Pipes Feed Preview: Manual do Usuário

  1. Google desmantela o AlphaFold e lá se vai a IA que curaria o câncer

    Fri, 31 Jul 2026 13:04:58 -0000

    A real utilidade do AlphaFold para o Google era ter uma desculpa na manga para os excessos da bolha de IA. Toda vez que os chatbots fazem algo muito errado, sempre aparece um trouxa dizendo: e a medicina, hein? E o AlphaFold, hein? Por David Gerard.
    <p>O AlphaFold era um sistema de aprendizado de máquina do Google DeepMind. Ele fazia a predição da estrutura de proteínas.</p> <p>Ele era razoavelmente bom em prever estruturas de proteínas. Chamou atenção do público por se sair muito bem nos benchmarks do Critical Assessment of Structure Prediction (CASP).</p> <p>O AlphaFold fez alguns trabalhos úteis, principalmente como um extra para ajudar biólogos a prever uma estrutura em que estavam trabalhando. Muitos biólogos não achavam ele grande coisa. Alguns, achavam. E tudo bem.</p> <p>Estou dizendo “era” e “fazia” porque <a href="https://www.ft.com/content/61b2953d-ee0d-45de-af6e-a9c1cf524b33">o Google encerrou o AlphaFold</a>.</p> <p><span id="more-64760"></span>Os fundadores do AlphaFold foram, em sua maioria, realocados ao longo do último ano. O Google transferiu vários deles para trabalhar no chatbot Gemini. Cerca de um quarto pediu demissão do Google.</p> <p>Em 2024, o criador do AlphaFold, John Jumper, e o CEO da DeepMind, Demis Hassabis, dividiram o Prêmio Nobel de Química pelo trabalho no AlphaFold! Porque o comitê do Nobel de 2024 resolveu <a href="https://pivot-to-ai.com/2024/10/08/the-nobel-prize-in-physics-goes-to-geoffrey-hinton-for-his-work-in-computer-science-what/">distribuir vários prêmios para trabalhos relacionados a IA</a>, fizessem sentido ou não.</p> <p>O Google colocou Jumper para consertar a programação por IA do Gemini. Ele trocou o Google pela Anthropic pouco depois. Um funcionário da DeepMind disse ao <cite>Financial Times</cite> que:</p> <blockquote><p>[…] a saída deles pegou todo mundo de surpresa dentro da empresa.</p></blockquote> <p>Estou chocado que o pesquisador premiado com o Nobel prefira fazer pesquisa em vez de trabalhar em produtos.</p> <p>A real utilidade do AlphaFold para o Google nunca foi a biologia em si. Era ter uma desculpa na manga para os excessos da bolha de IA.</p> <p>Toda vez que os chatbots fazem algo muito errado, sempre aparece um trouxa dizendo: e a medicina, hein? E o AlphaFold, hein?</p> <p>O Google tomava cuidado para jamais afirmar que o AlphaFold curaria o câncer. Existem leis [nos EUA] contra isso. Mas eles adoravam falar do AlphaFold e de câncer no mesmo comunicado à imprensa.</p> <p>Até o Sam Altman <a href="https://xcancel.com/sama/status/1904921537884676398">tentou emplacar essa</a> pela OpenAI:</p> <blockquote><p>Me matar de trabalhar durante uma década tentando ajudar a criar a superinteligência para curar o câncer ou sei lá</p></blockquote> <p>Toda vez que um trouxa da IA diz que a IA vai curar o câncer, ele está dizendo em voz alta o que o Google apenas insinuava, mas nem esse hype todo foi suficiente para o Google continuar bancando o projeto.</p> <p>E agora? A Isomorphic Labs, do Google, está tentando comercializar o que saiu do AlphaFold. Os modelos e dados do AlphaFold continuam sendo desenvolvidos na <a href="https://openfold.io/index.html">OpenFold</a>, o que é útil o bastante para ter atraído uma pá de patrocinadores.</p> <p>Para o Google, nem um Prêmio Nobel é motivo suficiente para manter o AlphaFold. É isso aí, vamos te colocar para trabalhar no chatbot, amigo. Tá bom assim, né?</p> <p class="ctx"><a href="https://pivot-to-ai.com/2026/07/30/google-kills-alphafold-so-much-for-ai-curing-cancer/">Publicado originalmente no <cite>Pivot to AI</cite></a> em 30/7/2026.</p>
  2. Links legais da semana

