<p><img width="406" height="228" src="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Os-100-melhores-albuns-de-punk-de-todos-os-tempos-segundo-Rolling-Stone-fotos-divulgacao-406x228.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="Os 100 melhores álbuns de punk de todos os tempos, segundo Rolling Stone" style="margin-bottom:1rem;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Os-100-melhores-albuns-de-punk-de-todos-os-tempos-segundo-Rolling-Stone-fotos-divulgacao-406x228.jpg 406w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Os-100-melhores-albuns-de-punk-de-todos-os-tempos-segundo-Rolling-Stone-fotos-divulgacao-800x450.jpg 800w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Os-100-melhores-albuns-de-punk-de-todos-os-tempos-segundo-Rolling-Stone-fotos-divulgacao-768x432.jpg 768w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Os-100-melhores-albuns-de-punk-de-todos-os-tempos-segundo-Rolling-Stone-fotos-divulgacao-1536x864.jpg 1536w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Os-100-melhores-albuns-de-punk-de-todos-os-tempos-segundo-Rolling-Stone-fotos-divulgacao.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 406px) 100vw, 406px" /></p>
<p>Dos roqueiros de Nova York aos anarquistas no Reino Unido, do hardcore ao riot grrrl, ao pop-punk e muito mais</p>
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<p>Se <strong>Ramones</strong> foi o <strong>Ano Zero</strong> do punk rock, isso não aconteceu sem precedentes, então incluímos precursores essenciais como <a href="https://rollingstone.com.br/tags/The-Stooges/" target="_blank" rel="noopener"><strong>The Stooges</strong></a>, <a href="https://rollingstone.com.br/tags/New-York-Dolls/" target="_blank" rel="noopener"><strong>New York Dolls</strong></a> e <a href="https://rollingstone.com.br/tags/Patti-Smith/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Patti Smith</strong></a>, artistas que já eram punk em espírito antes mesmo de o estilo realmente ter um nome. Quando o punk aconteceu, foi uma explosão de ideias e possibilidades. Ao lado de <a href="https://rollingstone.com.br/tags/Sex-Pistols/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Sex Pistols</strong></a> e <a href="https://rollingstone.com.br/tags/The-Clash/" target="_blank" rel="noopener"><strong>The Clash</strong></a>, <strong>Black Flag</strong> e <strong>Descendents</strong>, <strong>Bad Brains</strong> e <strong>Minor Threat</strong>, você encontrará o <strong>Gang of Four</strong> misturando ataque funk e teoria marxista, o goth glacial do <a href="https://rollingstone.com.br/tags/Joy-Division/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Joy Division</strong></a>, as visões country existencialistas dos <strong>The Mekons</strong>, radicais riot grrrl como <strong>Bikini Kill</strong> e <strong>Sleater-Kinney,</strong> ska punk de <strong>Rancid</strong> e <strong>Operation Ivy</strong>, os pop-punks multiplatina <a href="https://rollingstone.com.br/tags/Green-Day/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Green Day</strong></a> e <a href="https://rollingstone.com.br/tags/Blink-182/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Blink-182</strong></a>, além de bandas hardcore de nova geração como <a href="https://rollingstone.com.br/tags/Turnstile/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Turnstile</strong></a> e <strong>Soul Glo</strong>.</p>
<p>O punk e seus muitos desdobramentos geraram tanta música excelente que incluímos uma lista de 200 álbuns relacionados para conferir. “Punk rock deveria significar liberdade”, disse <strong>Kurt Cobain</strong> em 1991, justamente quando <em><strong>Nevermind</strong></em> explodia os valores punk pelo mainstream da classe média americana. Aqui está um mapa, elaborado pela <a href="https://www.rollingstone.com/music/music-lists/best-punk-albums-1235538842/" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>Rolling Stone</strong></em></a>, de onde essa liberdade pode levar você.</p>
<h2>100º lugar: D.R.I., ‘Dealing With It!’</h2>
<p>Destruindo 25 músicas em menos de 35 minutos, a banda pioneira do Texas transformou seu segundo álbum de estúdio em uma prova de conceito: sim, Virgínia, era possível unir hardcore punk ao então emergente gênero dos anos 1980 conhecido como thrash metal e criar um som crossover perfeito para rodas punk. O vocalista Kurt Brecht e seus colegas do Dirty Rotten Imbeciles eram capazes de desacelerar e pesar o clima quando necessário — vide a lindamente sludge “Soup Kitchen” —, mas são músicas como “Shame”, que já começa a mil por hora, critica desde poluição até guerra e “bandas idiotas de cock rock”, e ainda encontra tempo para um solo de guitarra destruidor antes de frear logo depois da marca de um minuto, que definem o disco. O logo da banda, com uma figura de placa de travessia de pedestres no meio de um mosh, foi mais do que merecido. —David Fear</p>
<h2>99º lugar: Paramore, ‘Brand New Eyes’</h2>
<p>Com Brand New Eyes, o Paramore viveu sua própria versão da epifania de Patti Smith em “Gloria”. “The truth never set me free/So I’ll do it myself”, declarou Hayley Williams na explosiva faixa de abertura do álbum. Para uma banda pop-punk emo vinda do Cinturão da Bíblia, que certa vez cantou “This heart it beats/Beats for only you” em uma música screamo dedicada a Deus, foi uma atitude bastante punk — e uma mudança dramática que intensificou as turbulências internas da banda. (Josh e Zac Farro chegaram até a citar o verso no comunicado em que deixaram o grupo.) Além dos questionamentos à criação cristã dos integrantes, o terceiro LP do Paramore também estava repleto de indiretas afiadas entre eles mesmos. Nesse sentido, Brand New Eyes é como uma versão emo domesticada de Rumours produzida pelo cérebro por trás de Dookie, Rob Cavallo. —Maya Georgi</p>
<h2>98º lugar: The Faith and Void, ‘Faith/Void’</h2>
<p>Os dois lados deste álbum foram divididos entre duas bandas que representavam vertentes diferentes da cena hardcore de Washington, D.C.. Formado por “insiders”, o Faith era liderado por Alec MacKaye, irmão mais novo de Ian MacKaye, do Minor Threat, berrando sobre os riffs crus de Michael Hampton e as batidas quase melódicas do baixo de Chris Bald. Dá até para ouvir um pouco de emo na faixa de encerramento do lado, “In the Black”. Já o Void, no outro lado, vinha do subúrbio afastado de Columbia, Maryland, e, se MacKaye soava furioso mas focado, o vocalista John Weiffenbach parecia completamente descontrolado. Cheio de microfonia e passagens metálicas doentias tocadas em velocidade alucinante, o impressionante lado do Void soa cada vez mais caótico conforme avança. Frase inspiradora: “Who are you and why am I here?” —Joe Gross</p>
<h2>97º lugar: Naked Raygun, ‘Jettison’</h2>
<p>O Naked Raygun, de Chicago, lançou uma sombra enorme sobre gerações de outras bandas: além de ter sido o primeiro show punk de Dave Grohl, eles já foram citados por Blink-182 e regravados pelo Fall Out Boy. O terceiro álbum da banda, Jettison, é um exemplo perfeito do porquê. Na abertura feroz e melódica “Soldier’s Requiem”, o vocalista Jeff Pezzati denuncia as “mentiras que buscavam enganar” na guerra enquanto também homenageia aqueles perdidos em combate, recheando tudo com perfeitos “whoa-oh-ohs” feitos para serem gritados em coro. Da antemática e reflexiva “When the Walls Come Down” e “Walk in Cold” à swingada “Ghetto Mechanic”, o álbum inteiro representa o pós-hardcore operário do Meio-Oeste americano em sua melhor forma. —Althea Legaspi</p>
<h2>96º lugar: Refused, ‘The Shape of Punk to Come’</h2>
<p>“Can I scream?”, questiona o vocalista Dennis Lyxzén na metade do terceiro álbum dos lendários hardcoreiros suecos do Refused, capaz de arrancar a pele de qualquer um. Só para constar: ele não está pedindo permissão. A obra-prima incontestável da banda é um longo urro de fúria, enquanto o cantor e seus colegas atacam complacência, cumplicidade e os efeitos desumanizantes do capitalismo. Mas o disco também fala sobre a felicidade de adicionar “new noise”, para citar o título de uma das faixas, a um subgênero punk sem sacrificar uma gota da raiva ou da velocidade que originalmente o definiam. Batidas techno, lamentos conduzidos por violino e a dinâmica alto-baixo do rock universitário do começo dos anos 1990 — isso também é hardcore, declara o grupo. Bem-vindos ao futuro, punks. —D. Fear</p>
<h2>95º lugar: Downtown Boys, ‘Full Communism’</h2>
<p>Muito rock político é criticado por ser vagamente programático demais. Essa crítica encontra seu contraponto no feroz Downtown Boys, de Providence, Rhode Island, que apresenta seu evangelho marxista logo de cara sobre a agitação cheia de saxofone de “100% Inheritance Tax” e “Wave of History”, chegando até a soar explicitamente stalinista em “Break a Few Eggs”. A vocalista Victoria Ruiz canta tanto em inglês quanto em espanhol; na eletrizante “Monstro”, ela transforma o slogan repetido “She’s brown! She’s smart!” em uma declaração radical de empoderamento, enquanto a música cresce até um clímax explosivo. Eles encerram tudo com uma versão de “Dancing in the Dark”, de Bruce Springsteen, transformando magicamente uma música sobre o mal-estar de um homem branco de meia-idade em um hino de transformação política radical. —Jon Dolan</p>
<h2>94º lugar: Redd Kross, ‘Born Innocent’</h2>
<p>Antes de se tornarem pioneiros power-pop que ajudaram a pavimentar o caminho para o grunge, o Redd Kross era a melhor banda hardcore de Hawthorne, Califórnia, a ensolarada cidade que revelou os The Beach Boys. Liderado pelo guitarrista Jeff McDonald e seu irmão de 15 anos, Steve, no baixo, o Redd Kross era formado por adolescentes sonhadores movidos a música pop e cultura pop — referências para o álbum de estreia de 1982, Born Innocent, incluem Linda Blair, Solid Gold, Beyond the Valley of the Dolls e Charles Manson, que é tanto discutido (“Charlie”) quanto reinterpretado (“Cease to Exist”). O Redd Kross não tinha medo de encaixar um solo de guitarra selvagem ou um refrão ensolarado em um álbum composto majoritariamente por faixas incendiárias com menos de dois minutos — se você ouvir do jeito certo, pode soar como Cheap Trick ou Kiss turbinados com Ovaltine. —Christopher R. Weingarten</p>
<h2>93º lugar: IDLES, ‘Brutalism’</h2>
<p>O álbum de estreia de estúdio do IDLES, de Bristol, Inglaterra, foi inspirado em grande parte pela morte da mãe do vocalista Joe Talbot — algo nada tradicional para o punk rock, especialmente vindo de uma banda tão implacavelmente pesada quanto essa. Mas o luto e a raiva dele se tornam ponto de partida para músicas sobre política de classe, elitismo cultural, masculinidade tóxica e feminismo, entregues com intensidade sincera e um humor irônico. “The best way to scare a Tory is to read and get rich”, grita Talbot sobre o baixo e a bateria pulsantes de “Mother”, um dos muitos momentos inesquecíveis em que ele dá uma nova roupagem à velha raiva proletária. —J.D.</p>
<h2>92º lugar: Sick of It All, ‘Blood, Sweat, and No Tears’</h2>
