<p><img width="406" height="228" src="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725-406x228.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="BigXthaPlug" style="margin-bottom:1rem;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725-406x228.jpg 406w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725-800x450.jpg 800w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725-768x432.jpg 768w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725-1536x864.jpg 1536w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 406px) 100vw, 406px" /></p>
<p>O rapper texano está vivendo na grandeza e emplacando sucessos, mas isso nem sempre significa que a vida é fácil</p>
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<p><img width="406" height="228" src="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725-406x228.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="BigXthaPlug" style="margin-bottom:1rem;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725-406x228.jpg 406w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725-800x450.jpg 800w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725-768x432.jpg 768w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725-1536x864.jpg 1536w, https://rollingstone.com.br/wp-content/uploads/2026/11/bigxthaplug-Mosenfelder-Getty-Images-foto-jornalística-2280055725.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 406px) 100vw, 406px" /></p><p><strong>BigXthaPlug</strong>, um vocalista de Dallas, no Texas, com uma presença de microfone profunda, granulada e autoritária, é uma das vozes mais intrigantes dos últimos anos. Ele é o raro rapper mainstream de vinte e poucos anos que de fato <em>rima</em>. Ele não depende de um canto androide como <strong>Don Toliver</strong> nem de lamentos “trap-soul” calorosos como <strong>Rod Wave</strong>. Em vez disso, ele cuspe com força, direto do peito, seu ímpeto chegando aos ouvidos como o linebacker da NFL <strong>Myles Garrett</strong> empurrando wide receivers contra a grama do campo. E, felizmente, ao menos para os veteranos desencantados com o estado do rap moderno, ele presta homenagem com frequência aos OGs do passado e do presente. Em <em><strong>6WA</strong></em> (2025), um projeto consistentemente divertido com seu grupo <strong>600 Entertainment</strong> lançado em março passado, ele convidou o <strong>D.O.C.</strong>, texano que virou pioneiro da Costa Oeste, para dar uma bênção, e depois citou a dureza à moda antiga de <strong>Too $hort</strong> e do falecido <strong>Eazy-E</strong>. Em seu novo álbum, <em><strong>Better Over Time</strong></em> (2025), os produtores <strong>Tony Coles</strong> e <strong>Charley Cooks</strong> sampleiam “<strong>Sky’s the Limit</strong>”, do <strong>Notorious B.I.G.</strong>, enquanto <strong>Leon Thomas</strong> revive o clássico refrão do <strong>112</strong>: “O céu é o limite, e você sabe que pode ter o que quiser, ser o que quiser”.</p>
<p>Ironicamente, diante de sua ascensão meteórica, <em><strong>Better Over Time</strong></em> costuma apresentar fama e fortuna como uma miragem incapaz de mascarar uma dor que dura a vida toda. Em uma <a href="https://www.rollingstone.com/music/music-features/bigxthaplug-rap-success-country-music-whats-next-1235524298/" target="_blank" rel="noopener">reportagem de capa da <em>RS</em></a> sobre <strong>BigXthaPlug</strong> no início deste ano, o jornalista <strong>Eric Diep</strong> escreveu: “Ele está com o espírito melhor agora, e não está mais fazendo música triste”. Talvez <em><strong>Better Over Time</strong></em> não seja tão persistentemente melancólico quanto <em><strong>I Hope You’re Happy</strong></em> (2025), sua suíte de colaborações de coração partido com as maiores estrelas country de Nashville, que figurou no Top 10 da <em>Billboard</em> e o ajudou a conquistar um lugar nos 2025 CMA Awards, onde ele apresentou “<strong>Pray Hard</strong>” com <strong>Luke Combs</strong>. Ainda assim, sua frustração ao ver amigos e vizinhos o transformarem em objeto de fofoca e inveja depois que ele superou a pobreza borbulha até quase ofuscar o que deveria ser uma gloriosa volta triunfal ao estilo de <em><strong>Life After Death</strong></em> (1997). Assim como em <em><strong>Ca$ino</strong></em> (2025), de <strong>Baby Keem</strong>, outro épico recente do rap desfeito pela incapacidade de seu autor de superar traumas persistentes, <strong>BigX</strong> nem sempre consegue desviar de seus detratores anônimos. Seu primeiro instinto é sacar um maço de notas e jogá-lo na cara deles.</p>
