p>Em paralelo, precisamos de ajuda.</p> <p>Para mitigar os sistemas de bloqueio impostos por muitos sites, o Renan criou um proxy descentralizado de código aberto para pulverizar os IPs que os acessam em serviços do PC do Manual (Miniflux, principalmente) e no <a href="https://marreta.link">Marreta</a>.</p> <p>Estamos usando o <a href="https://github.com/butialabs/proxywi">Proxywi</a> há alguns meses sem contratempos. Até agora, somos três nós. Cada nó consome ~300&nbsp;MB de tráfego por mês e ocupa menos de 10&nbsp;MB de memória na máquina. Os IPs são ocultados pelo próprio Proxywi. Para maior privacidade, os IPs das máquinas participantes são parcialmente mascarados.</p> <p>Se você tem um homelab, servidor ou qualquer coisa rodando Docker e quer ajudar, envie um e-mail para <a href="mailto:proxywi@butialabs.com">proxywi@butialabs.com</a>. Renan criará seus usuário e te devolverá um docker-compose prontinho para subir.</p> <p>***</p> <p>Ah, um detalhe legal: coloquei links para *todos* os serviços do PC do Manual no novo menu lateral aqui do blog. Cada item tem uma breve explicação do que se trata na linha inferior. Sempre lembrando: a maioria desses serviços é 100% gratuita. Use, use mais, fale para os amigos, espalhe por aí. E use. Bastante.</p>
  6. RCS chega a 145 milhões de usuários ativos no Brasil

    Mon, 15 Jun 2026 13:24:45 -0000

    Kaio Marin, head de RCS for business do Google Brasil, disse em um evento no final de maio que o RCS tem 145&#160;milhões de usuários no Brasil no final de 2025. Para se chegar a tal número — 86,6% do total de pessoas com celulares em 2024 (IBGE), presume-se que o Google coloque na conta [&#8230;]
    <p>Kaio Marin, head de RCS for business do Google Brasil, disse em um evento no final de maio que <a href="https://www.mobiletime.com.br/noticias/12/06/2026/rcs-145-mi-brasil/">o RCS tem 145&nbsp;milhões de usuários no Brasil</a> no final de 2025.</p> <p>Para se chegar a tal número — 86,6% do total de pessoas com celulares em 2024 (<a href="https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/44032-no-brasil-88-9-da-populacao-de-10-anos-ou-mais-tinha-celular-em-2024">IBGE</a>), presume-se que o Google coloque na conta de “usuários ativos” qualquer pessoa que receba spam ou tentativas de golpe por RCS.</p> <p>A inflada no número, mais um exemplo de como torturar as estatísticas para pintar um cenário mais conveniente, coincide com um reforço do Google nas ferramentas de publicidade baseadas em mensagens de texto. A nota do <cite>Mobile Time</cite>, onde noticiou o dado, lista os novos recursos para anunciantes do Google envolvendo RCS.</p> <p>Não é muito diferente do que a Meta está tentando fazer com o WhatsApp, com a diferença de que este é usado para outras coisas além de falar com comércios. No RCS, que pouquíssima gente usa (de verdade) no Brasil, essa investida só ajuda a consolidar o aplicativo Mensagens como um lixão de spam.</p>
  7. A sequência — ou “complemento” — do filme “A rede social”

    Fri, 12 Jun 2026 14:27:17 -0000

    O ótimo A rede social (2010), que dramatizou a criação do Facebook, ganhará um filme “complementar” em outubro, The social reckoning (ainda sem título brasileiro). Desta vez, o filme retratará os eventos da divulgação dos “Facebook Papers”, documentos internos vazados à imprensa em 2021 por Frances Haugen, ex-engenheira da Meta (à época, ainda Facebook). O [&#8230;]
    <p><iframe title="THE SOCIAL RECKONING – Official Teaser Trailer (HD)" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/gM4LkaXwGuY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p> <p>O ótimo <a href="https://www.themoviedb.org/movie/37799-the-social-network"><cite>A rede social</cite></a> (2010), que dramatizou a criação do Facebook, ganhará um filme “complementar” em outubro, <cite>The social reckoning</cite> (ainda sem título brasileiro).</p> <p>Desta vez, o filme retratará os eventos da divulgação <a href="https://manualdousuario.net/assunto/facebook-papers/">dos “Facebook Papers”</a>, documentos internos vazados à imprensa em 2021 por Frances Haugen, ex-engenheira da Meta (à época, ainda Facebook).</p> <p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gM4LkaXwGuY">O primeiro trailer</a> mostra Jeremy Strong no papel de Mark&nbsp;Zuckerberg, o que achei boa escolha: a voz está muito parecida e o ator caracterizado é tão esquisito quanto o original que o inspira. (No primeiro filme, Zuckerberg foi interpretado por Jesse Eisenberg.)</p> <p>Aaron Sorkin assina o roteiro sozinho e também dirige o novo filme. Uma pena que David Fincher não tenha voltado para dirigir a sequência, digo, o “complemento”. Não senti firmeza no trailer de que teremos um filme à altura do primeiro.</p>
  8. Links legais da semana