<p>Blood, Sweat, and No Tears é o trabalho de quatro idealistas do Queens constantemente decepcionados porque a realidade nunca corresponde às expectativas deles. Eles não gostam de pessoas “batendo em crianças mais fracas que você” (“Pushed Too Far”). Odeiam ver criminosos sendo libertados (“as vítimas são as que pagam”, canta o vocalista Lou Koller em “B.S. Justice”). E não suportam amigos traidores (eles não precisam de “Friends Like You”). Felizmente, encontraram uma comunidade com ideias parecidas no hardcore nova-iorquino e gravaram um álbum perfeito com 19 músicas em 27 minutos. Cada faixa espalha sua própria “hardcore reality”, para usar o termo deles, mas “Rat Pack”, sobre permanecer unido, e a antemática “Injustice System!” são as canções que transformaram o LP de estreia da banda em um clássico. —Kory Grow</p>
<h2>91º lugar: L7, ‘Smell the Magic’</h2>
<p>Sete segundos de improviso psicodélico introduzem o segundo álbum do L7 antes que a guitarra de Donita Sparks atravesse a névoa roxa com o riff de “Shove”, um dedo do meio para todos que cruzassem o caminho do quarteto. “Some guy just pinched my ass”, canta a vocalista Suzi Gardner na música, e a banda berra: “Shove!”. Smell the Magic (uma camiseta explica o título) é meia hora curta e azeda de fúria punk com toques de metal feita por quatro mulheres prontas para se vingar de um mundo sexista e corrupto. Sparks resume o espírito da banda com a frase “[She] got so much clit, she don’t need no balls”, e depois elas satirizam bandas de hair metal taradas em “Just Like Me”. O L7 dizia não ter modelos a seguir, mas, mesmo que tivesse, provavelmente os teria massacrado de qualquer forma. —K.G.</p>
<h2>90º lugar: The Damned, ‘Damned Damned Damned’</h2>
<p>A primeira banda punk britânica a lançar tanto um single (“New Rose”) quanto um álbum — Damned Damned Damned saiu às pressas em fevereiro de 1977, chegando antes dos discos dos Sex Pistols e do The Clash — o The Damned não era formado por revolucionários: eles eram apenas uma banda urgente e pesada de rock & roll com muita atitude, um profundo amor pelos The Stooges (cuja “1970” eles reinterpretam aqui como “I Feel Alright”) e um baterista monstruosamente ágil que se autodenominava Rat Scabies. A formação inicial da banda (com o principal compositor e guitarrista Brian James) não durou muito, mas “Neat Neat Neat” levou milhares de adolescentes ingleses entediados a correr para comprar guitarras. —Douglas Wolk</p>
<h2>89º lugar: Angry Samoans, ‘Back From Samoa’</h2>
<p>O Angry Samoans era formado por satiristas afiados ou apenas pequenos idiotas odiosos? Muito provavelmente os dois. Liderada pelo ex-redator da Rolling Stone “Metal Mike” Saunders, a banda californiana de palhaços do garage rock embarcou no ônibus do hardcore em seu primeiro álbum. São 14 músicas muito rápidas, muito bobas e profundamente antissociais em menos de 18 minutos, recheadas de discursos homofóbicos que geralmente descambam para insinuações homoeróticas, como na absurda “They Saved Hitler’s Cock” (“Now it’s starting to get hard/I found it in my backyard”). Destaque para “Lights Out”, um headbanger de 52 segundos sobre como é incrível furar os próprios olhos, algo que o público da banda costumava imitar com garfos de plástico. —D.W.</p>
<h2>88º lugar: Social Distortion, ‘Mommy’s Little Monster’</h2>
<p>“Éramos adolescentes reagindo contra a sociedade, e a sociedade reagia contra nós”, relembrou Mike Ness sobre os primeiros dias do Social Distortion, banda de Fullerton, Califórnia. “Era tudo muito volátil.” O Social D acabaria entrando no mainstream do rock nos anos 1990 ao conectar o punk rock do sul da Califórnia com rockabilly e country em hits rosnados e desencantados como “Story of My Life” e “Ball and Chain”. Mas o álbum de estreia da banda é pura angústia punk. Gravado em uma única sessão na véspera de Natal de 1982, Mommy’s Little Monster já exala o desgaste emocional que definiria os trabalhos posteriores — e mais polidos — de Ness, mas é sustentado por um carisma juvenil e desajeitado. —Michaelangelo Matos</p>
<h2>87º lugar: Negative Approach, ‘Tied Down’</h2>
<p>O mal-estar do Meio-Oeste presente no Negative Approach, de Detroit, foi uma das apostas mais intensas do hardcore — raivoso, feio, sarnento, intenso e mais do que disposto a acabar com sua vibe. No único LP da banda, o vocal áspero de John Brannon corta a música como um maçarico atravessando um carburador, alternando entre a fúria (“Hypocrite”) e o desespero (“Evacuate”). A música mais conhecida deles, “Nothing”, é uma depressão absoluta entregue a 188 bpm, mas ainda assim o NA consegue encerrar Tied Down com o otimismo desafiador de “I’ll Survive”. Segundo Brannon, os shows da banda não atraíam muito público, e Tied Down teve apenas uma tiragem de 3 mil cópias. Mas esses 10 acessos de raiva (despejados em menos de 17 minutos) cresceram ao longo dos anos e se tornaram referência para bandas de punk, metal e noise. —C.W.</p>
<h2>86º lugar: Jawbreaker, ’24 Hour Revenge Therapy’</h2>
<p>A banda da East Bay Jawbreaker vinha de uma turnê exaustiva e do período pós-cirurgia vocal do vocalista Blake Schwarzenbach quando correu para a casa de Steve Albini, em Chicago, para trabalhar no brutalmente sincero 24 Hour Revenge Therapy. Uma destilação precisa das melhores partes do trabalho do grupo, o disco foi turbinado pela honestidade sem filtros, o humor sombrio e as observações afiadas de Schwarzenbach. Odes a pegação em banheiro e provocações à política da cena (“‘You’re not punk and I’m telling everyone’/Save your breath, I never was one”) ajudam a moldar sua narrativa, que também inclui momentos experimentais: suas imagens de um barco solitário e inacabado, capturado de múltiplos ângulos em “The Boat Dreams from the Hill”, permanecem décadas depois. —Julyssa Lopez</p>
<h2>85º lugar: The MC5, ‘Kick Out the Jams’</h2>
<p>O selvagem e caótico MC5 transformou política de festa em festa política, despejando retórica de esquerda, alinhando-se aos Black Panther Party e tumultuando a Convenção Nacional Democrata — tudo ao som dos riffs audaciosos e bombásticos de Wayne Kramer. O álbum de estreia da banda — um disco ao vivo criado para capturar sua fúria de cabelos ao vento — é um marco proto-punk, misturando rock clássico acelerado (“Ramblin’ Rose” foi originalmente gravada por Jerry Lee Lewis), jazz metal enlouquecido (“Starship” foi inspirada por Sun Ra), discursos revolucionários (cortesia do poeta John Sinclair) e, claro, a eterna “Kick Out the Jams”, um hino sobre curtir rock que já foi regravado por artistas que vão de Rage Against the Machine a Afrika Bambaataa e Jeff Buckley. —C.W.</p>
<h2>84º lugar: Frightwig, ‘Cat Farm Faboo’</h2>
<p>Quando Kurt Cobain fez sua lendária apresentação no MTV Unplugged com o Nirvana em 1994, ele usava uma camiseta do Frightwig por baixo do cardigã — uma homenagem apropriada para essa banda cultuada, mas pouco conhecida. As mulheres punk do Frightwig estavam causando em San Francisco com seu álbum de estreia de 1984, Cat Farm Faboo. Elas tinham palavras bem escolhidas para os homens presentes, como na autoexplicativa “My Crotch Does Not Say Go”. Como Courtney Love relembrou certa vez: “Eu, Kat [Bjelland, do Babes in Toyland] e Jennifer Finch [do L7] vimos o Frightwig na mesma noite e decidimos montar bandas no dia seguinte. O Frightwig são as verdadeiras avós do riot grrrl.” —Rob Sheffield</p>
<h2>83º lugar: Blink-182, ‘Dude Ranch’</h2>
<p>Dude Ranch é a obra-prima que o Blink-182 fez pouco antes de colocar de vez o “pop” no pop punk. O segundo LP do trio do sul da Califórnia é mais polido e preciso do que seu antecessor, Cheshire Cat, mas ainda soa cru e desajeitado. O baterista original Scott Raynor nunca tocou com a mesma precisão de Travis Barker, mas isso dá ao disco uma energia de constante desequilíbrio. Enquanto isso, as composições de Mark Hoppus e Tom DeLonge mostram como a mente masculina jovem consegue usar piadas de pinto, masturbação e Star Wars a serviço de vulnerabilidade genuína, autorreflexão e amadurecimento. Talvez a anedota definitiva sobre Dude Ranch seja que, depois de destruir a voz gravando a inesquecível “Dammit”, Hoppus percebeu que precisava parar de fumar se quisesse continuar cantando. Como diz o velho ditado: acho que isso é crescer. —Jon Blistein</p>
<h2>82º lugar: Priests, ‘Nothing Feels Natural’</h2>
<p>É fácil associar o primeiro álbum do Priests à sua data de lançamento: 27 de janeiro de 2017. Ali estava uma jovem banda punk de Washington, D.C. lançando um disco de estreia recheado de músicas de protesto inteligentes e ácidas apenas uma semana após a primeira posse de Donald Trump. Mas, por mais que Nothing Feels Natural dialogasse com seu momento histórico, o disco possui uma atemporalidade que justifica seu lugar no panteão. “No Big Bang” explora criatividade e consciência, enquanto “JJ” é um adeus turbulento para alguém que não merece ter uma música tão boa escrita sobre si. Quando o Priests entra de fato na política, oferece um acerto de contas e um ataque verbal a um sistema em profundo declínio. “Sign a letter, throw your shoe, vote for numbers one or two”, canta Katie Greer na impactante “Pink White House”. Tudo continua exatamente como sempre foi. —J.B.</p>
<h2>81º lugar: Discharge, ‘Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing’</h2>
<p>O Discharge talvez não tenha inventado a batida “D-beat” — bumbo-caixa, bumbo-bumbo-caixa —, mas todos os bateristas de crust punk, anarco-punk, grindcore e thrash metal que a copiaram ao longo dos anos 1980 provavelmente teriam tocado algo diferente se o Discharge não tivesse feito aquilo tão bem. Ainda assim, o álbum de estreia do quarteto britânico é muito mais do que o icônico D-rattle de Garry Moloney. O disco alcançou massa crítica graças aos riffs cortantes e simplistas do guitarrista Bones, aos cenários sombrios de des-evolução criados pelo vocalista Cal Morris e à arte de capa perturbadora em preto e branco do grupo. Morris despeja músicas como “Protest and Survive”, “Free Speech for the Dumb” e “The Nightmare Continues” sobre o barulho ensurdecedor de seus companheiros de banda de uma forma que gruda na cabeça dos ouvintes. Tudo aqui é cortante e simples — e ninguém jamais conseguiu copiar completamente esse som. —K.G.</p>
<h2>80º lugar: NOFX, ‘Punk in Drublic’,</h2>
<p>O baixista e vocalista do NOFX, Fat Mike, é um dos grandes personagens do punk americano — um boêmio crônico com um senso de humor impecável e um coração generoso. “That’s me in the street with a violin under my chin/Playin’ with a grin/Singin’ gibberish”, ele canta no excelente quinto álbum da banda de Los Angeles. Todos são iguais aos olhos dele — do “Punk Guy”, que “Got a face like Charles Bronson/Straight out of Green Bay, Wisconsin”, ao cara “com uma camiseta tie-dye do Rancid” que “usa Birkenstocks no trabalho”. Essa magnanimidade torna suas músicas rápidas e cheias de refrões ainda mais relacionáveis e admiráveis. Entre os pontos altos do álbum estão a antirracista “Don’t Call Me White” e a comunitária “The Brews”. —M.M.</p>
