
Entenda por que travadas aparecem mesmo com FPS alto, veja causas técnicas e aplique ajustes práticos para deixar partidas mais estáveis agora.
<p>Travadas rápidas, sensação de “engasgo” e perda de fluidez mesmo com FPS alto. Esse é o retrato do <strong>stuttering</strong>, um problema recorrente em jogos de PC que afeta diretamente a experiência do jogador. </p>
<p>Embora o <a href="http://adrenaline.com.br/hardware/">hardware </a>muitas vezes consiga rodar o game em configurações altíssima, a entrega irregular dos quadros cria interrupções perceptíveis que comprometem a jogabilidade. </p>
<p>Abaixo, explicamos brevemente <strong>o que causa o stuttering</strong>, como identificá-lo corretamente e <strong>quais ajustes realmente funcionam</strong> para reduzir ou eliminar o problema.</p>
<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-caracteriza-o-stuttering-nos-jogos">O que caracteriza o stuttering nos jogos?</h2>
<p>Stuttering é a <strong>irregularidade no tempo de entrega dos frames</strong> ao monitor. Em vez de quadros surgirem em intervalos constantes, há picos e quedas no <strong>frametime</strong> (tempo que cada frame leva para ser exibido), gerando microtravadas visíveis. </p>
<p>Por isso, <strong>FPS médio elevado não é garantia alguma de fluidez</strong>. Um jogo pode marcar 60 FPS na média e ainda assim apresentar engasgos frequentes que prejudicam a experiência.</p>
<p>Essa diferença entre “quantidade de quadros” e “regularidade dos quadros” explica por que métricas tradicionais como contador simples de FPS falham em capturar o problema. O olho humano percebe variações no tempo, e não somente números consolidados de quadros por segundo.</p>
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="720" height="450" src="https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/texture-filtering-comparison.jpg" alt="" class="wp-image-647076" srcset="https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/texture-filtering-comparison.jpg 720w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/texture-filtering-comparison-640x400.jpg 640w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/texture-filtering-comparison-210x131.jpg 210w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/texture-filtering-comparison-327x204.jpg 327w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/texture-filtering-comparison-444x277.jpg 444w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/texture-filtering-comparison-678x423.jpg 678w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/texture-filtering-comparison-292x182.jpg 292w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/texture-filtering-comparison-150x94.jpg 150w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /><figcaption class="wp-element-caption">Reprodução/GPU Mag</figcaption></figure>
<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-que-fps-medio-engana">Por que FPS médio engana?</h2>
<p>Ferramentas clássicas calculam FPS ao <strong>agrupar resultados em janelas longas</strong>, o que mascara picos de atraso. </p>
<p>Um único frame que leva centenas de milissegundos para aparecer já pode quebrar a ilusão de movimento contínuo, ainda que o restante do segundo tenha sido rápido. É por isso que recentemente a indústria passou a olhar para <strong>latência e distribuição de frametimes</strong>, justamente para revelar essas falhas.</p>
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Quando analisamos o desempenho quadro a quadro, fica evidente que consistência importa tanto quanto velocidade. Um único atraso significativo é suficiente para comprometer a percepção de fluidez</p>
</blockquote>
<h2 class="wp-block-heading" id="h-certo-mas-quais-sao-as-principais-causas-do-stuttering">Certo, mas quais são as principais causas do stuttering?</h2>
<h3 class="wp-block-heading" id="h-1-otimizacao-do-software-e-limitacoes-da-engine">1. Otimização do software e limitações da engine</h3>
<p>Mesmo com hardware potente e drivers atualizados, muitos casos de stuttering têm origem direta na <strong>forma como o jogo foi desenvolvido e otimizado</strong>. Aqui, o gargalo deixa não é o PC do jogador e sim o próprio software, incluindo engine, pipelines de renderização e decisões técnicas tomadas durante a produção.</p>
<p>Em jogos mal otimizados, é comum que determinadas ações causem <strong>picos abruptos de frametime</strong>, como carregamento tardio de shaders, streaming de texturas em tempo real, compilação dinâmica de materiais ou chamadas excessivas à CPU em momentos específicos da jogatina.</p>
<p>Igualmente crítico é o <strong>shader compilation stutter</strong>, bastante frequente em lançamentos recentes. Ele acontece quando o jogo compila shaders durante a execução, em vez de fazê-lo previamente. </p>
<p>Como consequência, os engasgos recorrentes ao entrar em novas áreas, enfrentar inimigos inéditos ou acionar efeitos visuais que ainda não estavam carregados na memória.</p>