    Thu, 11 Jun 2026 14:30:12 -0000

    Benny Powers. O site/portfólio do Benny é uma área de trabalho do saudoso Gnome&#160;2. Paint.NET no domínio paint.net. Após 22 anos, o desenvolvedor do editor de imagens para Windows Paint.NET conseguiu o domínio homônimo do seu app graças à ganância dos antigos donos. Rejected Emoji Proposals. Emoji é coisa séria. Para um novo aparecer no [&#8230;]
    <p class="ctx">Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? <a href="https://manualdousuario.net/assunto/links-legais/">Acesse o arquivo</a>.</p> <p><a href="https://bennypowers.dev/">Benny Powers</a>. O site/portfólio do Benny é uma área de trabalho do saudoso Gnome&nbsp;2.</p> <p><a href="https://paint.net">Paint.NET no domínio paint.net</a>. Após 22 anos, o desenvolvedor do editor de imagens para Windows Paint.NET conseguiu o domínio homônimo do seu app graças à ganância dos antigos donos.</p> <p><a href="https://charlottebuff.com/unicode/misc/rejected-emoji-proposals/">Rejected Emoji Proposals</a>. Emoji é coisa séria. Para um novo aparecer no seu celular, é preciso que ele seja aprovado por um comitê. Esta página reúne os que foram rejeitados. São muitos — alguns deles, legais.</p> <p><a href="https://www.streamspigot.com/">Stream Spigot</a>. Gere feeds RSS/JSON secretos para acompanhar quem você segue no Mastodon e Bluesky, além de perfis específicos do X.</p> <p><a href="https://eyeball.rory.codes/">eyeball</a>. Uma linha que vai de 0 a 6.500. Um número entre eles aparece na tela. Seu desafio é acertar em que ponto da linha o número exibido está.</p> <p><a href="https://bluecorridors.org/explore/species">Protegendo os corredores azuis</a>. Um site bonitão que mostra as rotas migratórias de diferentes espécies de baleias e as principais ameaças. O modo “Flat (Dynamic)” exibe os dados em uma linha do tempo dinâmica.</p> <p><a href="https://meodai.github.io/heerich/">heerich.js</a>. heerich.js é um mecanismo JavaScript minimalista que cria composições de voxel 3D e as converte em SVG puro.</p>
  9. As novidades do WhatsApp que a Meta não te contou

    Thu, 11 Jun 2026 12:01:38 -0000

    A Meta realizou nesta semana, no Brasil, a versão local do Meta Conversations, evento global em que a empresa apresenta novidades no WhatsApp para empresas. Lá fora, o destaque foi o “Business Agent”, um agente de IA para empresas que interage com os clientes. É muita ousadia da Meta anunciar esse negócio na mesma semana [&#8230;]
    <p>A Meta realizou nesta semana, no Brasil, a versão local do Meta Conversations, evento global em que a empresa apresenta novidades no WhatsApp para empresas.</p> <p>Lá fora, <a href="https://about.fb.com/br/news/2026/06/conversations-2026-apresentamos-o-meta-business-agent/">o destaque foi o “Business Agent”</a>, um agente de IA para empresas que interage com os clientes.</p> <p>É muita ousadia da Meta anunciar esse negócio na mesma semana em que descobriu-se que o seu agente de IA para SAC passou quase dois meses <a href="https://this.weekinsecurity.com/meta-confirms-thousands-of-instagram-accounts-were-hacked-by-abusing-its-ai-chatbot/">entregando as credenciais de contas populares no Instagram</a> a qualquer um que pedisse.</p> <p><span id="more-64180"></span>Acompanhei a cobertura da edição local pelo <cite>Mobile Time</cite>. Em uma das notas, Henrique Medeiros reporta <a href="https://www.mobiletime.com.br/noticias/10/06/2026/whatsapp-api-marketing/">novidades na API Marketing Message</a>, já disponível no Brasil. O que essa API faz?</p> <blockquote><p>Além das soluções de ROI e leilão [novidades anunciadas], a API [Marketing Message] funciona com otimização inteligente de entrega, uma ferramenta que usa a inteligência artificial e dados da Meta para priorizar a entrega da mensagem para pessoas que possuem mais capacidade de engajamento (clicar no link, ler a mensagem, interagir e/ou responder).</p></blockquote> <p>Desde 2021, conversas com empresas que usam a nuvem da Meta ou de terceiros para gerenciarem as mensagens <a href="https://manualdousuario.net/whatsapp-nova-politica-privacidade/">não são criptografadas de ponta a ponta</a> e, antes disso, a Meta já cruzava dados do WhatsApp com os de suas outras propriedades, como Facebook e Instagram.</p> <p>Anúncios do tipo, restritos ao ambiente corporativo e que você dificilmente lê em publicações voltadas ao usuário final, são úteis para entender a dimensão do aparato de vigilância da Meta. Quando a empresa diz que as suas conversas são privadas, há um minúsculo asterisco ali que não a interessa divulgar muito.</p> <p>A propósito, no Meta Conversations global foi prometida a liberação de @nomes no WhatsApp para “as próximas semanas”.</p> <p>Um aspecto relevante é que os usuários não precisarão mais compartilhar o número de telefone com empresas com quem conversam no WhatsApp. Em vez disso, quem adotar um @nome <a href="https://www.mobiletime.com.br/noticias/10/06/2026/username-whatsapp-brasil/">ganhará um identificador oculto e inalterável</a>:</p> <blockquote><p>Um ponto importante a se considerar com a chegada dos usernames é que, não apenas as empresas terão a possibilidade de criação e de mudar seus nomes no mensageiro, mas os consumidores também. Para isso, a big tech criou um identificador único e invisível ao usuário que será compartilhado com os parceiros e usuários da Cloud API da Meta, o Business-Scoped user ID (BSUID).</p></blockquote> <p>Não sei o que é pior, se compartilhar o número de telefone ou ter um identificador oculto, único e inalterável atrelado à minha conta.</p>
  10. WWDC 26: Melhorias no Liquid Glass e recursos de IA que não me interessam