    Thu, 30 Jul 2026 17:45:16 -0000

    Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web.
    <p class="ctx">Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? <a href="https://manualdousuario.net/assunto/links-legais/">Acesse o arquivo</a>.</p> <p><a href="https://www.tamaraklink.app.br/home">Onde está a Tamara?</a>. “Diário de bordo” virtual, com rastreamento em tempo real, da atual viagem da Tamara Klink. Dica do Digão <a href="https://orbita.social.br/p/1VjB8gJn9G/onde-esta-tamara-acompanhe-em-tempo-real-a-nova-jornada-de-tamara-klink">no Órbita</a>.</p> <p><a href="https://dustin.works">Dustin Mierau</a>. Mais um daqueles sites pessoais que se apresentam como a área de trabalho de um computador. Eu nunca me canso desses!</p> <p><a href="https://the-criterion-closet.vercel.app">The Closet</a>. O famoso closet da Criterion em uma versão virtual interativa, com 1.327 obras do catálogo da famosa distribuidora de filmes estadunidense. (<a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PL7D89754A5DAD1E8E">A referência</a> para quem não conhece.)</p> <p><a href="https://bambamramfan.github.io/ai-compass/">The AI Compass</a>. Um questionário (em inglês) similar a um famoso na psicologia que te posiciona na “bússola” da IA. São 30 arquétipos possíveis, do ludita ao profeta.</p> <p><a href="https://www12.senado.leg.br/radio/programacaomusical">Programação musical da Rádio Senado</a>. Dá para fazer um bom garimpo de músicas brasileiras. (A última atualização é de 22/7; será que já pararam de atualizar?)</p> <p><a href="https://sound-effects.bbcrewind.co.uk">Acervo de efeitos sonoros da BBC</a>. Milhares de efeitos sonoros categorizados, gratuitos para uso pessoal e não comercial. Dica do Lucas <a href="https://orbita.social.br/p/v9gdr8MPmb/biblioteca-de-sons-da-bbc">no Órbita</a>.</p> <p><a href="https://jelly-ui.com">Jelly UI</a>. Uma biblioteca para deixar elementos de interface em páginas web com uma consistência gelatinosa. A página tem vários exemplos interativos para ver como funciona na prática.</p>
  3. Erro corrigido na migração e criação de contas no novo Órbita

    Thu, 30 Jul 2026 16:48:37 -0000

    Se você tentou migrar sua conta do antigo Órbita para o novo, redefinir sua senha ou criar uma nova conta, peço que tente outra vez. Detectamos um erro no código que acabamos de corrigir em produção. Se ainda assim enfrentar dificuldades, fale comigo, por favor.
    <p>Se você tentou migrar sua conta do antigo Órbita para <a href="https://orbita.social.br">o novo</a>, redefinir sua senha ou criar uma nova conta, peço que tente outra vez. Detectamos um erro no código que acabamos de corrigir em produção. Se ainda assim enfrentar dificuldades, comente aí embaixo ou <a href="mailto:ghedin@manualdousuario.net">mande um e-mail</a>, por favor.</p>
  4. Não curto muito a tendência dos selos “feito por humano”

