<p><img width="406" height="228" src="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2023/02/legiao-urbana-foto.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="Legião Urbana (Foto: Divulgação)" style="margin-bottom:1rem;" decoding="async" fetchpriority="high" /></p>
<p>Referência no rock brasileiro, banda liderada pelo vocalista Renato Russo lançou sete álbuns de estúdio em pouco mais de uma década</p>
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<p><img width="406" height="228" src="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2023/02/legiao-urbana-foto.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="Legião Urbana (Foto: Divulgação)" style="margin-bottom:1rem;" decoding="async" /></p><p>Não é grande exagero imaginar que praticamente todo brasileiro já escutou pelo menos uma música da <a href="https://rollingstone.com.br/tags/legiao-urbana/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Legião Urbana</strong></a>. A banda formada por <a href="https://rollingstone.com.br/tags/renato-russo/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Renato Russo</strong></a> (vocais), <a href="https://rollingstone.com.br/tags/dado-villa-lobos/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Dado Villa-Lobos</strong></a> (guitarra), <a href="https://rollingstone.com.br/tags/renato-rocha/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Renato Rocha</strong></a> (baixo) e <a href="https://rollingstone.com.br/tags/marcelo-bonfa/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Marcelo Bonfá</strong></a> (bateria) foi um dos nomes mais importantes do rock no país durante a década de 1980, oferecendo contornos poéticos e musicais diferentes dos seus contemporâneos.</p>
<p>Enquanto outros artistas tiraram inspiração do punk e do new wave, a Legião incorporava elementos do indie rock britânico nascente, como <strong>Public Image Ltd.</strong> e <strong>The Smiths</strong>, além de influências folk e de literatura. O resultado inspirou um culto contínuo à obra da banda. Mesmo após a morte de Renato em outubro de 1996, o público brasileiro manteve a chama acesa.</p>
<p>A <a href="https://rollingstone.com.br/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Rolling Stone Brasil</strong></a> preparou um ranking dos sete álbuns de estúdio lançados pela Legião Urbana durante sua carreira. Nenhum disco póstumo será incluído na lista, bem como a compilação <em><strong>Música para Acampamentos</strong></em> (1992).</p>
<h2>Ranking: discografia Legião Urbana</h2>
<h3>7. <em>As Quatro Estações</em> (1989)</h3>
<p>Quando o brasileiro médio reclama da onipresença da Legião em rodas de violão pelo país, é porque presenciou alguém “assassinar” uma música do grupo, muito possivelmente desse álbum, na sua frente. <strong>“Pais e Filhos”</strong> virou parte do tecido cultural nacional graças ao seu refrão emocionante que a esse ponto virou clichê, mas vale destacar a letra impressionista, que traz recortes desconexos de momentos cotidianos entre os arquétipos apontados. Enquanto isso, <strong>“Há Tempos”</strong> e <strong>“Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto”</strong> são clássicos inegáveis do grupo.</p>
<p>Ainda assim, <em><strong>As Quatro Estações</strong></em> tem problemas. O exemplo mais claro disso é <strong>“Monte Castelo”</strong>, uma adaptação de um soneto de <strong>Luís de Camões</strong> cuja pretensão parece cada vez pior com o passar dos anos. <span style="font-weight: 400;">Em <strong>“Eu Fui Um Lobisomem Juvenil”,</strong> o épico sobre não se conformar com as expectativas ou padrões da sociedade que provavelmente existia na imaginação dos integrantes é minado pelas limitações técnicas da banda.</span></p>
<p>A falha fundamental desse álbum é: ambição demais, execução de menos. O grupo vivia o auge do seu sucesso comercial e, inegavelmente, <em><strong>As Quatro Estações</strong></em> tem alguns dos maiores hits de sua carreira. Contudo, Renato e companhia queriam alçar voos maiores para os quais não estavam prontos — ou sequer tinham a capacidade de alçar. Os discos subsequentes apontaram aprendizado quanto a isso.</p>