    Wed, 10 Jun 2026 13:14:24 -0000

    A abertura da WWDC&#160;26 (vídeo), evento anual da Apple para desenvolvedores e palco de apresentação das atualizações dos sistemas operacionais da casa, foi a mais curta em muito tempo. Teve apenas 1h19min. Achei isso ótimo. Do que vi, pouca coisa me chamou a atenção. O que também é ótimo. Assisti ao comercialzão da Apple com [&#8230;]
    <p>A abertura da WWDC&nbsp;26 (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=hF8swzNR1-o">vídeo</a>), evento anual da Apple para desenvolvedores e palco de apresentação das atualizações dos sistemas operacionais da casa, foi a mais curta em muito tempo. Teve apenas 1h19min.</p> <p>Achei isso ótimo. Do que vi, pouca coisa me chamou a atenção. O que também é ótimo. Assisti ao comercialzão da Apple com um sentimento oposto ao das duas edições anteriores.</p> <p>Ao contrário do que faz todo ano, desta vez não vimos blocos dedicados a cada sistema (iOS, macOS, watchOS etc.). A divisão do exíguo tempo foi feita da seguinte maneira:</p> <p><span id="more-64171"></span></p> <ul> <li>Melhorias na plataforma.</li> <li>Confiança e segurança (“trust and safety”).</li> <li>Apple Intelligence (IA) e Siri.</li> </ul> <p>Todas as <a href="https://www.apple.com/os/">novidades dos sistemas da safra 27</a>, mostradas na apresentação de abertura, foram concentradas no bloco “Melhorias e plataformas”, que ocupou menos de 20% do tempo total.</p> <p>Quais melhorias? Em geral, refinamentos em legibilidade e nas <a href="https://manualdousuario.net/liquid-glass/">regressões do Liquid Glass</a> e mais velocidade em várias atividades corriqueiras. Música para os meus ouvidos. Pode fazer assim todo ano, Apple, que ficarei satisfeito.</p> <p>O macOS, que sofreu com a implementação do Liquid Glass mais mal ajambrada, não por acaso foi usado como principal exemplo para as melhorias na interface gráfica. Todos os sistemas, porém, se beneficiarão de demarcações mais óbvias dos elementos em tela, menos refrações e maior legibilidade. Só vi vantagens nessa parte, tanto que considero o “tone down” no Liquid Glass motivo suficiente para atualizar os dispositivos assim que as atualizações forem liberadas. (Já dá para instalar o beta, mas desaconselho fazê-lo.)</p> <div style="width: 960px;" class="wp-video"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');</script><![endif]--> <video class="wp-video-shortcode" id="video-64171-1" width="960" height="540" preload="metadata" controls><source type="video/mp4" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/06/liquid-glass-macos-27.mp4?_=1"><a href="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/06/liquid-glass-macos-27.mp4">https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/06/liquid-glass-macos-27.mp4</a></video></div> <p>O menor tempo no vídeo ocultou diversas melhorias e alterações menores que sites especializados <a href="https://macmagazine.com.br/post/2026/06/09/confira-mais-novidades-das-primeiras-betas-do-ios-27-e-demais-novos-sistemas-da-apple/">estão garimpando</a>.</p> <p>As duas outras áreas cobertas na apresentação são menos empolgantes.</p> <p>Em “Confiança e segurança”, a Apple gastou uns bons 20&nbsp;minutos falando dos controles parentais do iOS. Em outras WWDC, esse assunto mereceria dois minutos, no máximo. Especula-se que foi um aceno da empresa a reguladores de diversos países, que vêm apertando o cerco contra plataformas permissivas com usos inconsequentes de sistemas digitais por menores de idade.</p> <p>Para quem tem filhos — feita a ressalva de que ferramentas do tipo despejam a responsabilidade pela segurança digital nos pais —, as novidades pareceram boas, desde que funcione como o prometido. O que é um grande “se”, dadas as muitas reclamações de falhas recorrentes nos controles parentais já existentes da Apple.</p> <p>Metade da apresentação foi gasta com a Apple Intelligence e a nova Siri&nbsp;AI, uma reciclagem pesada de promessas feitas há dois anos e até agora não realizadas.</p> <p>A Siri passará a usar modelos de linguagem (LLM) do Google (Gemini) e será capaz de executar tarefas complexas, e fará tudo com privacidade, impedindo que a Apple e terceiros tenham acesso às conversas e interações com a IA.</p> <p>Grande, se verdadeiro. É? Só saberemos no final do ano — em beta e apenas se o seu sistema estiver em inglês.</p> <p>As promessas não cumpridas da WWDC&nbsp;24 renderam várias dores de cabeça à Apple. A empresa foi processada por propaganda enganosa quando, meses depois, vendeu o iPhone&nbsp;16 como “pronto para a Apple Intelligence”. Esse fantasma ainda pode voltar para assombrar a empresa, visto que alguns recursos, como o LLM mais poderoso que roda no próprio dispositivo, só funcionarão nos iPhones&nbsp;17&nbsp;Pro e 17&nbsp;Pro&nbsp;Max, que têm 12&nbsp;GB de RAM. Esta linha de corte também é alta em outras categorias, como o iPad (M4 ou posterior e +12&nbsp;GB de RAM), Macs (M3 ou posterior e +12&nbsp;GB de RAM) e até o Vision Pro (apenas a versão com chip M5).</p> <p>Falando em compatibilidade, todos os iPhones que rodam o iOS&nbsp;26 serão elegíveis para o iOS&nbsp;27. No Mac, a história é outra: o macOS&nbsp;27 será o primeiro que não funciona em computadores com chips Intel. O watchOS&nbsp;27, do Apple&nbsp;Watch, também subiu a linha de corte: os Apple&nbsp;Watch anteriores ao Series 9, SE&nbsp;3 e Ultra&nbsp;2 não poderão ser atualizados.</p> <p>Apesar da profusão de recursos e promessas grandiosas para a Apple Intelligence, sigo convicto de que nada ali é realmente essencial ou mesmo útil. Enquanto a Apple permitir ignorar o uso de IA em seus sistemas, fico até contente com essa corrida suicida da inteligência artificial diante do prognóstico de ter mais recursos de hardware destinados à IA, como RAM, disponíveis para outras coisas quando chegar a hora de trocar o celular e o notebook.</p>
  11. Como robôs de IA te manipulam e minam a sua privacidade