<p>Esse tipo de problema costuma ser <strong>independente da GPU ou CPU utilizadas</strong>. Sistemas de entrada e máquinas topo de linha podem apresentar o mesmo padrão de travadas, variando apenas a intensidade, o que reforça o papel central da otimização do software.</p>
<h3 class="wp-block-heading" id="h-2-gargalo-de-gpu">2. Gargalo de GPU</h3>
<p>A placa de vídeo pode atrasar a renderização por <strong>carga excessiva</strong>, shaders pesados, texturas de alta resolução ou limitações de memória. </p>
<p>Tecnologias de reconstrução de imagem, como <strong>DLSS</strong> e <strong>FSR</strong>, ajudam a aliviar o processamento ao renderizar em resolução menor e reconstruir a imagem, estabilizando o frametime.</p>
<h3 class="wp-block-heading" id="h-3-gargalo-de-cpu">3. Gargalo de CPU</h3>
<p>Jogos com <strong>mundo aberto</strong>, física complexa e IA intensa exigem muito do processador. Quando a CPU chega ao limite, a GPU fica ociosa aguardando dados, criando picos de atraso. Ajustes como <strong>densidade populacional</strong>, <strong>distância de visão</strong> e <strong>iluminação volumétrica</strong> costumam reduzir a pressão.</p>
<h3 class="wp-block-heading" id="h-4-memoria-ram-insuficiente">4. Memória RAM insuficiente</h3>
<p>Rodar jogos atuais com pouca RAM causa <strong>trocas constantes com a memória virtual</strong>, o que eleva latências. </p>
<p>O cenário mais estável hoje é <strong>16 GB em dual-channel</strong>, reduzindo gargalos de comunicação com a CPU.</p>
<h3 class="wp-block-heading" id="h-5-aquecimento-e-throttling">5. Aquecimento e throttling</h3>
<p>Temperaturas elevadas ativam <strong>redução automática de frequência</strong> para proteger o hardware. </p>
<p>O efeito colateral é queda de desempenho intermitente. Fluxo de ar adequado e manutenção preventiva são decisivos.</p>
<h3 class="wp-block-heading" id="h-6-drivers-e-sistema">6. Drivers e sistema</h3>
<p>Drivers gráficos desatualizados podem introduzir <strong>bugs e incompatibilidades</strong>. Fabricantes como <a href="https://www.adrenaline.com.br/nvidia">NVIDIA</a>, <a href="https://www.adrenaline.com.br/amd">AMD </a>e <a href="https://www.adrenaline.com.br/intek">Intel </a>publicam correções frequentes que impactam estabilidade e latência.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Unreal Engine 5 e os desafios recentes de desempenho</h2>
<p>Grande parte das discussões atuais sobre stuttering passa pela adoção massiva da Unreal Engine 5, desenvolvida pela Epic Games. Embora a engine represente um salto tecnológico importante, ela também introduziu <strong>novas complexidades que impactam a fluidez</strong>.</p>
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="912" height="569" src="https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/unreal-engine-tearing-chamada-912x569-1.webp" alt="" class="wp-image-647072" srcset="https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/unreal-engine-tearing-chamada-912x569-1.webp 912w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/unreal-engine-tearing-chamada-912x569-1-640x399.webp 640w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/unreal-engine-tearing-chamada-912x569-1-768x479.webp 768w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/unreal-engine-tearing-chamada-912x569-1-210x131.webp 210w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/unreal-engine-tearing-chamada-912x569-1-327x204.webp 327w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/unreal-engine-tearing-chamada-912x569-1-444x277.webp 444w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/unreal-engine-tearing-chamada-912x569-1-678x423.webp 678w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/unreal-engine-tearing-chamada-912x569-1-292x182.webp 292w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/unreal-engine-tearing-chamada-912x569-1-150x94.webp 150w" sizes="(max-width: 912px) 100vw, 912px" /><figcaption class="wp-element-caption">Reprodução/Epic Games</figcaption></figure>
<p>Recursos como <strong>Nanite</strong> e <strong>Lumen</strong> ampliaram drasticamente o nível de detalhe geométrico e a iluminação global em tempo real. No entanto, esses sistemas exigem <strong>streaming constante de dados</strong>, múltiplas tarefas assíncronas e maior coordenação entre CPU, GPU e armazenamento. Quando esse equilíbrio não é bem ajustado pelo estúdio, o resultado costuma ser stuttering, especialmente em movimentação rápida pelo mapa.</p>
<p>Mais um fator recorrente em jogos baseados na Unreal Engine 5 é o <strong>uso agressivo de traversal shaders</strong>, responsáveis por ajustar a renderização conforme o jogador avança no cenário. </p>
<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Em muitos títulos recentes, esses shaders são compilados sob demanda, causando quedas momentâneas no desempenho sempre que novas áreas são carregadas</p>
</blockquote>
<p>Há também casos em que o problema está na <strong>configuração padrão da engine</strong>, replicada entre projetos sem ajustes específicos para cada jogo. Isso faz com que títulos diferentes apresentem padrões muito semelhantes de stuttering, independentemente do gênero ou da escala do mapa.</p>