<h2>79º lugar: Agnostic Front, ‘Victim in Pain’</h2>
<p>Dos motins de Tompkins Square Park aos squats espalhados pelo parque, o Lower East Side dos anos 1980 era um lugar duro — e a música que saiu dali, apelidada de New York hardcore (NYHC), era igualmente agressiva. O Agnostic Front já existia havia alguns anos antes do lançamento de Victim in Pain, lapidando seu som em lugares locais como CBGB e A7. O álbum tem apenas 15 minutos de duração, mas captura perfeitamente o espírito da época — apostando em vocais gritados, no uso constante de pedal duplo no bumbo e em breakdowns de gelar os ossos ao longo de suas 11 músicas. A banda acabaria encontrando um som mais pop nos anos 1990, mas o disco de estreia do Agnostic Front os estabeleceu como os punks mais durões do quarteirão mais durão. —Elisabeth Garber-Paul</p>
<h2>78º lugar: Various Artists, ‘No New York’</h2>
<p>As quatro bandas desta lendária coletânea de 1978 produzida por Brian Eno levaram o punk nova-iorquino aos seus limites atonais e frequentemente hilariantemente abrasivos, criando a curta cena No Wave. O The Contortions desconstrói jazz e funk tanto quanto punk com uma pompa travessa. O Teenage Jesus and the Jerks, liderado pela selvagem berradora Lydia Lunch, antecipou o riot grrrl. A impetuosa “Helen Forsdale”, do Mars, entregou uma explosão noise com a força primal de um grande single. E o DNA faz tudo isso soar como pop comportado. Futuras bandas barulhentas de Nova York, como o Sonic Youth, tomaram notas furiosamente. —M.M.</p>
<h2>77º lugar: Crass, ‘The Feeding of the 5000’</h2>
<p>O coletivo punk anarquista britânico Crass fazia jus ao discurso: sediados em uma casa coletiva que ainda funciona até hoje, eles faziam tudo sozinhos, incluindo administrar sua própria gravadora, a Crass Records, e criar suas próprias apresentações multimídia. Sua fúria política era assustadora — eles responderam à guerra das Falklands War de Margaret Thatcher com um single incendiário chamado “How Does It Feel to Be the Mother of a Thousand Dead?” — e enfrentavam diretamente o sexismo dentro da própria cena punk. Este álbum de estreia ultracru é impulsionado pelas exigências beligerantes (ainda que pacifistas) de seus quatro (!) vocalistas: “Do they owe us a living? Of course they fucking do.” —D.W.</p>
<h2>76º lugar: Dead Boys, ‘Young Loud and Snotty’</h2>
<p>O Dead Boys saiu de Cleveland rumo à New York City e encontrou sucesso graças a Joey Ramone, que os conheceu durante uma parada de turnê em Ohio e os colocou para tocar no CBGB. Eles se encaixaram facilmente na cena punk nova-iorquina inicial, com o guitarrista Cheetah Chrome, o vocalista Stiv Bators e o baterista Johnny Blitz despejando faixas carnais sobre sexo e violência (“What Love Is”), sexo e dor (“All This and More”) e sexo e rejeição (“I Need Lunch”) — além de clássicos adolescentes raivosos como “Sonic Reducer” e “Ain’t Nothin’ to Do”. Eram os pirralhos desleixados da cena do CBGB, incorporando o mantra “live fast, die young” da época — embora todos tenham sobrevivido aos anos 1970. —E.G.P.</p>
<h2>75º lugar: Blondie, ‘Blondie’</h2>
<p>Se o Blondie tivesse surgido uma década antes, Phil Spector teria produzido seu álbum de estreia autointitulado obcecado por girl groups. Mas, felizmente, o Blondie foi fruto da Greenwich Village dos anos 1970, onde amadureceu tocando no Max’s e no CBGB, cantando letras mais maliciosas do que Spector permitiria. Em “X Offender”, Debbie Harry canta ousadamente sobre ser uma criminosa sexual seduzindo um policial. Mas é na sonhadora “In the Flesh”, na surf rocker “In the Sun” e na vibrante “Rip Her to Shreds” que as interpretações punk do pop sessentista feitas pelo Blondie chegam até a superar os igualmente obcecados por Spector Ramones, graças à entrega coquete de Harry e aos teclados Farfisa giratórios de Jimmy Destri. O Blondie estabeleceu aqui a atitude punk que levaria para o pop de verdade em seu clássico de 1978, Parallel Lines. —K.G.</p>
<h2>74º lugar: Birthday Party, ‘Junkyard’</h2>
<p>Em “She’s Hit”, a faixa de abertura arrastada do LP original de Junkyard, cada integrante do The Birthday Party parece tocar por si próprio: Tracy Pew despeja um baixo jazzístico esmagador, Mick Harvey e Phill Calvert destroem a percussão em momentos incomuns (ou melhor, assustadores), Rowland S. Howard e Harvey criam um caos sinuoso, enquanto o vocalista Nick Cave canta sobre “woman pie”. Tudo é profundamente desconfortável — e esse é justamente o objetivo. Seja avançando com fúria punk em “Dead Joe” ou criando um barulho digno de Jets contra Sharks em “Big-Jesus-Trash-Can”, a arma secreta do Birthday Party era a habilidade quase sobrenatural de se empurrar até a beira de um colapso nervoso sem perder totalmente o controle. A relançamento nas plataformas digitais adiciona pequenas preciosidades como uma segunda e mais cruel versão de “Dead Joe” e a obra-prima goth-punk “Release the Bats”. Vampiro sexual… morda! —K.G.</p>
<h2>73º lugar: Meat Puppets, ‘II’</h2>
<p>“Estou ficando cansado de viver a bagunça do Nixon”, grasnou Curt Kirkwood, do Meat Puppets, no incrível segundo álbum da banda do Arizona. Com sua sublime mistura de maravilhamento e terror, o country psicodélico lindamente demente de II fica em algum ponto entre Damaged, do Black Flag, e American Beauty, do Grateful Dead. Músicas como “Magic Toy Missing” e “Split Myself in Two” promovem um hoedown de mosh pit, enquanto a banda desacelera e se expande em pastorais de guitarra chapadas como “Aurora Borealis” e “We’re Here”. Kurt Cobain ficou tão impressionado que regravou duas músicas deste álbum no MTV Unplugged in New York do Nirvana, apresentando os “Pups” a uma nova geração de fãs. —J.D.</p>
<h2>72º lugar: Various Artists, ‘Oi! The Album’</h2>
<p>Apaixonadamente operário e tão direto quanto possível, o Oi! foi o punk britânico de segunda geração que rejeitou os excessos de escola de arte e reduziu o glam stomp e a retidão do The Clash ao básico enlameado das botas Doc Martens. “That’s the sound of the streets”, diz parte do refrão de “Oi! Oi! Oi!”, do Cockney Rejects — o cenário está montado, e pouco muda independentemente de qual banda (The Exploited, Angelic Upstarts, The 4-Skins) esteja entregando qual refrão explosivo. Esta coletânea, organizada por Garry Bushell, o grande defensor do estilo nas páginas da revista musical Sounds, continua sendo o melhor retrato daquela cena — até porque, segundo Bushell, ela logo foi inundada por neonazistas. —M.M.</p>
<h2>71º lugar: Soul Glo, ‘Diaspora Problems’</h2>
<p>Lutar ou fugir? Não importa. Em Diaspora Problems, o Soul Glo opera movido por pura adrenalina frenética, sem nunca soar confortável. O álbum começa com o vocalista Pierce Jordan destruindo suas cordas vocais em “Gold Chain Punk”, perguntando “Can I live? Can I live?”, e depois se preocupando: “Who gon’ beat my ass?”, enquanto a banda traduz sua ansiedade em guitarras densas e ruído estridente. Em “Coming Correct Is Cheaper”, Jordan canta sobre querer respeito (“I try to listen the way I wanna be listened to”), mas a maneira como ele grita sugere que a causa já está perdida. O quarto álbum da banda apresenta os conflitos internos dos punks negros americanos com uma nuance impressionante, referências ao hip-hop e raiva em todas as faixas. —K.G.</p>
<h2>70º lugar: The Mekons, ‘Fear and Whiskey’</h2>
<p>O The Mekons, de Leeds, Inglaterra, estreou em 1978 com “Never Been in a Riot”, uma música-resposta a “White Riot”, do The Clash, que já demonstrava seu distanciamento irônico da retórica inflamada do punk. Em Fear and Whiskey, de 1985, eles canalizaram esse espírito sardônico para criar o melhor disco de roots rock dos anos 1980, praticamente inventando o “alternative country” ao atualizar o terror existencial de “Lost Highway”, de Hank Williams, para o deserto Reagan-Thatcher. Músicas como “Hard to be Human” e “Chivalry” soam como standards de fim de noite em um baile anarquista, enquanto “Darkness and Doubt” e “Psycho Cupid — Danceband at the End of Time” mergulham em um desespero que parece quase sem fundo. —J.D.</p>
<h2>69º lugar: SS DeControl, ‘The Kids Will Have Their Say’</h2>
<p>Essas lendas de Boston personificavam os ideais rebeldes do hardcore americano em sua forma mais pura — apenas garotos falando com outros garotos. O falecido e brilhante guitarrista Al Barile transformou o SSD em uma ofensiva implacável, guiado por sua ética “like glue, like crew” e pelo fervor straight edge agressivo. Como tantas bandas pelo país, eles levaram a filosofia antidrogas do Minor Threat a sério, a ponto de os jovens nos shows do SSD se tornarem conhecidos por tirar bebidas das mãos das pessoas com tapas. Mas The Kids Will Have Their Say é uma explosão gloriosa de fúria fanática e alucinada, em músicas como “Boiling Point” (eles chegaram lá, cara), “Fight Them” (abaixo a autoridade), “United” (abaixo os racistas) e “Police Beat” (nem precisa explicar). —R.S.</p>
<h2>68º lugar: Dead Kennedys, ‘Fresh Fruit for Rotting Vegetables’</h2>
<p>Os verdadeiros esquerdistas “dirtbag” originais, o Dead Kennedys foi pioneiro em um estilo de sneercore sardônico que empurrava comentários anti-imperialistas e anticapitalistas por meio de um humor venenoso e provocador. Inspirado pela polêmica brincalhona dos Youth International Party, o líder Jello Biafra transforma desigualdade em sátira swiftiana (“Kill the Poor”), imagina a carreira política de Jerry Brown como o início de uma nova distopia (“California Über Alles”), oferece a estudantes universitários americanos mimados uma viagem rumo ao genocídio (“Holiday in Cambodia”) e libera gás nervoso em um clube de campo (“Chemical Warfare”). Mais do que mestres da ironia ácida, o Dead Kennedys também foi uma das bandas musicalmente mais ambiciosas da diáspora hardcore californiana, recheando o álbum de estreia com riffs surf dementes, dissonância proto-math-rock e mudanças dramáticas de andamento. —C.W.</p>
<h2>67º lugar: Dropkick Murphys, ‘Do or Die’</h2>
<p>Não havia muitas bandas no fim dos anos 1990 começando discos com uma versão em gaita de fole de “Scotland the Brave” — mas o Dropkick Murphys nunca foi uma banda comum. Anos antes de suas músicas serem usadas por Martin Scorsese em The Departed ou de suas canções entrarem nas trilhas sonoras de estádios esportivos, os Dropkicks já combinavam os coros de “durões” das bandas Oi! com o pop punk do Warped Tour para criar infinitas odes à classe trabalhadora de Boston. Do or Die é o único álbum com vocais do cantor original Mike McColgan, mas estabeleceu os temas — amizade, bebida, as alegrias de ser um skinhead (não racista) — aos quais a banda retornaria por décadas. Mesmo após o sucesso mainstream do grupo, “Barroom Hero” ainda faz uma sala cheia de punks cantar junto. —E.G.P.</p>
<h2>66º lugar: Suicide, ‘Suicide’</h2>
