<p><img width="406" height="228" src="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone-406x228.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="Major RD" style="margin-bottom:1rem;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone-406x228.jpg 406w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone-800x450.jpg 800w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone-768x432.jpg 768w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone-1536x864.jpg 1536w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 406px) 100vw, 406px" /></p>
<p>No quarto álbum, o rapper de Campo Grande cruza boombap, rock e trap para falar de paternidade, fé e reconstrução pessoal</p>
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<p><img width="406" height="228" src="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone-406x228.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="Major RD" style="margin-bottom:1rem;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone-406x228.jpg 406w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone-800x450.jpg 800w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone-768x432.jpg 768w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone-1536x864.jpg 1536w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/08/major-rd-divulgacao-rolling-stone.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 406px) 100vw, 406px" /></p><p><strong>Major RD</strong> define “alfa” como a marca de quem lidera pelo carisma e pela vocação, não pela imposição. Depois de <em><strong>Troféu</strong></em> (2021) e <em><strong>Ascensão do Cisne Negro</strong></em> (2023), o rapper de Campo Grande entrega em <em><strong>Alfa</strong></em>, o disco mais pessoal da carreira. Com 13 faixas e cerca de 43 minutos, o projeto chega pela Warner Music Brasil, construído ao longo de dois anos de reformulação, em um período que o próprio artista descreve, em <a href="https://rollingstone.com.br/musica/entrevista-major-rd-alfa-2026/" target="_blank" rel="noopener">entrevista à <em><strong>Rolling Stone Brasil</strong></em></a>, como bagunçado, logo após o fim de um relacionamento com a mãe de sua filha. É nesse processo de reconstrução que o projeto ganha forma: abandona um conceito anterior, provisoriamente batizado de <em><strong>Movimento Rock</strong></em>, para se tornar algo mais amplo e, ao mesmo tempo, mais íntimo.</p>
<p>Sonoramente, <em><strong>Alfa</strong></em> transita sem medo entre boombap, rock e trap — uma mistura que <strong>Major RD</strong> atribui ao próprio repertório de escuta. Durante a composição, ele passou por referências como <strong>Charlie Brown Jr.</strong>, <strong>Froid</strong>, <strong>RZO</strong>, <strong>D2</strong> e os primeiros discos de <strong>Djonga</strong>, ao mesmo tempo em que aprofundava uma paixão declarada pelo rock, gênero que hoje estuda e explora ao compor, pela primeira vez, com banda própria.</p>
<p>Essa travessia entre influências aparece diretamente no flow: ora mais gritado e agressivo, pensado para a resposta física da plateia e para o <em>bate-cabeça</em>; ora mais contido e cadenciado, quando o tema pede introspecção, como em “<strong>Carta Pra Majur</strong>“, canção que abre o projeto — um desabafo dedicado à filha que remete diretamente a “<strong>Carta Pra Lucas</strong>“, faixa de <em><strong>Troféu</strong></em>. Na música, <strong>Major RD</strong> aborda o peso de ser pai à distância. “<em>Sonhei em dar uma lar para minha filha / O estranho é que lá eu sou um visitante</em>”, canta. A partir daí, a letra funciona como uma espécie de carta de instruções e afeto à distância: ele promete cuidar dela, mesmo de longe; celebra semelhanças entre os dois; e revela o lado mais protetor de um pai ausente apenas fisicamente.</p>
<p>A faixa-título, “<strong>Alfa</strong>”, que vem em seguida, com <strong>MV Bill</strong> e <strong>KL Jay</strong>, retoma a paternidade sob outra luz: agora, como presença ativa. O boombap conduz versos sobre criação, família e responsabilidade, com <strong>MV Bill</strong> entregando um verso de peso histórico — quase simbólico — como quem passa o bastão para uma nova geração. Quase no final da canção, <strong>Major RD</strong> sampleia “<strong>333</strong>”, de <strong>Matuê</strong>, mas, apesar da intenção, o encaixe soa um pouco solto no arranjo, destoando do restante da construção da faixa.</p>