    Thu, 30 Jul 2026 12:50:45 -0000

    Em um texto meio viral na indie web, Case Duckworth lista alguns motivos para rejeitar selos que indicam conteúdo feito por humanos, sem IA. Em nota relacionada, o Substack lançou uma polêmica ferramenta de “detecção de IA”.
    <p>Há dois anos, <a href="https://manualdousuario.net/selos-feito-por-humano-baixar/">repercuti um daqueles selos “feito por humanos”</a> usados para sinalizar conteúdo livre de IA. Desde então, esses selos se proliferaram em cantos virtuais hostis à IA generativa.</p> <p>Em um texto meio viral na indie web, <a href="https://www.acdw.net/human-made/">Case Duckworth lista alguns motivos para rejeitá-los</a> (em inglês). A crítica dele não é aos selos em si, mas a iniciativas que centralizam esse tipo de sinalização. A opinião aparece condensada neste parágrafo (tradução livre):</p> <p><span id="more-64743"></span></p> <blockquote><p>No entanto, acho que ter um terceiro verificando (ou não, pelo visto) se você está usando IA em seu site pessoal é endêmico da mercantilização de tudo sob o capitalismo tardio. Se você não usa IA no seu site, basta dizê-lo. Faça um botão você mesmo ou use o do meu site (sem hotlink, por favor!). Não precisa ser uma grande produção.</p></blockquote> <p>No restante do texto, ele denuncia que alguns dos selos mais populares (not by AI e Done by Humans) são iniciativas de pessoas que, em paralelo, estão faturando com empresas baseadas em inteligência artificial.</p> <p>Penso comigo que há um paralelo com a Tools for Humanity, daquelas esferas que captam a íris das pessoas em troca de criptomoedas, propriedade de Sam Altman, também é co-fundador e CEO da OpenAI. São soluções questionáveis para problemas que essas mesmas pessoas criaram.</p> <p>Sigo com <a href="https://manualdousuario.net/escrever-ia-chatgpt/">a opinião de que não importa se você use ou não IA para escrever</a> porque esse ato é evidente, transparece no resultado. Se não, parabéns: a pessoa autora fez um bom uso da IA — partindo da premissa de que isso seja uma possibilidade; a quem que se opõem ao uso da IA por questões éticas ou ambientais, pouco importa a (falta de) qualidade do texto.</p> <p>***</p> <p>Em nota relacionada, o Substack está tão afundado em texto gerado por IA que <a href="https://post.substack.com/p/against-claudefishing">lançou uma ferramenta de detecção</a> para expôr o uso da tecnologia. Segundo o co-fundador e CEO, Chris Best,</p> <blockquote><p>O problema principal não são as pessoas que usam IA, ou a qualidade da sua produção. Nem tudo feito com IA é “slop” [ruim] e nem todo slop é feito com IA. O problema é quando se perde o alinhamento entre expectativa e realidade do leitor, especialmente quando ele investe sua atenção em algo sem pensamento humano do outro lado. Isso é “Claudefishing”.</p></blockquote> <p>(O neologismo “Claudefishing” é um trocadilho com <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Catfishing">“catfishing”</a>, termo em inglês para designar quem que se passa por outra pessoa a fim de aplicar golpes ou apenas ludibriar terceiros. Boa sacada, Chris!)</p> <p>A novidade do Substack é um botão que analisa o texto e indica o percentual provável de autoria da IA. Ela foi lançada em parceria com a Pangram, empresa referência na área. O que não quer dizer muita coisa, visto que esse tipo de detecção é inerentemente falho.</p> <p>A mesma Pangram divulgou, no início de julho, <a href="https://www.pangram.com/blog/ai-in-your-feed">um levantamento</a> apontando a prevalência de texto gerado por IA em plataformas sociais. Sem surpresa, o LinkedIn lidera o ranking. O Substack é onde há menos conteúdo longo gerado por IA (10% do total). Se lá isso virou um problema digno de atenção e recursos para ser sanado, imagina nas outras…</p> <p>Ao repercutir as reações (bem selecionadas para representarem um suposto equilíbrio, por óbvio), <a href="https://on.substack.com/p/how-writers-are-reacting-to-substacks#discussion">os comentários não perdoaram</a>. É difícil encontrar algum positivo em relação ao novo detector de IA do Substack.</p> <p>O Substack que está fazendo todo esse esforço para lidar com texto gerado por IA, vale lembrar, é a mesma plataforma cujo CEO disse, diante das câmeras, <a href="https://www.theverge.com/23681875/substack-notes-twitter-elon-musk-content-moderation-free-speech#:~:text=Wow.%20I%20mean%2C%20I%20just%20want%20to%20be%20clear%2C%20if%20somebody%20shows%20up%20on%20Substack%20and%20says%20“all%20brown%20people%20are%20animals%20and%20they%20shouldn’t%20be%20allowed%20in%20America%2C”%20you’re%20going%20to%20censor%20that.%20That’s%20just%20flatly%20against%20your%20terms%20of%20service.">que não moderaria conteúdo explicitamente racista</a>.</p>
  5. A recusa que virou vitrine