<p>Vestido de couro e empunhando uma corrente de motocicleta, o duo minimalista synth-punk Suicide destoava completamente dos colegas do CBGB: sem guitarra, sem baixo, sem bateria, apenas os pulsos fantasmagóricos do equipamento eletrônico embrionário de Martin Rev e a agonia aterrorizante e uivante do vocalista Alan Vega. Suas músicas arfantes e pulsantes, como “Cheree” e “Rocket U.S.A.”, transformam a sujeira oleosa das melodias pop dos anos 1950 em pesadelos apocalípticos, produzindo, no fim das contas, a música que Travis Bickle ouviria dentro da própria cabeça. Nenhum momento do clássico álbum de estreia é mais visceral do que “Frankie Teardrop”, uma história de assassinato e suicídio de 10 minutos tão crua e saturada de gritos que Bruce Springsteen a colocou em seu “painel de mau humor” para “State Trooper”, de 1982. —C.W.</p>
<h2>65º lugar: Le Tigre, ‘Le Tigre’</h2>
<p>O Le Tigre começou com uma proposta radical: em vez de escrever sobre “as coisas ruins”, sugeriu Johanna Fateman à sua nova colega de banda, Kathleen Hanna, quando as duas se juntaram em 1998, “deveríamos escrever sobre as coisas boas”. Em vez de cantar sobre encarar o abismo, como Hanna fazia no Bikini Kill, elas compuseram músicas sobre estar apaixonada, dançar a noite inteira, debater arte e andar de metrô. Em vez da formação padrão de banda de rock, usaram uma drum machine. Em vez da estética grunge do noroeste do Pacífico, adotaram roupas fluorescentes combinando. O resultado foi uma revelação riot-disco — política, mas positiva; animada, mas punk. “Queremos escrever músicas pop políticas e ser a festa dançante depois do protesto”, disse Hanna em 2019. E funcionou. —E.G.P.</p>
<h2>64º lugar: Stiff Little Fingers, ‘Inflammable Material’</h2>
<p>Enquanto algumas bandas da primeira onda punk seguiam para terrenos mais cerebrais e artísticos, o Stiff Little Fingers dobrava a aposta. Seu som era duro, cheio de vocais ásperos e letras revolucionárias — escritas em parte por Gordon Oglivie, que abandonou a carreira de jornalista para empresariar a banda, além do vocalista Jake Burns. Em músicas como “Alternative Ulster” e “Suspect Device”, o grupo aborda o complicado clima político de sua Belfast natal, na Irlanda do Norte, em meio à guerrilha e à repressão estatal do período conhecido como The Troubles. A urgência política pode ter ajudado Inflammable Material a se tornar um crossover de sucesso, mas são os momentos não paramilitares sobre a vida em tempos de guerra — apaixonar-se pela garota errada em “Barbed Wire Love” ou definhar no tédio adolescente em “Here We Are Nowhere” — que tornam o disco tão atemporal. —E.G.P.</p>
<h2>63º lugar: Screaming Females, ‘Ugly’</h2>
<p>New Jersey há muito tempo é um estado repleto de cenas punk, e New Brunswick sempre foi um de seus polos mais vibrantes. O Screaming Females cresceu nos porões de New Brunswick, desenvolvendo um som furioso e coberto de fuzz que explodia maravilhosamente ao lado do uivo “engole-o-mundo” da cantora e guitarrista Marissa Paternoster. Ugly, o quinto e melhor disco do trio, oferece uma visão expansiva e aventureira do punk. Faixas explosivas como “Extinction” e “Something Ugly” convivem com músicas que avançam em passos ameaçadores (“Expire”) ou em movimentos nervosos e inquietos (“Red Hand”). Mas o álbum está em seu auge quando o Screaming Females pesa de verdade. “Leave It All Up to Me” e a colossal “Doom 84” fazem os músculos do pescoço tensionarem e o suor escorrer do rosto. —J.B.</p>
<h2>62º lugar: Fear, ‘The Record’</h2>
<p>Essa banda hardcore de Los Angeles liderada pelo cantor e guitarrista Lee Ving já havia levado o punk às salas de estar da América profunda graças a uma infame apresentação no Saturday Night Live em 1981. O álbum de estreia do Fear cumpre a promessa perigosa daquela performance, jogando imediatamente seu niilismo insolente na sua cara com “Let’s Have a War”. Músicas como “Beef Bologna” e “We Destroy the Family” (“Steal the money/From your mother/Buy a gun”) não ganham pontos por sensibilidade; “New York’s Alright If You Like Saxophones” é uma das três maiores diss tracks do punk; e o instantâneo hino hardcore “I Don’t Care About You” resume o ethos inicial do subgênero em um refrão-haicai: “I don’t care about you/Fuck you.” —D.Fear</p>
<h2>61º lugar: Against Me!, ‘Transgender Dysphoria Blues’</h2>
<p>É preciso muita coragem para se assumir trans, essencialmente, por meio de um disco — e ninguém jamais poderia acusar Laura Jane Grace de não ter coragem. Mais importante ainda: ela escreveu um álbum explosivo com Transgender Dysphoria Blues, que deu a um grupo antes pouco reconhecido um hino com “True Trans Soul Rebel” e transformou dor, perda e amor em uma ode vibrante e de punhos erguidos à ideia de ser você mesmo, aconteça o que acontecer. Da dolorosamente doce “Two Coffins”, escrita para a filha de Grace, à abordagem devastadora da violência contra pessoas trans em “Osama Bin Laden as the Crucified Christ”, passando por “Black Me Out”, sobre expulsar falsos amigos, o sexto álbum do Against Me! (um retorno não oficial da amada banda da Flórida) prova que as credenciais punk de Grace nunca expiraram — elas apenas ficaram ainda mais legítimas. —Brenna Ehrlich</p>
<h2>60º lugar: Flipper, ‘Generic Flipper’</h2>
<p>Quando o punk ficou mais rápido e mais preciso, o eternamente contrarianista Flipper, de San Francisco, ficou mais lento e mais lodoso. Eles tinham dois vocalistas/baixistas, Bruce Lose e o falecido Will Shatter, entoando mantras existenciais de forma atonal (“Life is the only thing worth living for”), enquanto o guitarrista Ted Falconi tocava drones irritantes e desafinados. Também tinham fãs devotos, especialmente no Nirvana: Kurt Cobain usava sua camiseta caseira do Flipper em todo lugar, e Krist Novoselic chegou até a integrar a formação reunida da banda por alguns anos. Seu primeiro e melhor álbum, lançado em 1982, é uma névoa drogada e esmagadora que termina com sete minutos de “Sex Bomb”, seu encerramento de show composto por sete palavras e um único acorde. —D.W.</p>
<h2>59º lugar: Iceage, ‘New Brigade’</h2>
<p>Essa banda dinamarquesa — cujos integrantes ainda eram adolescentes quando lançaram seu impressionante álbum de estreia — vendia facas na mesa de merchandising e publicava fotos de fãs ensanguentados após os shows. Em New Brigade, o Iceage entrega um turbilhão dervixe de violência hardcore, austeridade escandinava e introspecção gótica — tudo levado além do ponto de ruptura sonora e emocional. New Brigade exalava um senso de fascínio pelo próprio caos e feiura, mas, no coração do álbum, é possível ouvir o vocalista e guitarrista Elias Bender Rønnenfelt ansiando por significado em meio ao maelstrom. “It’s a life, paranoid/You’re blessed with holy hands”, canta ele na catártica faixa de encerramento “You’re Blessed”, sua raiva implosiva alimentando uma busca espiritual. —J.D.</p>
<h2>58º lugar: Liliput/Kleenex, ‘Liliput’</h2>
<p>O LiLiPUT foi uma das bandas punk mais ferozmente originais — mulheres suíças cantando em um inglês fragmentado, em uma correria truncada de hinos avant-garde de playground e art-funk experimental. O coletivo feminista de Zurique começou se chamando Kleenex, até os advogados aparecerem, e então passou a se chamar LiLiPUT na metade da carreira. Eram espíritos afins do The Slits e do The Raincoats; Kurt Cobain listou “qualquer coisa do Kleenex” em sua famosa lista de 50 álbuns favoritos. Mas, apesar de uma grande sequência de singles pela Rough Trade — “Ain’t You”, “Split” e a irresistível “Ü” —, elas eram praticamente desconhecidas nos EUA antes de encerrarem as atividades em 1983. Esta coletânea reúne todas as suas 46 músicas, um salto anárquico que praticamente exige que você saia pulando enquanto grita: “Ain’t you wanna get it on?” —R.S.</p>
<h2>57º lugar: Gun Club, ‘Fire of Love’</h2>
<p>O The Gun Club, de Los Angeles, fundia a ferocidade suburbana do punk de L.A. com os grooves pantanosos do blues americano, enquanto o berrador texano e guitarrista slide Jeffrey Lee Pierce unia passado e presente de forma explosiva em faixas como a arrastada “Sex Beat” e a releitura em espelho quebrado de “Cool Drink of Water”, do guitarrista de blues Tommy Johnson. O álbum de estreia de 1981 tem uma produção esquelética que coloca o uivo frenético de Pierce em primeiro plano, com suas histórias de sexo, drogas e demônios retratando o submundo cada vez mais ameaçador da América e ganhando ainda mais intensidade graças à performance desgovernada de sua banda, como uma locomotiva fora de controle. —Maura Johnston</p>
<h2>56º lugar: Public Image Ltd, ‘Second Edition’</h2>
<p>Quando os Sex Pistols acabaram, Johnny Rotten voltou a usar seu nome verdadeiro, John Lydon, e formou o Public Image Ltd.. A versão britânica do segundo LP da banda se chamava Metal Box e era vendida como singles de 7 polegadas dentro de uma lata metálica; a edição americana, embalada de forma tradicional, recebeu o nome de Second Edition. Em qualquer formato, seria um dos discos mais agressivos e estranhos da sua coleção. As divagações surrealistas de Lydon em “Swan Lake”, “Careering” e “Albatross” ricocheteiam sobre as linhas de baixo derretidas e influenciadas por dub reggae de Jah Wobble e os gritos de guitarra fantasmagóricos de Keith Levene. “Hindsight does me no good”, oferece Lydon no colapso magistral “Poptones”, abandonando de vez seu antigo papel como maior astro do punk britânico. Hoje, o pós-punk revolucionário do PIL influenciou tantas bandas quanto os Pistols. —J.D.</p>
<h2>55º lugar: Operation Ivy, ‘Energy’</h2>
<p>Desde o primeiro rosnado, o único álbum de estúdio do Operation Ivy faz jus ao título, Energy. Pioneiros do som ska-punk californiano — combinando a aspereza do hardcore suburbano com os ritmos da música jamaicana de dança —, a banda influenciaria gerações de skatistas e punks, colocando o coletivo Gilman Street, de Berkeley, no mapa. Ainda assim, Energy é mais do que apenas levadas contagiosas. O guitarrista Tim Armstrong, que mais tarde fundaria o Rancid, e o vocalista Jesse Michaels escreveram músicas que abordavam filosofia (“Knowledge”), brigas internas da cena (“Unity”), consumismo (“Artificial Life”) e até colonialismo (“Missionary”) — mostrando aos adolescentes que eles podiam bater cabeça e pensar por si mesmos. —E.G.P.</p>
<h2>54º lugar: The Cramps, ‘Songs the Lord Taught Us’</h2>
<p>Quando Songs the Lord Taught Us caiu no mundo em 1980 com um estrondo, ele funcionou quase como um teste de Rorschach: claro, havia os céticos horrorizados com versos como “I use your eyeballs for dials on my TV set”, mas também existiam legiões de desajustados em êxtase com a forma como a mistura de exagero camp, obscenidade e prazeres violentos da banda brincava com a ortodoxia punk em um espírito descaradamente inspirado em filmes B. Felizmente, foi essa segunda visão que prevaleceu. Embora o álbum tenha sido marcado por um processo de gravação notoriamente difícil, comandado pelo temperamental ícone do rock Alex Chilton, ele permanece como prova do talento do The Cramps — e do amor e química eternos entre Poison Ivy e Lux Interior — além da intuição e imaginação que marcaram toda a carreira do grupo. —J.L.</p>
<h2>53º lugar: Devo, ‘Q: Are We Not Men? A: We Are Devo’</h2>