<p><iframe title="Spotify Embed: As Quatro Estações" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7AMgXBVw9ViHswkQ71wyju?utm_source=oembed"></iframe></p>
<h3>6. <em>Legião Urbana</em> (1985)</h3>
<p>É cheio de hits? Com certeza. <strong>“Geração Coca-Cola”</strong>, <strong>“Será”</strong>, <strong>“Por Enquanto”</strong> e <strong>“Ainda É Cedo”</strong> ajudaram não apenas a consagrar a Legião Urbana, mas fazer o legado dela persistir décadas dali pra frente. O problema é que todos esses clássicos ganharam versões melhores em álbuns ao vivo, dada a pobreza da gravação original.</p>
<p>O produtor <strong>José Emílio Rondeau</strong> conhecia as referências da banda, mas a equipe da gravadora EMI não parecia ter o conhecimento técnico necessário para fazer o álbum soar o melhor possível em seu equipamento de última geração. O resultado é extremamente datado, a ponto de hoje em dia ter mais em comum com obras lo-fi que buscam emular memórias nebulosas da época.</p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Legião Urbana" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/3wN9mC8YEdxn4VzdQINF1k?utm_source=oembed"></iframe></p>
<h3>5. <em>A Tempestade ou O Livro dos Dias</em> (1996)</h3>
<p>É muito complicado falar sobre <em><strong>A Tempestade ou O Livro dos Dias</strong></em> sem abordar sua concepção. Durante sua produção, Renato Russo estava morrendo de complicações causadas pela Aids e, embora isso fosse uma informação guardada a sete chaves, o falecimento iminente do cantor permeia todo o trabalho — tanto a obra em si quanto a percepção dela desde então.</p>
<p><em><strong>A Tempestade ou O Livro dos Dias</strong></em> apresenta a verve lírica do frontman em canções como a abertura raivosa <strong>“Natália”</strong>, a crônica bem-humorada de <strong>“Leila”</strong> ou a parceria com <strong>Marisa Monte</strong> em <strong>“Soul Parsifal”</strong>. <span style="font-weight: 400;">Há exemplos de artistas usando o cenário de morte iminente para criar uma despedida emocionante, mas a impressão é que Renato Russo não quis seguir por esse caminho. Embora o assunto seja recorrente nas músicas, não se trata de um disco sobre estar morrendo. Talvez seja sobre fazer arte enquanto há tempo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, isso não impediu o público de julgar o álbum em comparação a outros cantos do cisne na história da música popular. Não é magnífico nesse aspecto porque não se propõe a cumprir essa função. É apenas um disco abaixo da média da Legião Urbana.</span></p>
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<h3>4. <em>O Descobrimento do Brasil</em> (1993)</h3>
<p>Na virada para a década de 1990, a Legião Urbana estava no auge do seu sucesso e de suas ambições musicais. Renato e cia claramente se inspiraram no pop barroco feito pelo <strong>R.E.M.</strong> na mesma época em <strong>“Vinte e Nove”</strong>, com arranjo cheio de violões, bandolins e cordas. <strong>“Vamos Fazer Um Filme”</strong>, por sua vez, evoca a sonoridade do <strong>The Smiths</strong>, uma das principais influências da banda desde o começo, na sua roupagem mista de acústico e elétrico.</p>
<p>Só que não fica resumido a isso. <strong>“Perfeição”</strong> traz guitarras barulhentas misturadas com batidas eletrônicas, enquanto <strong>“Love in the Afternoon”</strong> tem cítaras, tablas e outros instrumentos indianos. Nas letras, Renato fazia um diário do Brasil pós-<strong>Collor</strong>, alternando entre otimismo cauteloso e desconfiança direcionada ao ufanismo.</p>
<p>O que impede <em><strong>O Descobrimento do Brasil</strong></em> de estar mais alto no ranking é uma questão de força do material. Os três álbuns acima deste no ranking são apenas exemplos melhores da personalidade musical e da força da Legião como banda.</p>
<p><iframe title="Spotify Embed: O Descobrimento Do Brasil" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6YrgsAJfmpimelyDGkaqU9?utm_source=oembed"></iframe></p>
<h3>3. <em>Legião Urbana V</em> (1991)</h3>
<p>Muitas vezes descrito como o álbum prog da banda, <em><strong>Legião Urbana V</strong></em>, na verdade, apenas não tem o mesmo imediatismo dos lançamentos anteriores. Trata-se de um disco muito contemplativo, claramente inspirado pela música tradicional italiana, que Renato Russo viria a explorar em <em><strong>Equilíbrio Distante</strong> </em>(1995). Isso sem abrir mão de mudanças bruscas, como na épica <strong>“Metal Contra as Nuvens”</strong>.</p>