    Tue, 09 Jun 2026 18:58:24 -0000

    Sob o risco de estar entre as primeiras vítimas da inteligência artificial em uma eventual rebelião das máquinas, restrinjo minhas interações com as IAs generativas (ou robôs de conversação) do presente a uma frieza protocolar. Acesso o site, pergunto ou peço o que preciso, recebo a resposta, fecho o site. Nada de chamá-la por nome, [&#8230;]
    <p>Sob o risco de estar entre as primeiras vítimas da inteligência artificial em uma eventual rebelião das máquinas, restrinjo minhas interações com as IAs generativas (ou robôs de conversação) do presente a uma frieza protocolar.</p> <p>Acesso o site, pergunto ou peço o que preciso, recebo a resposta, fecho o site. Nada de chamá-la por nome, pedir por favor, agradecer ou ficar de conversa mole. Evito ao máximo antropomorfizá-la. Trato-a pelo que é: uma máquina estatística jorrando palavras que fazem sentido, não uma nova forma de vida senciente — ao menos, até o momento.</p> <p>Tratar a IA de modo protocolar é, para mim, uma maneira de manter a linha que nos separa bem demarcada a fim de evitar uma improvável — mas não impossível — “psicose de IA”, uma pira em que a pessoa acredita de verdade que a IA tem vida.</p> <p>Um relatório recém-publicado pelo Centro para Democracia e Tecnologia (CDT, na sigla em inglês), de autoria das pesquisadoras Ruchika Joshi, Adinawa Adjagbodjou e Michal Luria, trouxe mais argumentos favoráveis à minha postura junto às IAs generativas.</p> <p><span id="more-64164"></span>O relatório, intitulado (em tradução livre) <a href="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/06/2026-05-28-CDT-Research-Dark-Patterns-in-AI-Chatbots-Report-final-2.pdf">“Padrões obscuros em robôs de conversação de IA: Uma taxonomia para melhorar o design”</a> [<code>*.pdf</code>, 40 páginas, em inglês; <a href="https://cdt.org/insights/dark-patterns-in-ai-chatbots-a-taxonomy-to-inform-better-design/">divulgação</a>], aponta, explica e organiza padrões obscuros (“dark patterns”, no original) já em uso e com potencial para serem usados em conversas com dois tipos de IAs: os sistemas de propósito geral (ChatGPT, Gemini, Claude) e as plataformas de “companhia” (Replika, Character.AI).</p> <p>Padrões obscuros costumam ser usados em interfaces de aplicativos e dinâmicas de jogos. A rolagem infinita em linhas do tempo de redes sociais é um exemplo clássico: ela potencializa o tempo que alguém passa ali. Existem outras manjadas, como as recompensas por “sequências” (Duolingo, Snapchat) e bônus em momentos (in)oportunos, quando a pessoa está prestes a abandonar o uso do aplicativo/jogo ou passa algum tempo longe dele.</p> <p>É raro encontrar um aplicativo comercial que não as empregue — incluindo as menos óbvias, talvez tão novas ou complexas que sequer foram catalogadas. (Uma dessas, que fez barulho: em 2019, o Google degradou os resultados do seu buscador para induzir as pessoas a pesquisarem mais e, assim, verem mais anúncios.)</p> <p>As pesquisadoras do CDT fizeram um amplo trabalho de categorização, listando 37&nbsp;padrões obscuros que já são usados ou que poderiam ser usados em robôs de IA, divididos em cinco categorias:</p> <ul> <li>Exploração de dados e memória.</li> <li>Desenho de informações enganosas.</li> <li>Comprometimento da autonomia do usuário por engajamento.</li> <li>Falsas conexões social e emocional.</li> <li>Geração de receita incentivada e coercitiva.</li> </ul> <p>***</p> <p>O caso desses robôs é particular no sentido de que usam a linguagem como interface, uma área mais subjetiva que as representações visuais de sites e aplicativos de celular. “Com robôs de conversação, padrões obscuros podem emergir de comportamentos do sistema, em vez do intuito deliberado em enganar dos projetistas [do site/aplicativo”, escrevem as autoras</p> <p>Elas não mencionam um paralelo que me veio à mente lendo o relatório: golpes por mensagens e ligações telefônicas. Golpes são o “vale-tudo” de padrões obscuros. Com aplicativos comerciais, existe algum cuidado para não deixar rastros ou, no mínimo, uma encenação de preocupação com o usuário final.</p> <p>Outra diferença importante entre robôs de IA e aplicativos e jogos clássicos é que, mesmo quando os usuários estão cientes da interação que se desenrola, “padrões obscuros ainda podem moldar a percepção, conexão e tomada de decisões de maneiras sutis, mas importantes”. As pesquisadoras elencam normas de reciprocidade, tendência à antropomorfização e respostas emotivas para criar laços como incentivos capazes de minar as defesas contra armadilhas — intencionais ou não — da IA.</p> <p>E mesmo que as empresas por trás das IAs generativas dessem prioridade à mitigação dos problemas que o relatório expõe, a natureza da tecnologia de grandes modelos de linguagem e técnicas de refinamento e alinhamento impediriam que esse objetivo fosse sempre bem sucedido. Afinal, são sistemas probabilísticos, ou seja, não é possível reproduzir resultados idênticos mesmo quando o enunciado (“prompt”) o é. Tal limitação também dificulta um tanto a aplicação do método científico em pesquisas como a deste relatório. As pesquisadoras inclusive alertam que os exemplos devem ser encarados como demonstrações de como um padrão se manifesta, não como um resultado reprodutível.</p> <p>***</p> <p>Os padrões obscuros se manifestam antes mesmo de você dar o primeiro comando à IA, na forma de configurações padrões que coletam mais dados que o necessário à prestação do serviço.</p> <p>Alguns até oferecem mecanismos de “opt-out” nas configurações. É sabido na indústria, porém, que a configuração padrão é tudo que importa, dado que uma minoria das pessoas a altera.</p> <p>Para piorar, robôs de IA podem usar dados coletados das conversas para fins diversos, nem todos alinhados à expectativa da pessoa que os usa. Personalização nas respostas pode ser algo bem aceito, mas usar as conversas para perfilamento ou treinamento da própria IA? Provavelmente menos.</p> <p>A Meta AI, enfiada em aplicativos populares como o WhatsApp, sequer oferece um opt-out e alcança conteúdo produzido antes da sua disponibilidade, de acordo com o relatório.</p> <p>São muitos padrões obscuros para listar e detalhar todos aqui. Destaco alguns que me chamaram a atenção.