<p>O Devo surgiu de Akron, Ohio, com um monte de músicas bizarramente divertidas que tratavam a hilariante imbecilidade da existência americana moderna sob o capitalismo tardio como uma piada cósmica interna. Formada por amigos de faculdade no começo dos anos 1970, a banda acelerou seu som depois de ouvir punk rock para criar seu álbum de estreia histórico. Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! tem algo estranho a dizer sobre sexo (“Uncontrollable Urge”), religião (“Praying Hands”), masculinidade (“Mongoloid”), utopismo tecnológico (“Space Junk”) e muito mais, tudo embalado em um som tenso, metálico e estranhamente jovial, que fazia o evangelho da “des-evolução” parecer muito mais divertido do que qualquer coisa que os outros jovens da América profunda ouviam em seus carros. —J.D.</p>
<h2>52º lugar: The Pogues, ‘Rum Sodomy & the Lash’</h2>
<p>O The Pogues explodiu em Londres nos anos 1980, atropelando a música folk irlandesa com o espírito turbulento dos Sex Pistols e do The Clash. “Todos nós éramos apaixonados por punk”, disse o cantor, poeta e canalha Shane MacGowan à Rolling Stone em 1985. “E, quando você ouve e gosta daquela energia, não consegue mais voltar a ser relaxado.” Crescendo em Londres como filhos de imigrantes irlandeses, desprezados pelos ingleses como estrangeiros, eles infundiram seu ataque punk com o som da diáspora celta, cheio de acordeão e tin whistle. Rum Sodomy & the Lash reúne suas histórias mais duras e decadentes, com MacGowan rosnando “The Sick Bed of Cuchulain” em seu glorioso vocal rachado e cuspido. —R.S.</p>
<h2>51º lugar: Rancid, ‘…And Out Come the Wolves’</h2>
<p>Os guerreiros da estrada da Bay Area do Rancid surgiram a partir da cultuada banda ska-punk Operation Ivy no começo dos anos 1990. Quando o segundo álbum da banda, certificado com platina, saiu em 1995, o punk rock americano já havia sido perfeitamente codificado como revivalismo de 1977 — dos moicanos às botas militares —, e os co-vocalistas Tim Armstrong e Lars Frederiksen raramente fugiam da doutrina do primeiro álbum do The Clash. Mas eles traziam um entusiasmo inesgotável aos seus refrões de pulseiras com spikes erguidas no ar e sempre mantinham à vista as curiosas conexões do punk com a música jamaicana: os hits “Roots Radicals” e “Ruby Soho” são basicamente músicas rocksteady usando calças bondage. —D.W.</p>
<h2>50º lugar: Circle Jerks, ‘Group Sex!’</h2>
<p>Em 1980, não havia muitas bandas colocando 14 músicas em um álbum de 16 minutos. “Na verdade, estávamos preocupados que as pessoas achassem que estavam sendo enganadas”, disse o guitarrista Greg Hetson ao Riot Fest em 2020. O Circle Jerks não tinha com o que se preocupar. O grupo foi formado apenas alguns meses antes do lançamento do LP, quando o vocalista Keith Morris abandonou o Black Flag em um acesso de raiva, mas a energia feroz de músicas como “World Up My Ass” e “Live Fast Die Young” atingiu em cheio a crescente cena hardcore do sul da Califórnia. Também ajudou o fato de eles terem acabado de fazer uma aparição memorável em The Decline of Western Civilization, documentário independente de Penelope Spheeris sobre a cena punk de Los Angeles que imediatamente conquistou status cult. “Aquilo foi nosso cartão de visitas”, disse Morris mais tarde. “É isso que somos, é isso que fazemos, aceite ou caia fora.” —E.G.P.</p>
<h2>49º lugar: The Modern Lovers, ‘The Modern Lovers’</h2>
<p>Quão proféticos eram os The Modern Lovers? Seu álbum de estreia ficou engavetado por quatro anos antes de finalmente sair, em 1976 — e, ainda assim, permanecia à frente de seu tempo, mapeando o clamor cru do proto-punk primordial. Jonathan Richman era um garoto comum dos bairros suburbanos nada tão perigosos de Boston, obcecado pelo The Velvet Underground. Mas ele tinha seu próprio estilo de carisma nerd, o que o transformou em um anti-herói para corações solitários, esquisitos e desajustados desde então. Ele defendia o romance e a comida saudável, enquanto atacava drogas e machismo, de “She Cracked” a “Pablo Picasso”. E “Roadrunner” é sua eterna ode a dirigir pela Route 128, com o rádio ligado e o baterista acelerando cada vez mais por hora. —R.S.</p>
<h2>48º lugar: Team Dresch, ‘Personal Best’</h2>
<p>Os rebeldes queercore do noroeste do Pacífico do Team Dresch eram uma força imparável. A roqueira de Olympia Donna Dresch tocou guitarra no Dinosaur Jr., Screaming Trees e Fifth Column, além de publicar sua zine feminista punk Chainsaw, antes de formar esse supergrupo DIY lésbico. Personal Best é um retrato vividamente real da juventude queer em músicas como “Fake Fight”, “She’s Crushing My Mind” e “Fagetarian and Dyke”, que confessa: “I spent the last 10 days of my life ripping off the Smiths.” O Team Dresch ainda se reúne para shows devastadores. “Você nunca consegue escapar do som de uma mulher que te ama”, disse Kaia Wilson certa vez. “Essa é a nossa banda. Nossa banda é a mulher que nos ama.” —R.S.</p>
<h2>47º lugar: The Fall, ‘Hex Enduction Hour’</h2>
<p>Mark E. Smith era o bardo punk da discórdia cáustica e, ao longo dos 40 anos de história de sua banda de Manchester, o The Fall ganhou e perdeu tantos integrantes que alguém chegou a escrever um livro sobre isso. A composição sonora da banda também sofreu enormes mutações ao longo dos anos, sempre com Smith no centro, berrando imprecações bizarras para as paredes e/ou para a lua como um rei louco em uma torre tomada por cupins. Hex Enduction Hour é a culminação da fase inicial do Fall, com grooves impulsionados por dois bateristas sustentando guitarras inclinadas que explodem como estampidos de pistola, enquanto as linhas de baixo carregam riffs circulares morro acima em terreno acidentado. E, deixando a música de lado, já existiu refrão mais puramente punk do que “Hey fuckface”? —M.M.</p>
<h2>46º lugar: Yeah Yeah Yeahs, ‘Fever to Tell’</h2>
<p>“Eu vou começar, vou começar tudo”, declara Karen O em “Date With the Night”, enquanto o guitarrista Nick Zinner e o baterista Brian Chase conduzem seus instrumentos com urgência ao redor dos vocais serpenteantes e uivantes dela. Embora todo mundo na época tenha, justificadamente, se apaixonado pela magnética Karen O, é a química irresistível da banda que define grande parte da estreia incendiária do art-punk nova-iorquino do Yeah Yeah Yeahs, do blueseiro “Black Tongue” ao abrasador e empoderador “Y Control”, passando por “No No No”, com mais de cinco minutos e um final experimental selvagem. E, claro, a inesquecível balada “Maps” continua ecoando como um dos standards pop mais improváveis deste século. —A.L.</p>
<h2>45º lugar: Bad Religion, ‘Against the Grain’</h2>
<p>“As pessoas dizem: ‘Ah, eram só um monte de garotos suburbanos se rebelando contra nada’”, disse certa vez Jay Bentley, baixista fundador do Bad Religion. “Bem, era exatamente isso. Nada estava acontecendo.” A banda californiana transformou esse tédio em fúria estudando — o vocalista Greg Graffin possui doutorado em zoologia — e colocou esse conhecimento no centro do jubiloso barulho do Bad Religion. Como apontou o falecido crítico musical Jonathan Gold, a erudição coloquial de Graffin tinha mais em comum com um herói folk como Pete Seeger do que com um berrador hardcore como Henry Rollins, mesmo quando cantava versos como: “I’m so tired of all the fucked-up minds/Of all the terrorist religions and their bullshit lies.” —M.M.</p>
<h2>44º lugar: The Slits, ‘Cut’</h2>
<p>O The Slits seguiu os passos de Patti Smith ao definir o punk como feminista. E, assim como suas companheiras britânicas do The Raincoats, fizeram isso não apenas formando uma banda exclusivamente feminina, mas criando uma música que devia pouco aos dogmas masculinos do punk. Conduzido pela estranha e cortante entonação de Ari Up sobre ritmos dub pesados moldados pelo gigante da produção reggae Dennis Bovell, Cut não soava como nada mais. As músicas lidam com autodeterminação (“Instant Hit”, posteriormente sampleada por Lauryn Hill), socialismo faça-você-mesmo (“Shoplifting”) e drogas (a percussão feita com colher caída em “Newton” é um retrato de dependência tão perturbador quanto “Heroin”, de Lou Reed). Em suas memórias, a guitarrista Viv Albertine relembra: “Não tínhamos dúvida de que o Slits era grandioso e ia mudar o mundo.” E mudou. —W.H.</p>
<h2>43º lugar: Johnny Thunders and the Heartbreakers, ‘L.A.M.F.’</h2>
<p>Um ápice do rock lixo nova-iorquino movido a drogas e saído diretamente do esgoto, o único álbum de Johnny Thunders and the Heartbreakers é uma obra-prima do desespero autodestrutivo. Depois de abandonar os pioneiros glam-punk New York Dolls no meio de uma turnê, o guitarrista Johnny Thunders e o baterista Jerry Nolan retornaram à Big Apple e imediatamente montaram os Heartbreakers ao lado do recém-desligado guitarrista do Television, Richard Hell. A banda tocava canções de amor apaixonadas no estilo dos anos 1950 com abandono alto e desleixado, mas L.A.M.F. (“like a motherfucker”) se tornou um clássico punk graças ao seu lado mais sórdido: temas de desilusão com a cidade (“Born to Lose”), desilusão com dinheiro (“It’s Not Enough”) e desilusão com heroína (a “Chinese Rocks”, escrita por Dee Dee Ramone). —C.W.</p>
<h2>42º lugar: Mannequin Pussy, ‘Patience’</h2>
<p>Quando Marisa Dabice, do Mannequin Pussy, berrou “I still love you, you stupid fuck!” no excelente disco de ascensão da banda, Patience, ela entrou para o cânone das músicas punk furiosas sobre coração partido e beber para esquecer — mesmo sem querer. “Senti que aquilo era quase uma música do Lady Antebellum depois que escrevi… ou até das The Chicks”, disse Dabice à Rolling Stone sobre “Drunk II”. Isso representa perfeitamente o Mannequin Pussy, que surgiu em disparada da efervescente cena underground da Filadélfia com melodias pop-rock ásperas e imperfeitas. Em um segundo, estão cuspindo gritos incendiários; no outro, canalizam a ternura do country — e tudo é glorioso. —M.G.</p>
<h2>41º lugar: Rites of Spring, ‘Rites of Spring’</h2>
<p>O Rites of Spring teve vida curta, mas sua única entrada em formato full-length na história do punk continua tendo enorme força. Gravado no templo hardcore de Washington, D.C., Inner Ear Studios, em fevereiro de 1985, o projeto contou com Mike Hampton, do State of Alert, e Ian MacKaye como produtores, capturando o turbilhão de melodia, coragem e sentimentos do LP. O vocalista Guy Picciotto, então com apenas 19 anos, gravou todas as músicas em um único take — provavelmente por isso a intensidade gutural de “For Want Of” e “In Silence/Words Away” soa como algo que só poderia acontecer uma vez. MacKaye, Picciotto e o baterista Brendan Canty seguiriam para formar o Fugazi, mas Rites of Spring permanece como um álbum fundamental que inspirou uma geração de bandas emo e post-hardcore. —J.L.</p>
<h2>40º lugar: The Wipers, ‘Is This Real?’</h2>