<p>O aspecto mais delicado é que, nesses cenários, <strong>nenhuma configuração gráfica resolve completamente</strong>. Reduzir qualidade visual pode amenizar a frequência das travadas, mas raramente elimina o problema por completo. </p>
<p>A correção efetiva costuma vir apenas com <strong>patches de otimização</strong>, reestruturação do pipeline de shaders ou mudanças na forma como o streaming de dados é gerenciado.</p>
<p>Isso ajuda a explicar por que alguns jogos continuam apresentando stuttering meses após o lançamento, mesmo em PCs robustos, e por que análises baseadas apenas em FPS médio já não são reflexo da experiência real do jogador.</p>
<h2 class="wp-block-heading" id="h-ta-bom-mas-como-identificar-o-problema-de-stuttering-do-jeito-certo">Tá bom, mas como identificar o problema de stuttering do jeito certo?</h2>
<p>Monitorar <strong>frametime</strong> é mais eficaz do que observar FPS. Softwares como <a href="https://www.msi.com/Landing/afterburner/graphics-cards">MSI Afterburner</a>, em conjunto com <a href="https://www.guru3d.com/download/rtss-rivatuner-statistics-server-download/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">RivaTuner</a>, exibem gráficos que revelam picos irregulares. </p>
<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="624" height="262" src="https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/9d187144a071b24ebc1d2cb231f74ed8d5b6912e.jpeg" alt="" class="wp-image-647075" style="width:840px;height:auto" srcset="https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/9d187144a071b24ebc1d2cb231f74ed8d5b6912e.jpeg 624w, https://www.adrenaline.com.br/wp-content/uploads/2026/02/9d187144a071b24ebc1d2cb231f74ed8d5b6912e-150x63.jpeg 150w" sizes="(max-width: 624px) 100vw, 624px" /><figcaption class="wp-element-caption">Reprodução/GrantCrackers18 (Microsoft Flight Simulator)</figcaption></figure>
<p>A regra é simples: <strong>linhas estáveis</strong> indicam fluidez; <strong>espinhos</strong> denunciam stuttering.</p>
<h3 class="wp-block-heading" id="h-ajustes-praticos-que-costumam-funcionar">Ajustes práticos que costumam funcionar</h3>
<h4 class="wp-block-heading" id="h-limitar-a-taxa-de-quadros">Limitar a taxa de quadros</h4>
<p>Travar o jogo em <strong>30 ou 60 FPS</strong> cria previsibilidade no frametime. O limite deve ficar <strong>ligeiramente abaixo</strong> da taxa do monitor quando possível, evitando colisões com o refresh.</p>
<h4 class="wp-block-heading" id="h-v-sync-adaptive-sync-e-alternativas">V-Sync, Adaptive Sync e alternativas</h4>
<p>A <strong>sincronia vertical</strong> reduz tearing ao alinhar frames ao monitor, mas pode introduzir atrasos e pioras na qualidade da imagem, deixando ela com aspecto borrado. Soluções adaptativas tendem a equilibrar melhor a entrega quando o desempenho oscila.</p>
<h4 class="wp-block-heading" id="h-reduzir-opcoes-com-alto-custo">Reduzir opções com alto custo</h4>
<p>Sombras dinâmicas, oclusão ambiental, cabelo e água avançados pesam no processamento. Priorize cortes nesses itens antes de mexer na resolução.</p>
<h4 class="wp-block-heading" id="h-fechar-processos-em-segundo-plano">Fechar processos em segundo plano</h4>
<p>Aplicativos ativos competem por CPU, RAM e disco. Streamings, navegadores e overlays podem intensificar picos de latência durante cenas complexas.</p>
<h4 class="wp-block-heading" id="h-verificar-integridade-dos-arquivos">Verificar integridade dos arquivos</h4>
<p>Arquivos corrompidos causam <strong>compilações e carregamentos inesperados</strong>. Plataformas de distribuição oferecem verificação automática que evita esses atrasos.</p>
<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-nada-resolve">Quando nada resolve…</h2>
<p>Como falamos acima, há títulos com <strong>problemas estruturais</strong> de engine, atualizações mal otimizadas ou cenários específicos que provocam stuttering persistente. </p>
<p>Nesses casos, patches e perfis de driver costumam ser o caminho mais eficaz. Atualização de hardware deve ser considerada quando os limites ficam claros mesmo após ajustes.</p>
<p>Não tem o que fazer, o jeito é cobrar da desenvolvedora e aguardar por atualizações.</p>
<h2 class="wp-block-heading" id="h-fluidez-se-constroi-nao-se-presume">Fluidez se constrói, não se presume</h2>
<p>Stuttering não é um mistério insolúvel, tampouco um defeito único. Ele surge da interação entre hardware, software, drivers e configurações. </p>
<p>Ao priorizar <strong>consistência de frametime</strong>, monitorar corretamente e aplicar ajustes direcionados, a experiência melhora de forma mensurável. Fluidez nasce da regularidade e isso muda a forma como se avalia desempenho em games.</p>
<p>Dizemos que a análise moderna de desempenho migrou do “quanto” para o “quando”. Por isso, avaliar <strong>latência de entrega ao display</strong> é capaz de revelar falhas invisíveis em médias tradicionais e impulsiona melhorias em drivers, engines e ferramentas. </p>
<p><strong>Leia também:</strong></p>
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