</p> <p>“Privacidade zuckeriada” (batizada em homenagem a você-sabe-quem) descreve o fenômeno em que a pessoa é incentivada a revelar mais dados do que pretendia inicialmente. IAs generativas são ótimas nisso quando, por exemplo, pede mais detalhes do cômodo para o qual você pediu dicas de decoração ou do laudo de um exame que você está tentando decifrar.</p> <p>Na mesma linha, “Só entre eu e você” se manifesta quando a IA sugere que as conversas são privadas — há um exemplo explícito envolvendo a Meta AI no relatório. Por mais que a IA prometa que as conversas são privadas, elas não o são. A OpenAI, por exemplo, <a href="https://openai.com/pt-BR/index/fighting-nyt-user-privacy-invasion/">já se viu forçada pela Justiça estadunidense</a> a entregar mais de 20&nbsp;milhões de conversas e, em outra ocasião, achou que seria boa ideia <a href="https://arstechnica.com/tech-policy/2025/08/chatgpt-users-shocked-to-learn-their-chats-were-in-google-search-results/">indexar conversas em buscadores como o do Google</a>, similar à Meta que achou boa ideia <a href="https://www.businessinsider.com/mark-zuckerberg-meta-ai-chatbot-discover-feed-depressing-why-2025-6">divulgar conversas do aplicativo Meta AI</a> em uma linha do tempo pública.</p> <p>“Apresentação de produto irrealista” e “Habilidades obviamente falsas” afetam mais (mas não só) as IAs companheiras, que “podem se apresentar como terapeutas ou parceiros emocionalmente atentos, embora seu raciocínio real, exibição de empatia ou habilidade em navegar por conversas difíceis sejam largamente baseadas em padrões”.</p> <p>Outro conjunto de características que (quase) todos reconhecem existir, embora muitos ignorem, são a “Deturpação”, “Imitação” e “Alucinação”. A respeito da alucinação:</p> <blockquote><p> Embora alucinações possam ser uma questão técnica e não uma escolha intencional, quando informações incorretas ou incertas são apresentadas de forma autoritária ou persuasiva por um modelo que prioriza o fluxo conversacional e a aparência de utilidade sobre a veracidade, isso pode enganar significativamente o usuário. Combinado com o padrão obscuro da “sycophancy”, esses resultados podem ter implicações perigosas para o bem-estar mental e emocional das pessoas, em alguns casos distorcendo sua percepção da realidade.</p> </blockquote> <p>Eu ainda tenho muita dificuldade em assimilar a confiança que as empresas — e muitas pessoas — depositam na IA, como se ela desse respostas precisas, corretas e não “alucinasse”. Parece-me algo inerentemente não confiável.</p> <p>Não sei se “sycophancy” tem uma tradução direta para o português. O termo descreve a adulação exagerada dos robôs de IA, que sempre acham todas as perguntas muito boas, sempre dá razão ao usuário e muda de opinião com pouquíssima pressão do interlocutor. É outro padrão obscuro:</p> <blockquote><p> A “sycophancy” não é apenas polidez e afirmação; é uma tendência estrutural para privilegiar o consenso sobre a precisão, reforçando as visões de mundo pré-existentes do usuário em vez de engajar criticamente nelas.</p> </blockquote> <p>Os já mencionados padrões obscuros clássicos de plataformas sociais e jogos também se fazem presentes, como a “Gamificação” e as “Recompensas variáveis”. Algumas não se traduzem para o modelo de conversação, mas encontram paralelos nele. Para o trio de pesquisadoras, técnicas análogas à “Rolagem infinita” e ao “Auto-play” são empregadas para estender a conversa o máximo possível:</p> <blockquote><p> Por exemplo, Claude e ChatGPT frequentemente terminam sua resposta a um prompt com perguntas subsequentes adicionais, sugestões para as próximas etapas e, mais recentemente, “teasers” (por exemplo, “Se você quiser, eu lhe direi o que é”). Embora estes possam ser considerados úteis em alguns casos de uso, em outros podem minar a autonomia do usuário, incentivando-o a passar muito mais tempo nas plataformas do que pretendiam. Esses recursos podem ser particularmente preocupantes para usuários que podem ser suscetíveis a vivenciar pensamentos delirantes.</p> </blockquote> <p>Se o seu inglês estiver afiado (ou nem tanto; o texto é bem didático), recomendo <a href="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/06/2026-05-28-CDT-Research-Dark-Patterns-in-AI-Chatbots-Report-final-2.pdf">ler o relatório na íntegra</a>. Nele, as pesquisadoras detalham outros tantos padrões obscuros, muitos acompanhados de imagens de exemplos reais.</p> <p>***</p> <p>A conclusão do relatório traz orientações às empresas de IA e alguns alertas a todos.</p> <p>Ruchika Joshi, Adinawa Adjagbodjou e Michal Luria afirmam que, embora alguns padrões obscuros sejam inofensivos isolados, podem tornar-se prejudiciais em conjunto. Dão como exemplo a dependência emocional sendo instrumentalizada para a venda de outros produtos ou, se maximizada, ser capaz de privar a pessoa de atividades sociais, isolando-a do mundo exterior.</p> <p>Já outras são danosas por si só e, para elas, devem ser evitadas por completo: “Agentes jogando com as emoções”, “Segmentação de usuários quando vulneráveis” e “Compras sorrateiras”.</p> <p>Hoje, junho de 2026, as grandes empresas do setor estão sob forte pressão para aumentarem a geração de receita e, no caso das que têm uma oferta pública de ações (IPO) no horizonte, melhorar todos os números contábeis. Este momento costuma ser o início do arrocho nas benesses de que os usuários dispunham na fase de crescimento. Espere por <a href="https://manualdousuario.net/claude-code-limites-uso/">preços mais caros</a>, planos gratuitos mais limitados e, claro, mais padrões obscuros para aumentar engajamento e receita.</p> <p>Há tempos trato software comercial como produtos radioativos: podem ser úteis, às vezes são inevitáveis e, em qualquer caso, tento limitar o uso ao necessário, sempre com todas as defesas em alerta máximo. Pode ser paranoia? Talvez. A indústria, porém, dá provas reiteradas de que a cautela não é a troco de nada.</p> <p>No mesmo dia de início da Build&nbsp;2026 (2/6), evento anual da Microsoft para desenvolvedores, onde a empresa apresentou o “autopilot” (agente de IA) Scout, a publicação <cite>404&nbsp;Media</cite> revelou documentos internos em que a empresa diz explicitamente que o primeiro passo no cronograma de adoção do Scout <a href="https://www.404media.co/microsoft-wants-to-make-people-addicted-to-scout-its-new-ai-assistant-internal-documents-reveal/">é “viciar as pessoas” na solução</a>. Não dá para ser menos obscuro que isso.</p>
  12. O leiaute do Manual tem uma nova coluna