<p>“Aprendemos tudo com o Wipers”, disse Kurt Cobain, do Nirvana, sobre esse trio absurdamente influente de Portland, Oregon — os primeiros agitadores punk do extremo noroeste americano a usar camisa de flanela. Em seu álbum de estreia de 1980, Is This Real?, o cantor e guitarrista Greg Sage soa como se estivesse tentando berrar para escapar do vazio existencial — alienado e atormentado, mas também singularmente questionador consigo mesmo. “I always try to wonder how it must feel to be real”, ele canta em “Mystery”. O ataque nebuloso e turbulento de guitarras da banda em músicas como “Up Front” e “Return of the Rat” deu à sua angústia uma intensidade eletrizante e desenfreada, que se tornaria o molde para a cena grunge do extremo noroeste americano uma década e meia depois. —J.D.</p>
<h2>39º lugar: Turnstile, ‘Glow On’</h2>
<p>O Turnstile já tinha uma posição sólida no hardcore em 2021, mas seu álbum de ascensão indicado ao Grammy Awards dobrou, quebrou e reformulou o que o gênero poderia ser nos anos 2020, injetando elementos de pop, funk e samba em uma cena fortemente protegida por gatekeepers. A banda de Baltimore — surgida do igualmente inventivo Trapped Under Ice — teceu paisagens sonoras ricas em faixas como “Mystery” e “Underwater Boy”, sem abrir mão do peso brutal (veja “Blackout” e “Holiday”). Depois que o disco saiu, em 2021, o hardcore pareceu explodir, acumulando novos fãs, dando origem a bandas cada vez mais inventivas e se tornando um dos espaços mais autênticos da música atual. E o Turnstile só continuou evoluindo. —B.E.</p>
<h2>38º lugar: Richard Hell and the Voidoids, ‘Blank Generation’</h2>
<p>Assim como Marquee Moon, do Television, grupo que Richard Hell ajudou a fundar, Blank Generation foi o ápice de anos de lapidação proto-punk. Sua nova banda recrutou Robert Quine, um fanático pelo The Velvet Underground cujo estilo de guitarra espetacularmente irregular superava em agressividade punk o de Tom Verlaine, do Television. (Quine mais tarde gravaria discos igualmente grandiosos com Lou Reed.) A estreia dos Richard Hell and the Voidoids trouxe ferozes canções antiamor como “Betrayal Take Two” e “Love Comes in Spurts”. Mas a icônica e inesquecível faixa-título talvez seja o manifesto definitivo do punk — um movimento que Hell ajudou a inventar tanto quanto qualquer outro nome desta lista. —W.H.</p>
<h2>37º lugar: The Jam, ‘All Mod Cons’</h2>
<p>Autoproclamado “Cappuccino Kid”, Paul Weller, do The Jam, canalizou o fervor punk em um revival mod inspirado pelo The Kinks e pelo The Who. O trio unido como unha e carne era inglês demais para causar impacto nos Estados Unidos na época, mas articulou a raiva da classe trabalhadora de sua geração em hits britânicos como “In the City”. Weller teve seu grande avanço no terceiro álbum da banda, All Mod Cons, ainda saindo da adolescência. O disco é um retrato da vida londrina, de “‘A’ Bomb in Wardour Street” a uma excelente releitura de “David Watts”, dos Kinks. “Down in the Tube Station at Midnight” mira os punks de direita, em uma história de violência racista que continua assombrando muito depois do fim do disco. —R.S.</p>
<h2>36º lugar: Bratmobile, ‘Pottymouth’</h2>
<p>Rápido, efervescente e brutal, o álbum de estreia do trio de Olympia, Washington, Bratmobile é um clássico riot grrrl. A cantora Allison Wolfe e a baterista Molly Neuman publicavam a zine pioneira Girl Germs, título que transformaram em um canto de playground em uma de suas melhores músicas. Impulsionado pela guitarra surf-punk frenética de Erin Smith, o único LP completo da banda era político e pop ao mesmo tempo, sedutor e cáustico, condensando muita coisa em menos de 30 minutos — de uma versão debochada de “Cherry Bomb”, das The Runaways, ao vitriólico “Fuck Yr Fans” e “P.R.D.C.T.”, um olhar sóbrio sobre idiotas abusivos. O título bobo de Pottymouth esconde um disco que golpeia forte o bastante para deixar seus ouvidos zunindo. —B.E.</p>
<h2>35º lugar: The Misfits, ‘Misfits’</h2>
<p>Como em qualquer grande filme slasher, quase ninguém sai vivo do Misfits. E, se sai, fica marcado para sempre. Tem Patty Hearst, “machine gun in her hand”, em “She”, e John F. Kennedy em “Bullet”, lembrando que “Texas is the reason that the president’s dead”. Depois vêm todas as cenas sangrentas tiradas de alguma revista de monstros: “Vampira”, “Astro Zombies”, “I Turned Into a Martian”, “Die Die My Darling”. Não existe uma compilação perfeita do Misfits, mas esse apanhado de singles e faixas obscuras lançado em 1986 pela banda mais sanguinária do punk (geralmente chamado de Collection) chega o mais perto possível graças a “Where Eagles Dare” (“I ain’t no goddamn sunuvabitch!”), à favorita do Metallica “Green Hell” e à obra-prima do Misfits, “Horror Business”. Não entre no banheiro com Glenn. —K.G.</p>
<h2>34º lugar: Various Artists, ‘Wanna Buy a Bridge?’</h2>
<p>Coletâneas de gravadora raramente entram para o hall da fama, mas esta compilação de 1980 dos singles da poderosa independente britânica Rough Trade (de seu então recém-criado braço americano) é extraordinária por mérito próprio. Ela começa com uma explosão: “Alternative Ulster”, do Stiff Little Fingers, e depois percorre as cenas nas quais o punk havia se fragmentado: o koan noise-funk astuto “Mind Your Own Business”, do Delta 5; o minimalismo assombroso de “Final Day”, do Young Marble Giants; e o colosso industrial “Nag Nag Nag”, do Cabaret Voltaire. Seis das 14 bandas têm mulheres como vocalistas (ou são inteiramente formadas por mulheres); e, ao final, até a lenta versão de Robert Wyatt para uma música do Chic cospe fogo político e musical. —D.W.</p>
<h2>33º lugar: Velvet Underground, ‘White Light/White Heat’</h2>
<p>Podemos discutir o dia inteiro qual é o melhor álbum do The Velvet Underground, mas o segundo disco deles, White Light/White Heat, é definitivamente seu testamento proto-punk, elevando a agressividade urbana ao máximo. O Velvet gravou o disco nos sufocantes dias de verão nova-iorquinos de 1967, mas soa a milhões de quilômetros do Summer of Love. O álbum culmina em “Sister Ray”, 17 minutos de feedback extasiado — as guitarras de Lou Reed e Sterling Morrison, o órgão enlouquecido de John Cale e a bateria primitiva de Maureen Tucker. Perto do fim da vida, Reed chamou White Light/White Heat de “a Estátua da Liberdade do punk, com a luz acesa no topo”. Que a liberdade ecoe. —R.S.</p>
<h2>32º lugar: Big Black, ‘Atomizer’</h2>
<p>Liderados pelo futuro produtor requisitadíssimo Steve Albini, os titãs noise rock de Chicago do Big Black estabeleceram um novo padrão de selvageria guitarrística em seu álbum de estreia. Sustentadas por uma drum machine implacável como um trem desgovernado, as guitarras parecem prontas para triturar e liquefazer tudo. Ainda assim, o mais impressionante é o quão pegajosos são seus riffs violentamente distorcidos. Hoje, os temas das músicas de Albini muitas vezes soam como uma versão da era das zines do clickbait (mais notoriamente “Jordan, Minn.”, sobre um escândalo de abuso infantil que se revelou falso), mas destaques como a fantasia incendiária suburbana “Kerosene” (mais tarde regravada por St. Vincent) são tentativas genuínas de lidar com a feiura da vida real. Atomizer continua aterrorizando décadas depois. —J.G.</p>
<h2>31º lugar: Joy Division, ‘Unknown Pleasures’</h2>
<p>Bandas punk gostam de mencionar alienação, mas nenhuma jamais a manifestou de forma tão assustadora quanto o Joy Division. Em seu álbum de estreia, o produtor Martin Hannett isolou os sons como se cada integrante estivesse sozinho em sua própria câmara frigorífica. O vocalista Ian Curtis, com seu barítono de sirene marítima, cantava sobre dor e ausência de prazer, sobre “sentir” como algo perdido ou suportado, sobre “blood sport” e “acting out your own death”. Ainda assim, havia beleza em sua voz lamentosa e no tilintar prateado da música. Curtis se enforcou menos de um ano após o lançamento do LP, aprofundando ainda mais o impacto dessa obra, que definiria o pós-punk, lançaria uma geração de góticos e talvez permaneça como o álbum mais corajoso do punk. —W.H.</p>
<h2>30º lugar: Fugazi, ‘Repeater’</h2>
<p>Um verdadeiro supergrupo de Washington, D.C., o Fugazi uniu o cofundador da Dischord Records e vocalista do Minor Threat, Ian MacKaye, ao cantor e guitarrista Guy Picciotto, ao baterista Brendan Canty, dos pioneiros emo Rites of Spring, e ao baixista Joe Lally. Depois de dois EPs expansivos, a banda encontrou um som enxuto e absurdamente influente nessa estreia explosiva. As melodias são reduzidas a gritos de alarme (“Repeater”) e acordes grossos e arrebatadores (“Turnover”). Picciotto pondera sobre o poder da palavra “não” em “Blueprint”, e o baterista também ganha destaque na instrumental “Brendan No. 1”. MacKaye rosna contra a “Greed” e “Merchandise”, mas encerra o álbum com “Shut the Door”, uma narrativa econômica sobre uma morte por overdose que se tornou épica nos palcos. —J.G.</p>
<h2>29º lugar: Replacements, ‘Sorry Ma, Forgot to Take Out the Trash’</h2>
<p>Desde o começo, o The Replacements tinha seu próprio som insolente, com o poeta residente Paul Westerberg crocitando sobre bebida e desespero por cima do autoproclamado “power trash” da banda. O baixista Tommy Stinson ainda estava na nona série quando os ‘Mats explodiram vindos de Minneapolis com essa estreia hardcore veloz, acelerando por acessos cômicos de raiva como “Raised in the City” e “Shiftless When Idle”. (Segundo as notas do encarte, “Kick Your Door Down” foi “escrita 20 minutos depois de gravarmos ela”.) “Johnny’s Gonna Die” oferecia um elogio fúnebre surpreendentemente blueseiro e resignado para o junkie Johnny Thunders, alguns anos antes de sua morte. Os garotos seguiriam para glórias ainda maiores, com Let It Be e Tim, mas é em Sorry Ma, Forgot to Take Out the Trash que a lenda deles começa. —R.S.</p>
<h2>28º lugar: The Germs, ‘(GI)’</h2>
<p>Muitos punks de Los Angeles de certa idade têm uma “queimadura Germs”: uma queimadura circular de cigarro que só podia ser feita por um integrante da banda ou por alguém que já tivesse uma. O Germs completou apenas um álbum — (GI), produzido por Joan Jett em 1979 — antes de o vocalista/provocador/gênio lírico Darby Crash tirar a própria vida (um dia antes da morte de John Lennon). Mas, depois do hilariamente desleixado single de estreia “Forming”, eles se tornaram algo digno de ser marcado na pele: os principais art-punks da Costa Oeste, rápidos, estranhos e completamente fora de controle, impulsionados pelo guitarrista Pat Smear, que depois tocaria com o Nirvana e entraria para o Foo Fighters. —D.W.</p>
<h2>27º lugar: Pere Ubu, ‘Terminal Tower: An Archival Collection’</h2>
<p>Gravada em 1975, “Heart of Darkness” está entre as grandes salvas de abertura do punk, nascida não em Nova York ou Londres, mas, de todos os lugares possíveis, em Cleveland. “I don’t see anything that I want!”, berrava David Thomas sobre a guitarra estrangulada de Peter Laughner. Laughner morreria dois anos depois, aos 24 anos, enquanto Thomas e companhia seguiriam em frente como uma das bandas pós-punk mais intransigentes dos Estados Unidos. Mas essa coletânea de singles iniciais e lados B, incluindo o assustadoramente hino “Final Solution” — com mais brilhantismo guitarrístico de Laughner — é noir profundo do coração dos EUA, antecipando espiritualmente Hüsker Dü, os The Replacements e até Bruce Springsteen em Nebraska. —W.H.</p>