<p>Apesar do tom ranzinza de <em><strong>Better Over Time</strong></em>, <strong>BigX</strong> continua sendo uma presença ferozmente magnética, alguém que retém a atenção do ouvinte com facilidade, seja sozinho ou com colaboradoras como <strong>GloRilla</strong>, que arrasa com astúcia ao seu lado em “<strong>FAF</strong>”. Estetas do rap torceram o nariz para alguns dos movimentos pop de arena de <strong>BigX</strong>, como a parceria com <strong>Ava Max</strong> na faixa antecipada de <em><strong>Better Over Time</strong></em>, o etéreo e declamatório “<strong>Burn</strong>”. Mas “<strong>Burn</strong>” também sublinha sua natureza expansiva e sua capacidade de abranger climas sonoros diferentes sem cinismo. (A faixa até dá a <strong>BigX</strong> a chance de celebrar sua ascensão à capa, ao rimar: “Quem do meu estado saiu na capa da <em>Rolling Stone</em> e representa a cidade com orgulho”?) Em outros momentos, ele oferece com leveza uma delícia de soul estilo esquilinho reminiscente do <strong>Kanye West</strong> dos primeiros anos em “<strong>Lite</strong>”, comparando-se a <strong>Jodeci</strong> e ao “<strong>Lil Wayne</strong> de <em><strong>Tha Carter III</strong></em> (2008)”, e domina uma roda de MCs com os queridinhos da crítica <strong>Babyface Ray</strong> e <strong>Lil Yachty</strong> em “<strong>Believe</strong>”. Nuvens escuras podem estar distorcendo lentamente o estado de espírito de <strong>BigX</strong>, mas momentos de prazer costumam brilhar. “Tô juntando esse verdinho/Esse n—- grandão é tipo salada com tempero”, ele se gaba com prazer em “<strong>Cracced</strong>”.</p>
<p><strong>BigX</strong> frequentemente alude à importância da família. A primeira voz em <em><strong>Better Over Time</strong></em> pertence à mãe dele. “Parece que foi ontem que você brigava e era expulso da escola, droga. Agora olha você”, diz ela em “<strong>Stand on Business</strong>”. “Você é um chefe, uma lenda”. Ele fala sobre ganhar dinheiro para sustentar seus dois filhos e apoiar sua família estendida, e se gaba em “<strong>Da Fucc</strong>” de ter gastado tanto dinheiro com armas que “minha vó anda com uma benga na mão”. “N—- de milhão, o que eu tenho você não paga/Tentando ficar fora da lista da <em>Forbes</em>, porque é aí que eles vão querer grana”, ele diz em “<strong>Peace of Mind</strong>”. Contudo, algumas faixas depois, ele se contradiz em “<strong>Give It All</strong>” ao rimar: “Quero os bilhões, os trilhões e o que mais tiver, porque os milhões eu já tenho”. Números desse tamanho certamente o colocariam no radar do fisco. Também é prova de que <strong>BigX</strong> está lapidando suas ideias e convicções em tempo real.</p>
<p><em><strong>Better Over Time</strong></em> deveria lhe dar a oportunidade de expurgar sua angústia e, se não necessariamente se curar, ao menos encontrar clareza sobre por que seu talento sobre-humano trouxe uma mistura de bênçãos e frustrações. Ele já acumulou bastante sucesso, de apoios de <strong>Drake</strong> e <strong>Beyoncé</strong> à licença dada pela Wingstop para seu sucesso de 2024, “<strong>The Largest</strong>”, em um <a href="https://auralcrave.com/en/2025/04/30/the-song-in-the-2025-wingstop-commercial-with-jalen-green/" target="_blank" rel="noopener">comercial de 2025</a> amplamente exibido, estrelado pelo cestinha da NBA <strong>Jalen Green</strong>. Então por que ele se sente esmagado “um escravo com todas essas correntes”?</p>
<p>Enquanto ele rala pelos 42 minutos do álbum, a lucidez parece distante. “Será que se eu tivesse dito ‘que se dane’ e ficado nas ruas vendendo droga”, ele desabafa em “<strong>Lately F Rap</strong>”. “Aqueles n—-s ainda falariam do meu nome por clout?/Provavelmente não, porque eu não teria uma imagem”. Em “<strong>Heal Me</strong>”, uma faixa que quase se afoga no fervor cristão sem sal do cantor floridiano <strong>Fridayy</strong>, <strong>BigX</strong> admite que anda em um Rolls-Royce “double R”: “Meu tapete encharcou de tanto choro/Mas faz anos que luto contra o que sinto/Acho que é hora de aproveitar este momento pra curar”. Ainda assim, a faixa final gira em torno de uma interpolação de “<strong>One</strong>”, de <strong>Harry Nilsson</strong>. Enquanto o produtor <strong>Bandplay</strong> canta, “One é o número mais solitário que já existiu”, <strong>BigX</strong> rima: “Tô sozinho por aí, todo sozinho/Não me sinto bem-vindo no que chamo de lar”. É meio deprimente.</p>
<p>É fácil descartar a angústia de <strong>BigX</strong> como o velho tropo pop do blues do homem rico ou, como <strong>Biggie</strong> certa vez resumiu, “mais dinheiro, mais problemas”. Mas ele tem apenas 28 anos e claramente luta sob o brilho das expectativas crescentes de fãs, de sua comunidade e da indústria da música. Ele ainda pode estar sujeito a erros de juventude, como sugeriu uma prisão por dirigir embriagado em agosto, sob acusações de porte ilegal de arma e de maconha. <em><strong>Better Over Time</strong></em> promete implicitamente que ele continuará evoluindo nos próximos anos, mesmo nos privando da satisfação de ouvi-lo encontrar um encerramento agora.</p>
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