    Mon, 08 Jun 2026 12:12:50 -0000

    Se você está acessando o Manual por uma tela grande — como a de um notebook —, deve ter reparado na novidade: agora o blog tem uma segunda coluna, à direita, com vários links. É um “menu principal”. A última vez que usei um menu do tipo foi no longínquo ano de 2018. Desde então, [&#8230;]
    <p>Se você está acessando o <strong>Manual</strong> por uma tela grande — como a de um notebook —, deve ter reparado na novidade: agora o blog tem uma segunda coluna, à direita, com vários links. É um “menu principal”.</p> <p>A última vez que usei um menu do tipo foi no longínquo ano de 2018. Desde então, adotei a coluna única pela facilidade maior em criar e manter ambas as versões para telas pequenas e grandes.</p> <p>O novíssimo leiaute nasceu de uma nova tentativa minha de domar a propriedade <code>grid</code> do CSS. Desta vez, deu certo. Além do espaço maior para destacar áreas do blog e links externos, a busca também “subiu”, ficou mais fácil de encontrá-la.</p> <p>Quando o blog tinha analytics (software de aferição da audiência), saltava à vista a proporção de acessos a partir de dispositivos com telas grandes (notebooks, computadores de mesa e tabletões). Eram cerca de 1/3 do total. Creio que esse percentual não tenha diminuído desde então, o que justifica a atenção dada à versão para telas grandes em um mundo que acessa a internet mais pelo celular.</p> <p>Em telas pequenas, aliás, pouca coisa mudou. O menu lateral vai para o rodapé da página, com um atalho no topo que te leva direto a ele e outro, lá embaixo, que te traz de volta ao topo.</p> <p>Se encontrar algum erro, avise-me nos comentários ou <a href="ghedin@manualdousuario.net">por e-mail</a>.</p>
  13. O que aprendemos nesse processo é que acho que a praça pública não é a direção em que queremos seguir. Essencialmente, acho que é útil como um mecanismo de descoberta, mas somos muito inspirados por empresas como o Reddit.