<h2>26º lugar: Ramones, ‘Rocket to Russia’</h2>
<p>No verão de 1977, o Ramones lançou “Sheena Is a Punk Rocker”, a história de uma garota fugindo para Nova York para viver o sonho do CBGB. É a melhor música já escrita sobre o poder libertador do punk rock, e o terceiro álbum dos Ramones cumpriu essa promessa com o disco mais divertido e absurdamente pegajoso da banda — cheio de hinos mutantes como “Teenage Lobotomy” e “Cretin Hop”, surf rock para usuários de metrô como “Rockaway Beach” e a versão deles para “Surfin’ Bird”, dos The Trashmen, além de hinos de coração exposto como “I Wanna Be Well” e “Here Today, Gone Tomorrow”. Rocket to Russia não tinha músicas sobre bater em pirralhos ou cheirar cola. Foi o álbum que provou que os Ramones conseguiam despejar canções de abraço ao mundo capazes de ascender ao paraíso pop. —J.D.</p>
<h2>25º lugar: The Raincoats, ‘The Raincoats’</h2>
<p>O primeiro álbum completo do quarteto inglês The Raincoats canaliza o espírito sem regras do punk em explosões elípticas e eufóricas de alegria. A versão improvisada de “Lola”, dos The Kinks, captura a euforia de gênero fluido da música original, enquanto a truncada “Life on the Line” transmite a sensação de viver à beira do abismo com uma compaixão rachada. Relançado em 1993 com o single de estreia “Fairytale in the Supermarket” abrindo o disco, The Raincoats ainda soa fresco — algo que pode ser atribuído à formação nada ortodoxa do grupo (graças ao violino de Vicky Aspinall e aos ocasionais guinchos de saxofone). Mas sua grandeza está ainda mais enraizada em uma visão de mundo que encara “No one teaches you how to live” (“Ninguém te ensina a viver”), de “Supermarket”, como um desafio em vez de um lamento. —M.J.</p>
<h2>24º lugar: Mission of Burma, ‘Vs.’</h2>
<p>“Acho que somos apenas uma banda de rock progressivo enrustida que aconteceu durante o punk”, disse certa vez Clint Conley, do Mission of Burma. A banda vanguardista de Boston foi pioneira em um ataque artístico com seu single DIY de estreia de 1980, “Academy Fight Song”, incorporando psicodelia e loops de fita enquanto misturava Syd Barrett e John Coltrane aos The Stooges. Vs. foi sua bomba abrasivamente complexa, um disco para ouvir de fones que realmente explode: “That’s How I Escaped My Certain Fate” e “Deadpool”, ambas furiosas composições de Conley; o transe pulsante de guitarra “Trem Two”, de Roger Miller; e a incendiária “Learn How”, do baterista Peter Prescott. O Burma acabou cedo demais, em 1983, quando Miller sofreu danos auditivos, mas retornou nos anos 2000 — ainda à frente de seu tempo. —R.S.</p>
<h2>23º lugar: The Descendents, ‘Milo Goes to College’</h2>
<p>Testosterona e cafeína são drogas poderosas, e o álbum de 1982 que os Descendents achavam que seria seu primeiro e último (já que o vocalista Milo Aukerman estava indo para a faculdade) é alimentado por ambas. Milo Goes to College é um documento enlouquecido da indignação adolescente imatura; os quatro compositores colocam enorme vigor em insistir no que eles não são (“losers”, punks falsos, escravos dos impulsos sexuais que os machucam e confundem). Mas, entre os acordes de Frank Navetta, os floreios de bateria em velocidade octuplicada de Bill Stevenson e o baixo melódico ultracativante de Tony Lombardo, Milo inventou o pop-punk como ele permaneceu nas últimas três décadas e mais um pouco. —D.W.</p>
<h2>22º lugar: Minor Threat, ‘Complete Discography’</h2>
<p>Musical, conceitual e ideologicamente, os adolescentes certinhos de Washington, D.C., do Minor Threat eram o mais puro que existia. As três fases de seus três anos de existência estão todas aqui: os precisos discursos furiosos de quatro acordes a bilhões de quilômetros por hora de 1981, os arranjos mais pesados e a carga emocional mais intensa do álbum Out of Step e o brutalmente belo adeus ao público e à juventude do EP final. O vocalista Ian MacKaye (mais tarde do Fugazi) e o baterista Jeff Nelson fundaram a Dischord; o baixista Brian Baker depois entraria para o Bad Religion. A cena hardcore punk que eles dominaram, e o movimento straight edge inspirado por MacKaye, os veneram até hoje. —D.W.</p>
<h2>21º lugar: Television, ‘Marquee Moon’</h2>
<p>Em 1974, quase todas as bandas de rock tinham cabelo comprido, se vestiam de forma extravagante e tocavam ritmos fluidos baseados em blues. O Television rejeitou conscientemente essas regras: suas guitarras evocavam traços de caneta-tinteiro, não lava lamps. Depois de ajudar a construir o palco do lendário CBGB, o quarteto do herói da guitarra Tom Verlaine conquistaria um público cult nos anos seguintes. O álbum de estreia da banda, de 1977, captura seus arranjos mecânicos e guitarras voltadas para o céu em seu auge — austero, eletrizante, cheio de contrastes e pontuado pela poesia oblíqua de Verlaine (“I was listening, listening to the rain/I was hearing, hearing something else”). Herói secreto: Fred Smith, cujo baixo é a definição de “menos é mais”. —M.M.</p>
<h2>20º lugar: Green Day, ‘Dookie’</h2>
<p>O lançamento de estreia de uma grande gravadora do Green Day explodiu entre os adolescentes dos Estados Unidos após a morte de Kurt Cobain como um alívio doce e maníaco. Dookie era um paradoxo irresistível: 14 músicas sobre desespero avassalador detonadas com um entusiasmo à la The Who e uma construção pop precisa para o rádio, feitas por um trio mergulhado nos ideais do punk independente. O álbum era o “diário sobre como era”, disse o cantor, guitarrista e compositor Billie Joe Armstrong em 2014, “viver como um garoto de rua” — desesperado por conexão emocional em “She” e “When I Come Around”, frustrado em nível atômico em “Longview”. Brutalmente franco e delirantemente rápido, Dookie concluiu o trabalho iniciado pelo primeiro álbum dos Ramones — colocou o punk no mainstream de uma vez por todas. —D. Fricke</p>
<h2>19º lugar: Bikini Kill, ‘Reject All American’</h2>
<p>Os primeiros lançamentos do Bikini Kill eram definidos pelos vocais descontrolados de Kathleen Hanna — mensagens contra pais abusivos e trabalhadores de parque de diversões assustadores, odes gritadas para as garotas duronas que ela amava. Mas Reject All American deu um enorme salto em termos de melodia, arranjo e virtuosismo instrumental, alinhando-se mais aos colegas de selo do Sleater-Kinney do que ao trabalho anterior do grupo. Claro, há a faixa de abertura “Statement of Vindication”, que fisga o ouvinte com uma cantiga infantil berrada. Mas quando Hanna volta sua atenção para o luto em músicas como “R.I.P.” — ela havia perdido vários amigos por overdose e suicídio em sequência, incluindo Kurt Cobain — a banda se afastou da distorção para mostrar às riot grrrls de todos os lugares que elas não precisavam depender dos mesmos três acordes. —E.G.P.</p>
<h2>18º lugar: Buzzcocks, ‘Singles Going Steady’</h2>
<p>A eterna pergunta: “Já se apaixonou por alguém por quem não deveria ter se apaixonado?” Pete Shelley, o bardo dos Buzzcocks, parecia sofrer essa crise seis ou sete vezes por música. Esses garotos de Manchester foram os criadores do pop-punk, numa época em que violar essas fronteiras ainda era um tabu. Eles se especializaram em joias incrivelmente pegajosas de três minutos sobre angústia hormonal, de “Orgasm Addict” a “Ever Fallen in Love?” e a madura canção de separação “Oh Shit!”. Shelley documentava o desejo queer no underground — nem mesmo os punks estavam prontos para isso. Mas esta coletânea perfeita de grandes sucessos de 1979 continua sendo a fonte primordial do pop-punk. —R.S.</p>
<h2>17º lugar: Bad Brains, ‘Bad Brains’</h2>
<p>A banda negra rastafári de jazz fusion de Washington, D.C., Mind Power se apaixonou pelo punk rock, mudou o nome para Bad Brains em homenagem a uma música dos Ramones e decidiu tocar ainda mais rápido e pesado. O álbum de estreia deles, Bad Brains, só apareceu em 1982 — e apenas em fita cassete — mas eles já eram heróis da cena punk da Costa Leste graças às performances incendiárias ao vivo e ao single aterrorizantemente rápido “Pay to Cum!”, de 1979 (regravado aqui). E eles se recusavam a se conformar às expectativas de qualquer pessoa: as faixas frenéticas de hardcore do álbum (“Sailin’ On”, “Banned in D.C.”) são interrompidas por interlúdios viajantes de dub e reggae. —D.W.</p>
<h2>16º lugar: Gang of Four, ‘Entertainment!’</h2>
<p>“A luta da guerrilha é um novo entretenimento”, declarou o cantor Jon King com uma entonação mordaz em “5:45”, um tratado profético sobre telejornais presente no disco mais ritmicamente cinético e politicamente incisivo da era de ouro do punk britânico. Sob as camadas marxistas, o Gang of Four era uma força genuinamente revolucionária em sua busca por justiça da classe trabalhadora através de nós apertados de funk raivoso (“Not Great Men”) e sincopações disco vingativas (“At Home He Feels Like a Tourist”), cortadas pela guitarra sem blues de Andy Gill. Fundindo verdadeiramente James Brown e o hip-hop inicial com o minimalismo em tópicos dos Ramones, o Gang of Four foi o Rage Against the Machine uma década antes da hora. —D. Fricke</p>
<h2>15º lugar: New York Dolls, ‘New York Dolls’</h2>
<p>Os New York Dolls não duraram muito: lançaram dois álbuns nos anos 1970 cheios de guitarras andróginas e obcecadas por sexo, depois implodiram. Mas foi tudo de que precisaram para ajudar a inventar o punk. Esses caras adoravam se vestir e posar como garotas más — como o cantor David Johansen se gabou à Rolling Stone em 1972: “Gostamos de parecer ter 16 anos e estar completamente entediados.” O álbum de estreia deles estava cheio de hinos gutter-glam como “Personality Crisis”, “Trash” e “Looking for a Kiss”, com Johansen desfilando sua arrogância de jet-boy sobre a guitarra maníaca e embolada de Johnny Thunders. Os Dolls inspiraram bandas mais jovens que queriam ser como eles — os Ramones, The Clash, Sex Pistols — mas sua música continua sendo uma trilha sonora atemporal para se produzir e causar confusão. —R.S.</p>
<h2>14º lugar: X, ‘Los Angeles’</h2>
<p>O X sempre foi artístico demais para se encaixar na cena hardcore de Los Angeles: os cantores John Doe e Exene Cervenka se conheceram em um workshop de poesia beatnik. Eles também eram casados, o tabu supremo em um ambiente tão movido pelo “mate seus ídolos”. Mas o X teve uma sequência impecável de quatro álbuns no começo dos anos 1980 — Wild Gift é praticamente o Rumours do punk. Eles começaram com este debut cru, em que Doe e Cervenka berram sobre o thrashabilly maníaco do guitarrista Billy Zoom e do baterista D.J. Bonebrake. A Los Angeles deles é uma cidade cheia de psicopatas assustadores, racistas, viciados violentos, fracassados — mas eles a chamam de lar. Tudo termina com a música-tema da banda: “The World’s a Mess, It’s In My Kiss.” Ray Manzarek, do The Doors, produziu o álbum; o X prestou homenagem com uma versão de “Soul Kitchen” que teria assustado Jim Morrison para fora da cidade. —R.S.</p>
<h2>13º lugar: Hüsker Dü, ‘Zen Arcade’</h2>
