<p><img width="406" height="228" src="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-406x228.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="Fran Gil" style="margin-bottom:1rem;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-406x228.jpg 406w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-800x450.jpg 800w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-768x432.jpg 768w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-1536x864.jpg 1536w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 406px) 100vw, 406px" /></p>
<p>Seu novo álbum nasce de depressão, meditação, viagens ao Oriente e da última chance de compartilhar com a mãe antes de seu falecimento</p>
<p>O post <a href="https://rollingstone.com.br/musica/fran-gil-transforma-tres-anos-de-estudio-em-onda-lugar-onde-eu-depositava-as-cicatrizes/">Fran Gil transforma três anos de estúdio em ‘Onda’: ‘Lugar onde eu depositava as cicatrizes’</a> apareceu primeiro em <a href="https://rollingstone.com.br">Rolling Stone Brasil</a>.</p>
<p><img width="406" height="228" src="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-406x228.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="Fran Gil" style="margin-bottom:1rem;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-406x228.jpg 406w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-800x450.jpg 800w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-768x432.jpg 768w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-1536x864.jpg 1536w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 406px) 100vw, 406px" /></p><p>Há um dia capaz de marcar a vida de qualquer artista; talvez seja o dia em que decide compartilhar com o mundo sua obra mais íntima. Para <a href="https://rollingstone.com.br/tags/fran/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Fran Gil</strong></a>, esse dia chegou em 8 de agosto — data em que a mãe, <strong>Preta Gil</strong>, completaria 52 anos —, quando anunciou ‘<em><strong>Onda</strong></em>’, o novo álbum, após três anos em estúdio, gravando, regravando e lapidando cada detalhe. Hoje, 16 de setembro, o disco de 11 faixas finalmente chega às plataformas.</p>
<p>Em entrevista à <a href="https://rollingstone.com.br/" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>Rolling Stone Brasil</strong></em></a>, o artista descreve o turbilhão de sensações que o cerca: “Muita coisa ao mesmo tempo, cara. Foram anos me preparando para esse momento [do lançamento]; eu tô me achando até calmo, na verdade”. Há algo de paradoxal nessa calma: ansiedade e segurança convivem. As canções que o acompanham há anos agora ganham o mundo. “Eu tô produzindo esse disco há três anos. Tem algumas músicas que têm até cinco anos de composição. Então, são canções e produções que me acompanham durante esse tempo todo, pelas quais eu tenho um apego danado… é como se fosse aquele meu segredo, aquela coisa íntima. E agora vai pro mundo, vai ganhar novas histórias”.</p>
<p><em><strong>Onda</strong></em> nasceu de travessias. Os últimos três anos foram marcados por grandes shows com os <strong>Gilsons</strong> — trio junto com José e João Gil —, mas também por noites em quartos de hotel, cidades que chegavam e partiam e uma rotina que alternava entre a euforia de plateias lotadas e o vazio das horas sozinho. “Aquela coisa de você tá viajando pra fazer um monte de show, pra um público gigante; aí, de repente, você está num quarto de hotel sozinho. E, numa viagem gigantesca, no dia seguinte você tá em casa sem energia nenhuma”. Então veio o diagnóstico da mãe, que reorganizou tudo. No meio disso, a depressão se impôs.</p>
<blockquote><p>“As coisas todas me levaram pra esse lugar sério de depressão, e eu tive que lutar pela minha vida mesmo”.</p></blockquote>
<p>Com isso em mente, decidiu praticar yoga, meditação e esportes — práticas que o salvaram — e, com elas, redescobriu a si mesmo. “Nisso veio essa mudança radical. Essas práticas começaram a entrar na minha vida. Aí veio uma autoestima, né? Eu fui criando uma autoestima… e o outro lado do disco é muito sobre isso: esse lugar de empoderamento, de um momento em que eu tava indo fundo e conhecendo mais sobre a minha sexualidade”.</p>
<p>O título <em><strong>Onda</strong></em> sintetiza a dualidade que atravessa o álbum. “A onda está totalmente ligada aos movimentos, a um lugar até quântico. O disco passeia por dois lugares: um muito ligado à introspecção, à vulnerabilidade e à tristeza de um período em que eu tive uma depressão muito forte; e esse lado que surgiu dessa força, dessa forma de encarar a depressão”. Os dois coexistem porque assim funciona a vida.</p>
<blockquote><p>“A vida é essa movimentação imprevisível, constante. Às vezes a gente tá confiante e, de repente, vem uma parada pra derrubar. E o que vai mantendo a gente na linha é a capacidade de abraçar essas ondas da vida. A vida tem suas surpresas, suas porradas, suas bênçãos, suas coisas incríveis… mas eu acho que, na hora que acontece esse êxtase, é a hora em que a gente também consegue trazer um pouco de sabedoria pra lidar com o inverso”.</p></blockquote>