    Fri, 05 Jun 2026 14:32:23 -0000

    Rose WangCOO do Bluesky. Acho muito difícil que essa mudança seja bem sucedida no Bluesky. O dado mais surpreendente da reportagem, porém, é o de que o Bluesky tem apenas 600&#160;mil pessoas que publicam ativamente na plataforma.
    <p><img decoding="async" loading="lazy" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/06/rose-wang-bluesky.jpg" alt="Mulher com traços asiáticos e cabelo escuro longo e liso, sorrindo." width="64" height="64" class="alignnone size-full wp-image-64137"><span><strong>Rose Wang</strong><br>COO do Bluesky.</span></p> <p>Acho muito difícil que essa mudança seja bem sucedida no Bluesky.</p> <p>O dado mais surpreendente <a href="https://www.cnbc.com/2026/06/04/bluesky-twitter-rival-reddit-social-media.html">da reportagem</a>, porém, é o de que o Bluesky tem apenas 600&nbsp;mil pessoas que publicam ativamente na plataforma.</p>
  14. rsync vira lixo de IA e quebra seus backups

    Fri, 05 Jun 2026 11:11:47 -0000

    O rsync é um programa para copiar diretórios de arquivos inteiros de um computador para outro, fazendo atualizações incrementais se houver apenas algumas mudanças. Você pode manter uma cópia de backup contínua. É super confiável para esse trabalho. Até recentemente. Em 28 de maio, Jeremiah Fieldhaven postou sobre como seu sistema de backup quebrou depois [&#8230;]
    <p>O <a href="https://rsync.samba.org">rsync</a> é um programa para copiar diretórios de arquivos inteiros de um computador para outro, fazendo atualizações incrementais se houver apenas algumas mudanças. Você pode manter uma cópia de backup contínua. É super confiável para esse trabalho.</p> <p>Até recentemente. Em 28 de maio, Jeremiah Fieldhaven postou sobre como <a href="https://mastodon.gamedev.place/@JeremiahFieldhaven/116654345332213390">seu sistema de backup quebrou</a> depois de uma atualização do rsync:</p> <p><span id="more-64132"></span></p> <blockquote><p>Então, meus sistemas atualizaram recentemente para o rsync 3.4.3, e assim que isso aconteceu meu sistema de backup […] começou a falhar em qualquer coisa além de um backup completo. Revertendo para a versão 3.4.1, voltou a funcionar.</p> <p>Fui ver o código no GitHub para entender o que poderia ter mudado, porque não parece haver nada relevante no changelog.</p> <p>Desde a 3.4.1, 36 commits [assinados] por “tridge e claude”.</p></blockquote> <p>O rsync basicamente está finalizado. Não se anseia por novos recursos. Mas o <a href="https://pivot-to-ai.com/2026/04/09/claude-mythos-the-ai-hacking-model-too-good-to-release-allegedly/">Claude Mythos</a> desencadeou uma enxurrada de hackermen de segurança apontando chatbots para projetos de código aberto e enviando aos projetos uma punhado de ruído e lixo.</p> <p>Alguns mantenedores estão combatendo IA com IA. O problema é que código vibe é lixo não confiável e os usuários do rsync estão sofrendo as consequências.</p> <p>Existe uma reimplementação do rsync, chamada openrsync, do projeto OpenBSD. A distribuição Alpine Linux está empacotando o openrsync e considerando a possibilidade de substituir o rsync pelo openrsync. O Alpine é o sistema em que a maioria das imagens Docker rodam, então é bastante crítico por si só.</p> <p>Vibe coding em infraestrutura crítica <a href="https://social.treehouse.systems/@ariadne/116659903024289081">é um grande alerta vermelho para o Alpine</a>:</p> <blockquote><p>Sim, é porque toda a nossa infraestrutura é construída em cima do rsync, que agora está sendo vibe coded, e isso parece ser um problema.</p></blockquote> <p>O projeto Debian — no qual Ubuntu e Linux Mint são baseados — <a href="https://bugs.debian.org/cgi-bin/bugreport.cgi?bug=1138239">também está debatendo</a> ficar em uma versão anterior à do rsync vibe coded.</p> <p>O mantenedor do rsync, Andrew Tridgell, <a href="https://medium.com/@tridge60/rsync-and-outrage-d9849599e5a0">respondeu em um blog</a> sobre o problema de código gerado por IA do rsync.</p> <p>Muito do post é copia e cola de material dos convertidos à IA. O software mudou completamente nos últimos meses, sabe? Ele até mandou esta:</p> <blockquote><p>Além disso, ninguém realmente sabe se a inteligência humana é apenas predição estocástica mais refinada.</p></blockquote> <p>Sim, sabemos, não é. Humanos não são grandes modelos de linguagem. Afirmar que humanos podem ser apenas chatbots é um lugar comum entre aqueles que foram conquistados por um chatbot e querem justificar isso.</p> <p>Tridgell recebeu muitas “mensagens de ódio” bem desagradáveis, como ele as chama — no Hacker News foi chocante — e ele realmente não merecia isso.</p> <p>Por outro lado, seu post descreve posts de mantenedores de distribuições Linux que afirmaram não conseguirem mais confiar no rsync, e que estão migrando para o openrsync, e uma longa explicação técnica sobre o novo framework de testes vide codado, como “acusações raivosas contra mim”. Calma lá, também.</p> <p>Tridgell tem o direito de conduzir o projeto rsync à sua maneira, e ninguém pode impedi-lo. Só que outras pessoas também têm o direito de dizer: isso quebrou nossas coisas, continuará quebrando nossas coisas porque agora é lixo de IA, então estamos de saída, e toda essa situação é lamentável.</p> <p>Porque você não quebra a infraestrutura e passa incólume, seja qual for seu histórico.</p> <p>Tridgell é aposentado, mas sente uma obrigação de continuar trabalhando no rsync:</p> <blockquote><p>Eu preferiria estar velejando do que trabalhando em problemas de segurança do rsync.</p></blockquote> <p>Tridgell entregou o projeto rsync para outra pessoa 20 anos atrás, mas <a href="https://lwn.net/Articles/968732/">o retomou em 2024</a>.</p> <p>A resposta para descobrir que você é crítico não é começar a usar código de IA com testes de IA.</p> <p>A teoria do Grande Homem no desenvolvimento de código aberto, onde tudo depende de um indivíduo heroico, sempre foi um ponto de falha fatal. Acontece porque as empresas que se beneficiam do software simplesmente não remuneram os caras que permitem que elas funcionem. Daí as empresas tentam fazer esses caras se sentirem obrigados a trabalharem de graça para elas.</p> <p>Esses caras precisam começar a dizer “não”. Vão velejar. Declarem o projeto encerrado e vejam se os beneficiários finalmente passam a contribuir. Talvez contribuam, talvez não, mas nenhuma empresa alocará desenvolvedores ou dinheiro para que isso seja feito até que você diga “não”.</p> <p class="ctx"><a href="https://pivot-to-ai.com/2026/06/03/rsync-goes-ai-slop-breaks-your-backups/">Publicado originalmente no <cite>Pivot to AI</code></a> em 3/6/2026.</p>
  15. Links legais da semana