<p>“<strong>Karatê</strong>”, com <strong>BK’</strong>, segue uma linha semelhante com a anterior: rimas sobre trajetória pessoal, racismo estrutural e problemas sociais atuais (<em>“A moda agora é atirar em motoboy para não ter que descer e buscar o lanche / Se a fúria negra ressuscitar, vocês vão sofrer a revanche / Sua farda podre tá suja de sangue, lave antes que manche”</em>) e um verso impactante do convidado.</p>
<p>E , ao longo do álbum, essa é a tônica de praticamente todos os feats: <strong>Djonga</strong>, <strong>MC Cabelinho</strong>, <strong>Slipmami</strong>, <strong>Ryu, The Runner</strong> e <strong>Chefin</strong> entregam participações marcantes, cada um ocupando um espaço específico dentro da proposta de cada faixa, <strong>Major</strong> consegue extrair o melhor de cada um, misturando gerações do hip hop nacional sem que nenhuma pareça deslocada.</p>
<p>Voltando às faixas, em “<strong>Apetite Por Ratos</strong>”, o disco muda de temperatura e revela a faceta que dominará boa parte do álbum: voz rasgada, quase gritada, sobre um trap, muito bem construído. “<strong>Eloy Casagrande</strong>” aprofunda esse lado mais visceral ao misturar rock e trap em uma fórmula que o próprio artista reconhece como prima distante de “<strong>Só Rock</strong>”, faixa mais antiga do catálogo. É um dos pontos altos, com refrão fortíssimo e claramente pensado para o ao vivo.</p>
<p>“<strong>Rir Pra Não Chorar</strong>” também é outro ponto alto do projeto, construída sobre um sample de <strong>Cartola</strong> encaixado precisamente, enquanto o rapper reflete sobre a solidão que acompanha o sucesso, os dias desorganizados, o coração confuso e o próprio corpo sofrendo com os excessos. Há, ainda, espaço para uma reflexão mais melancólica sobre fé, perda e o tipo de mundo pelo qual parece cada vez mais difícil sentir gratidão.</p>
<p>No terço final, <strong>“Rimo Igual Pac 2”</strong>, com <strong>Ryu The Runner</strong>, é o momento mais leve e divertido do disco. Longe do peso temático de boa parte do álbum, a faixa aposta em referências soltas à cultura pop — que vão de <strong>Chico Moedas</strong>, à bets, <strong>Felca</strong>, <strong>Pokémon</strong>, <strong>GTA</strong> e outros —, trocadilhos debochados e um tom descompromissado que contrasta propositalmente com a introspecção do restante do disco. Os dois têm química evidente na entrega, e a faixa funciona como um respiro dentro de um álbum que, na maior parte do tempo, carrega peso emocional considerável.</p>
<p>Ainda assim, nem tudo em <em><strong>Alfa</strong></em> alcança o mesmo patamar dos destaques citados. <strong>“Tempo Para Nada”</strong> e <strong>“Campo de Golf”</strong> cumprem seu papel na sequência do disco, mas soam menos marcantes diante do restante. <strong>“Lei Do Ex”</strong> também parte de uma ideia interessante, a paciência para chegar ao próprio auge sem pressa e a busca por serenidade espiritual em meio à desconfiança que ronda o sucesso, mas a execução não tem o mesmo impacto lírico de outras faixas. Ainda assim, no conjunto, esses momentos não diminuem o nível do projeto.</p>
<p><em><strong>Alfa</strong></em> confirma a ideia que abre o disco: liderança como vocação construída aos poucos, faixa após faixa e não como imposição. <strong>Major RD</strong> cruza boombap, rock e trap sem perder identidade em nenhum momento, e boa parte desse mérito também se deve à produção, que sustenta cada mudança de gênero com beats sólidos, bem escolhidos e claramente pensados tanto para o estúdio quanto para o palco. É um álbum sobre reconstrução pessoal que, paradoxalmente, encontra força justamente na variedade, provando que <strong>Major RD</strong> consegue ser gritado e contido, visceral e protetor — tudo dentro do mesmo projeto.</p>
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