<p>Foi também a primeira vez que <strong>Fran</strong> produziu um disco musicalmente. A jornada começou ao conversar com vários produtores, tentando entender caminhos. Mas algo se revelou: “Eu comecei a entender que o que eu tinha na minha cabeça tava muito mais claro do que eu imaginava e que eu teria capacidade de executar aquilo… comandar aquilo”. O privilégio do tempo, já que não queria fazer nada com pressa, virou também prisão: perfeccionismo absoluto. “Eu não terminei o disco; na verdade, eu abandonei. Eu criei uma forma tão perfeccionista de trabalhar… Quando eu sentia que tava perfeito, no dia seguinte eu encontrava uma coisa. Foram três anos trabalhando nisso, me permitindo isso. A galera tinha que virar pra mim e falar: ‘Cara, tá bom pra c*ralho, meu. Solta isso logo’.” A confiança construída ao longo dos anos — esse empoderamento como produtor — aparece em cada faixa.</p>
<figure id="attachment_317900" aria-describedby="caption-attachment-317900" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-317900" src="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-vertical-scaled.jpg" alt="Fran Gil" width="2048" height="2560" srcset="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-vertical-scaled.jpg 2048w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-vertical-182x228.jpg 182w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-vertical-360x450.jpg 360w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-vertical-768x960.jpg 768w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-vertical-1229x1536.jpg 1229w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/09/fran-gil-bonin-bonin____-rolling-ston-vertical-1638x2048.jpg 1638w" sizes="auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /><figcaption id="caption-attachment-317900" class="wp-caption-text">Foto: Bonin (bonin____)</figcaption></figure>
<p>Musicalmente, <em><strong>Onda</strong></em> é um passeio por tudo o que <strong>Fran</strong> consumiu nesse tempo: MPB, samba, música brasileira contemporânea, rap e até pagode.</p>
<blockquote><p>“É um disco que, por mais que passe por várias camadas, gêneros e lugares, todo mundo que escuta sempre me fala como eu consigo colocar uma linha que percorre todas as faixas e, ao mesmo tempo, elas vão se diversificando umas das outras”.</p></blockquote>
<p>Isso reflete a própria musicalidade de <strong>Fran</strong>. “Como artista, eu jamais conseguiria me colocar dentro de uma caixa, porque eu tenho referências que vão de lugares muito distantes uns dos outros”. Bebe de tudo: viagens ao Japão e à Índia o aproximaram de arquitetos como <strong>Tadao Ando</strong> e de filosofias orientais. “Eu tive uma paixão muito grande pela arquitetura das coisas, e isso era uma coisa que eu tentava levar pro meu som”.</p>
<p>Na música, as referências também são vastas: <strong>BK’</strong> — cujo <em><strong>DRLE</strong></em> marcou a produção —, <strong>Kendrick Lamar</strong>, <strong>Aminé</strong> e seu disco colaborativo com <strong>Kaytranada</strong>. Tudo isso convive com nomes brasileiros que o cercam, como a musicalidade de <strong>Péricles</strong>, de <strong>Júlia Mestre</strong>, <strong>Ana Frango Elétrico</strong> e <strong>Bruno Berle</strong>. “A gente tem muita coisa foda acontecendo, né?”, relembra.</p>
<p>Sobre os feats, “só faz sentido quando é de verdade, quando há sinergia, quando há encontro”. <strong>Fran</strong> conta:</p>
<blockquote><p>“Primeiro eu ia identificando o que as músicas pediam. Eu gravei o disco inteiro sem participações primeiro. E depois fiz os convites. O <strong>Péricles</strong>, por exemplo, foi uma pessoa de quem eu fui me aproximando nesse período. Ele criou uma relação muito forte com a minha mãe. A gente teve vivências em meio a isso. Eu já conhecia ele, mas a gente foi se encontrando mais… de repente a gente malhava na mesma academia, de repente a gente cantou junto num prêmio. Já o <strong>BK’</strong> foi lá no estúdio, a gente ficou um tempão falando sobre a vida, foi muito interessante”.</p></blockquote>
<p>Mas há um peso nessas músicas que vai além do artístico: “Essas músicas do meu disco foram as últimas músicas minhas que minha mãe ouviu. O disco dos <strong>Gilsons</strong>, por exemplo, ela não ouviu nada. Mas esse meu disco… eram músicas com as quais a gente tinha relação”.</p>
<p>Quando decidiu anunciar o álbum em 8 de agosto, sentiu um chamado. “Eu comecei a sentir esse impulso de fazer uma coisa pra ela, sabe? De que aquilo fosse um presente pra ela”. A viagem à Índia, que inspirou o clipe de “<strong>Reconstruir</strong>”, havia sido combinada entre os dois. Ele resolveu seguir com o plano. “Eu sei que ela tá aí olhando por mim, que tá acompanhando isso tudo. Eu penso nela o tempo todo em cada processo desses”.</p>
<p><em><strong>Onda</strong></em> mal chegou, mas já aponta os novos caminhos para <strong>Fran</strong>. “Esse disco realmente propõe exatamente isso: sair totalmente da zona de conforto. Ele propõe uma sonoridade bem diferente do que eu já venho construindo. É um disco muito orgânico; muitas coisas a gente gravou ali junto, com músicos”.</p>
<p>O álbum, em si, é a resposta — não apenas um documento de três anos de trabalho obsessivo, mas um manifesto do que virá. “A proposta que eu tenho para o show, para a forma como eu vou trabalhar esse disco, é uma proposta nova relacionada ao meu trabalho. Eu pretendo tá no palco mais livre sobre diversas intimidades, conhecer o que vem por aí também”.</p>
<p>A travessia que começou em silêncio, há três anos, está longe de acabar. “Essa travessia segue justamente porque ainda tenho muita coisa pra aprender e me aprender aí no caminho”.</p>
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