<p>O trio de Minnesota Hüsker Dü quebrou todas as regras do hardcore com esta obra-prima de 1984, explodindo as mentes moicanas por toda a América. Numa época em que ainda era controverso aprender um quarto acorde, eles lançaram um álbum conceitual duplo em vinil, contando a história de um jovem fugindo de um lar destruído e tentando sobreviver na cidade. Bob Mould e Grant Hart alternavam vocais cuspidos e rosnados em explosões emocionalmente brutais como “Whatever” e “Something I Learned Today”, mas a música se expandia para efeitos psicodélicos de fita invertida, piano e a fúria folk acústica de “Never Talking to You Again”, além do instrumental final de 14 minutos cheio de feedback, “Reoccurring Dreams”. Os Hüskers alcançariam alturas mais pop com New Day Rising e Flip Your Wig, mas este é o triunfo punk deles. —R.S.</p>
<h2>12º lugar: Patti Smith, ‘Horses’</h2>
<p>O punk ainda estava em seus primeiros dias quando a poeta do centro de Nova York Patti Smith lançou Horses em 1975, mas ela virou todo o conceito do movimento do avesso com seu debut. As imagens cortantes e a paixão visceral das letras dão fogo a Horses; a beleza do disco é ainda mais ampliada pela dinâmica de atração e repulsão entre ela e sua banda, que combina a destreza solta de um grupo de bar madrugada adentro com a fúria rosnante de qualquer conjunto cheio de alfinetes de segurança. A postura desafiadora de Smith na capa ecoa ao longo do álbum, com faixas como sua reinvenção esfarrapada de “Gloria”, do Them, e “Land”, movida pelo presságio, transformando o rock não apenas em verso livre, mas em verso libertado. —M.J.</p>
<h2>11º lugar: Black Flag, ‘Damaged’</h2>
<p>“Nós! Estamos cansados! Do seu abuso! Tente nos parar! É! Inúúútil!” Black Flag fazia exatamente o que pregava, unindo forças para reagir contra um mundo hostil que realmente fazia um excelente trabalho tentando detê-los. Damaged é o ápice do hardcore do sul da Califórnia, com a guitarra barulhenta e demente de Greg Ginn e a raiva musculosa de “a dor é minha namorada” de Henry Rollins. Damaged colocou a banda em problemas legais com sua gravadora, que se recusou a lançá-lo e o denunciou como “um disco anti-pais”. O que ele é — sem mencionar anti-polícia, anti-governo, anti-TV, anti-cerveja e qualquer outra coisa que você tiver aí. Ainda assim, Damaged permanece um ruído revolucionário, vindo de uma banda cuja trincheira era sua van. Melhor verso, da faixa final “Rise Above”: “We are born with a chance” (“Nascemos com uma chance”). —R.S.</p>
<h2>10º lugar: The Clash, ‘London Calling’</h2>
<p>O lançamento de estreia de uma grande gravadora do Green Day explodiu entre os adolescentes dos Estados Unidos após a morte de Kurt Cobain como um alívio doce e maníaco. Dookie era um paradoxo irresistível: 14 músicas sobre desespero avassalador detonadas com um entusiasmo à la The Who e uma construção pop precisa para o rádio, feitas por um trio mergulhado nos ideais do punk independente. O álbum era o “diário sobre como era”, disse o cantor, guitarrista e compositor Billie Joe Armstrong em 2014, “viver como um garoto de rua” — desesperado por conexão emocional em “She” e “When I Come Around”, frustrado em nível atômico em “Longview”. Brutalmente franco e delirantemente rápido, Dookie concluiu o trabalho iniciado pelo primeiro álbum dos Ramones — colocou o punk no mainstream de uma vez por todas. —D. Fricke</p>
<h2>9º lugar: Nirvana, ‘Nevermind’</h2>
<p>Os primeiros lançamentos do Bikini Kill eram definidos pelos vocais descontrolados de Kathleen Hanna — mensagens contra pais abusivos e trabalhadores de parque de diversões assustadores, odes gritadas para as garotas duronas que ela amava. Mas Reject All American deu um enorme salto em termos de melodia, arranjo e virtuosismo instrumental, alinhando-se mais aos colegas de selo do Sleater-Kinney do que ao trabalho anterior do grupo. Claro, há a faixa de abertura “Statement of Vindication”, que fisga o ouvinte com uma cantiga infantil berrada. Mas quando Hanna volta sua atenção para o luto em músicas como “R.I.P.” — ela havia perdido vários amigos por overdose e suicídio em sequência, incluindo Kurt Cobain — a banda se afastou da distorção para mostrar às riot grrrls de todos os lugares que elas não precisavam depender dos mesmos três acordes. —E.G.P.</p>
<h2>8º lugar: The Stooges, ‘Fun House’</h2>
<p>A eterna pergunta: “Já se apaixonou por alguém por quem não deveria ter se apaixonado?” Pete Shelley, o bardo dos Buzzcocks, parecia sofrer essa crise seis ou sete vezes por música. Esses garotos de Manchester foram os criadores do pop-punk, numa época em que violar essas fronteiras ainda era um tabu. Eles se especializaram em joias incrivelmente pegajosas de três minutos sobre angústia hormonal, de “Orgasm Addict” a “Ever Fallen in Love?” e a madura canção de separação “Oh Shit!”. Shelley documentava o desejo queer no underground — nem mesmo os punks estavam prontos para isso. Mas esta coletânea perfeita de grandes sucessos de 1979 continua sendo a fonte primordial do pop-punk. —R.S.</p>
<h2>7º lugar: The Sex Pistols, ‘Never Mind the Bollocks Here’s the Sex Pistols’</h2>
<p>A banda negra rastafári de jazz fusion de Washington, D.C., Mind Power se apaixonou pelo punk rock, mudou o nome para Bad Brains em homenagem a uma música dos Ramones e decidiu tocar ainda mais rápido e pesado. O álbum de estreia deles, Bad Brains, só apareceu em 1982 — e apenas em fita cassete — mas eles já eram heróis da cena punk da Costa Leste graças às performances incendiárias ao vivo e ao single aterrorizantemente rápido “Pay to Cum!”, de 1979 (regravado aqui). E eles se recusavam a se conformar às expectativas de qualquer pessoa: as faixas frenéticas de hardcore do álbum (“Sailin’ On”, “Banned in D.C.”) são interrompidas por interlúdios viajantes de dub e reggae. —D.W.</p>
<h2>6º lugar: Wire, ‘Pink Flag’</h2>
<p>“A luta da guerrilha é um novo entretenimento”, declarou o cantor Jon King com uma entonação mordaz em “5:45”, um tratado profético sobre telejornais presente no disco mais ritmicamente cinético e politicamente incisivo da era de ouro do punk britânico. Sob as camadas marxistas, o Gang of Four era uma força genuinamente revolucionária em sua busca por justiça da classe trabalhadora através de nós apertados de funk raivoso (“Not Great Men”) e sincopações disco vingativas (“At Home He Feels Like a Tourist”), cortadas pela guitarra sem blues de Andy Gill. Fundindo verdadeiramente James Brown e o hip-hop inicial com o minimalismo em tópicos dos Ramones, o Gang of Four foi o Rage Against the Machine uma década antes da hora. —D. Fricke</p>
<h2>5º lugar: Sleater-Kinney, ‘Dig Me Out’</h2>
<p>Os New York Dolls não duraram muito: lançaram dois álbuns nos anos 1970 cheios de guitarras andróginas e obcecadas por sexo, depois implodiram. Mas foi tudo de que precisaram para ajudar a inventar o punk. Esses caras adoravam se vestir e posar como garotas más — como o cantor David Johansen se gabou à Rolling Stone em 1972: “Gostamos de parecer ter 16 anos e estar completamente entediados.” O álbum de estreia deles estava cheio de hinos gutter-glam como “Personality Crisis”, “Trash” e “Looking for a Kiss”, com Johansen desfilando sua arrogância de jet-boy sobre a guitarra maníaca e embolada de Johnny Thunders. Os Dolls inspiraram bandas mais jovens que queriam ser como eles — os Ramones, The Clash, Sex Pistols — mas sua música continua sendo uma trilha sonora atemporal para se produzir e causar confusão. —R.S.</p>
<h2>4º lugar: The Clash, ‘The Clash’</h2>
<p>O X sempre foi artístico demais para se encaixar na cena hardcore de Los Angeles: os cantores John Doe e Exene Cervenka se conheceram em um workshop de poesia beatnik. Eles também eram casados, o tabu supremo em um ambiente tão movido pelo “mate seus ídolos”. Mas o X teve uma sequência impecável de quatro álbuns no começo dos anos 1980 — Wild Gift é praticamente o Rumours do punk. Eles começaram com este debut cru, em que Doe e Cervenka berram sobre o thrashabilly maníaco do guitarrista Billy Zoom e do baterista D.J. Bonebrake. A Los Angeles deles é uma cidade cheia de psicopatas assustadores, racistas, viciados violentos, fracassados — mas eles a chamam de lar. Tudo termina com a música-tema da banda: “The World’s a Mess, It’s In My Kiss.” Ray Manzarek, do The Doors, produziu o álbum; o X prestou homenagem com uma versão de “Soul Kitchen” que teria assustado Jim Morrison para fora da cidade. —R.S.</p>
<h2>3º lugar: The Minutemen, ‘Double Nickels on the Dime’</h2>
<p>O trio de Minnesota Hüsker Dü quebrou todas as regras do hardcore com esta obra-prima de 1984, explodindo as mentes moicanas por toda a América. Numa época em que ainda era controverso aprender um quarto acorde, eles lançaram um álbum conceitual duplo em vinil, contando a história de um jovem fugindo de um lar destruído e tentando sobreviver na cidade. Bob Mould e Grant Hart alternavam vocais cuspidos e rosnados em explosões emocionalmente brutais como “Whatever” e “Something I Learned Today”, mas a música se expandia para efeitos psicodélicos de fita invertida, piano e a fúria folk acústica de “Never Talking to You Again”, além do instrumental final de 14 minutos cheio de feedback, “Reoccurring Dreams”. Os Hüskers alcançariam alturas mais pop com New Day Rising e Flip Your Wig, mas este é o triunfo punk deles. —R.S.</p>
<h2>2º lugar: X-Ray Spex, ‘Germfree Adolescents’</h2>
<p>O punk ainda estava em seus primeiros dias quando a poeta do centro de Nova York Patti Smith lançou Horses em 1975, mas ela virou todo o conceito do movimento do avesso com seu debut. As imagens cortantes e a paixão visceral das letras dão fogo a Horses; a beleza do disco é ainda mais ampliada pela dinâmica de atração e repulsão entre ela e sua banda, que combina a destreza solta de um grupo de bar madrugada adentro com a fúria rosnante de qualquer conjunto cheio de alfinetes de segurança. A postura desafiadora de Smith na capa ecoa ao longo do álbum, com faixas como sua reinvenção esfarrapada de “Gloria”, do Them, e “Land”, movida pelo presságio, transformando o rock não apenas em verso livre, mas em verso libertado. —M.J.</p>
<h2>1º lugar: Ramones, ‘Ramones’</h2>
<p>“Nós! Estamos cansados! Do seu abuso! Tente nos parar! É! Inúúútil!” Black Flag fazia exatamente o que pregava, unindo forças para reagir contra um mundo hostil que realmente fazia um excelente trabalho tentando detê-los. Damaged é o ápice do hardcore do sul da Califórnia, com a guitarra barulhenta e demente de Greg Ginn e a raiva musculosa de “a dor é minha namorada” de Henry Rollins. Damaged colocou a banda em problemas legais com sua gravadora, que se recusou a lançá-lo e o denunciou como “um disco anti-pais”. O que ele é — sem mencionar anti-polícia, anti-governo, anti-TV, anti-cerveja e qualquer outra coisa que você tiver aí. Ainda assim, Damaged permanece um ruído revolucionário, vindo de uma banda cuja trincheira era sua van. Melhor verso, da faixa final “Rise Above”: “We are born with a chance” (“Nascemos com uma chance”). —R.S.</p>
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