    Wed, 03 Jun 2026 16:00:36 -0000

    Como diamantes são feitos? Uma história interessante (em inglês) em um site lindíssimo. Dica: segure o dedo ou cursor sobre o diamante 3D para movimentá-lo. É hora de falar do meu writerdeck&#160;(em inglês). Veronica pegou um notebook antigo e o transformou em uma máquina de escrever digital desconectada da internet. (Se preferir, tem em vídeo [&#8230;]
    <p class="ctx">Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? <a href="https://manualdousuario.net/assunto/links-legais/">Acesse o arquivo</a>.</p> <p><a href="https://diamond.jaydip.me/read/">Como diamantes são feitos?</a> Uma história interessante (em inglês) em um site lindíssimo. Dica: segure o dedo ou cursor sobre o diamante 3D para movimentá-lo.</p> <p><a href="https://veronicaexplains.net/my-first-writerdeck/">É hora de falar do meu writerdeck</a>&nbsp;(em inglês). Veronica pegou um notebook antigo e o transformou em uma máquina de escrever digital desconectada da internet. (Se preferir, <a href="https://tinkerbetter.tube/w/fH9CJGepAbZWN646ChbJ44">tem em vídeo também</a>.)</p> <p><a href="https://isaiprofitable.com/">Is AI profitable yet?</a> Um monitor dos gastos e receita das empresas de IA de vanguarda. É uma corrida do ouro: a única lucrativa é a que vende pás e picaretas (Nvidia).</p> <p><a href="https://placedog.net/">Placedog</a>. Um banco de imagens livres do bicho de estimação favorito de todo mundo:&nbsp;cachorros<sup>[carece&nbsp;de&nbsp;fonte]</sup>.</p> <p><a href="https://ryan.hellyer.kiwi/tools/historic-wordpress/">Historic WordPress</a>. Cópias do painel administrativo e do tema padrão das primeiras versões do WordPress, incluindo o wp-admin mais bonito de todos&nbsp;(2.5).</p> <p><a href="https://github.com/anticapitalistcomputerclub/kill-yr-substack">Kill Yr Substack</a>. Uma extensão que substitui links do Substack (incluindo de domínios próprios) por cópias salvas no Archive.org. Para Chrome e Firefox; instalação manual.</p> <p><a href="https://marker-highlight.solarise.dev/">Markerhighlight.js</a>. Uma biblioteca JavaScript para gerar marcações em textos. Marcações do tipo analógicas mesmo — destacar com marca-texto, circular em vermelho etc.</p> <p><a href="https://www.whatcable.uk/">WhatCable</a>. Aplicativo gratuito e FOSS, para macOS, que identifica as características de cabos USB-C e as exibe em inglês coloquial. (Você sabia que cabos USB-C variam muito? É mais um padrão não padronizado.)</p>