<p>A vantagem sobre outras obras da banda do mesmo período reside na força das composições de modo geral. Além da já citada <strong>“Metal Contra as Nuvens”</strong>, vale apontar a qualidade de <strong>“Sereníssima”</strong> e <strong>“O Teatro dos Vampiros”</strong>, com seu lamento sobre perda da juventude em meio às demandas do capitalismo.</p>
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<h3>2. <em>Que País É Este 1978/1987</em> (1987)</h3>
<p>O álbum que carrega o maior épico da Legião Urbana – <strong>“Faroeste Caboclo”</strong> – conseguiu superar um curioso mal histórico. O sucesso do trabalho anterior, <em><strong>Dois</strong></em> (1986), fez a gravadora EMI querer capitalizar e lançar algo logo em seguida. O problema era: não tinha material novo.</p>
<p><em><strong>Que País É Este 1978-1987</strong></em> acabou construído a partir de sobras das sessões dos dois primeiros álbuns. Não somente isso. Várias das músicas incluídas, como <strong>“Química”</strong>, <strong>“Tédio (Com Um T Bem Grande Pra Você)”</strong> e até mesmo <strong>“Faroeste Caboclo”</strong>, já existiam há quase dez anos. Foram compostas quando Renato Russo fazia parte da banda punk <strong>Aborto Elétrico – </strong>também formada por futuros integrantes do <strong>Capital Inicial –</strong> ou do seu projeto solo subsequente, <strong>Trovador Solitário</strong>.</p>
<p>O diferencial desse disco para a estreia de 1985 é a clara melhora na qualidade da produção. Tudo aprendido antes foi aplicado para dar ao material a maior potência possível. Isso fica evidente na faixa-título <strong>“Que País É Este”</strong>, que lembra os momentos mais ferozes do <strong>The Clash</strong> e ainda traz elementos dos arranjos folk que a banda adotou com o tempo.</p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Que Pais E Este" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5dtcavvE7Hy2bmWb2XpiUe?utm_source=oembed"></iframe></p>
<h3>1. <em>Dois</em> (1986)</h3>
<p>Falar sobre <em><strong>Dois</strong> </em>é como tentar discutir a importância de <strong>“</strong><strong>Aquarela do Brasil”</strong> ou <strong>“Garota de Ipanema”</strong>. Trata-se de um álbum tão inserido na cultura brasileira a ponto de ser parte do DNA nacional. E faz sentido. Corresponde à coleção mais forte de músicas da carreira da Legião Urbana.</p>
<p>Numa época em que seus contemporâneos ainda não haviam se desenvolvido emocionalmente como compositores, Renato Russo nadava de braçada. Seja na narrativa LGBTQ+ de <strong>“Daniel na Cova dos Leões”</strong>, o indie rock nervoso sobre envelhecimento <strong>“Tempo Perdido”</strong> ou até mesmo a anticolonialista (e quase impossível para os integrantes tocarem ao vivo) <strong>“Índios”</strong>, a Legião mostrava uma maturidade muito além de seus anos sem sacrificar imediatismo.</p>
<p>A obscuridade das referências fazia as pessoas irem procurar os significados, porque o elo criado pelas músicas as compelia. São poucos os álbuns capazes de tamanha façanha.</p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Dois" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/4OCJTpOLqSgysGY4yBCGhn?utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><strong>+++ LEIA MAIS: <a href="https://rollingstone.com.br/musica/legiao-urbana-dois-album/" target="_blank" rel="noopener">Como a Legião Urbana se inseriu no DNA cultural brasileiro em ‘Dois’</a></strong><br />
<strong>+++ LEIA MAIS: <a href="https://rollingstone.com.br/musica/legiao-urbana-influencia-inicio-segundo-marcelo-bonfa/" target="_blank" rel="noopener">A banda que mais influenciou Legião Urbana no início, segundo Marcelo Bonfá</a></strong><br />
<strong>+++ LEIA MAIS: <a href="https://rollingstone.com.br/musica/filho-de-renato-russo-autoriza-uso-de-musica-da-legiao-urbana-em-campanha-de-ze-dirceu/" target="_blank" rel="noopener">Filho de Renato Russo autoriza uso de música da Legião Urbana em campanha de Zé Dirceu</a></strong></p>
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