    Wed, 29 Jul 2026 14:40:41 -0000

    Por que uma geração hiperconectada está comprando de volta o mundo analógico — e por que o mercado já estava esperando por ela. Por Cíntia Vitorino.
    <p>Em algum momento entre 2023 e 2024, ficou comum ver alguém saindo para um bar, uma festa ou um show usando a camisa de um time de futebol que nem existe mais. Não é fantasia, não é dia de jogo, não tem ninguém torcendo. Antes, vestir a camisa de um time era gesto de torcida, reservado para o dia da partida. Hoje ela circula solta desse contexto, usada num bar, numa festa ou num show sem relação nenhuma com o time em campo. A camisa deixou de ser símbolo de torcida e passou a ser peça de moda, equivalente a uma jaqueta ou uma calça de alfaiataria.</p> <p>Um vídeo específico marcou essa virada nas redes, sem tê-la criado sozinho. Uma jovem no TikTok filmou o próprio look, todo produzido, ao lado do <a href="https://ge.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2023/10/15/namorado-que-viralizou-com-camisa-do-vasco-em-encontro-avisa-camisa-de-time-e-elite.ghtml">namorado de camisa de futebol</a>, e comentou o contraste como se fosse motivo de vergonha para ele. O vídeo não inaugurou a tendência, mas expôs ela em plena disputa: viralizou na direção contrária à que a autora esperava, e homens e mulheres passaram a postar fotos com blusas de time, afirmando o objeto como peça de estilo. O episódio ajudou a consolidar publicamente algo que já vinha se formando nas ruas e nas redes havia meses, batizado de blokecore, estilo nascido no Reino Unido que mistura roupa esportiva com streetwear.</p> <p><span id="more-64719"></span>O mercado sentiu o movimento antes de qualquer relatório confirmar. Donos de brechós especializados em camisas de futebol relatam que, nos últimos anos, <a href="https://m.cbn.globoradio.globo.com/media/audio/419818/amantes-de-futebol-gastam-milhares-de-reais-em-col.htm">os preços das peças usadas subiram</a> mesmo sem aumento proporcional nas vendas. Antes, quem comprava era colecionador. Agora é um público jovem que recolocou a camisa retrô dentro de um estilo de vida. <a href="https://www.instagram.com/reel/C30zOJnuJE_/">Uma blusa da Fiorentina patrocinada pela Nintendo</a>, lançada em 1998, hoje tem <a href="https://footballshirtcollective.com/blogs/collectors-club/how-to-spot-a-fake-1998-fiorentina-shirt">mais de 95% de chance de ser falsificação</a>, exatamente porque a demanda multiplicou.</p> <p>Times que nem existem mais entraram nesse circuito. No Rio de Janeiro, confecções pequenas passaram a fabricar sob encomenda <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/01/05/pesquisadores-resgatam-historias-e-camisas-de-clubes-de-futebol-extintos-do-rio-de-janeiro.ghtml">camisas de clubes extintos há décadas</a>, como o Andaraí Atlético Clube e o Engenho de Dentro. A maioria desses times desapareceu por falta de dinheiro ou pela profissionalização do futebol carioca. A memória deles sobreviveu graças a historiadores amadores, e agora vira produto de moda comprado por gente que nunca viu esses times jogar uma partida sequer.</p> <p>Ao mesmo tempo, o mercado oficial também migrou para essa estética. Fabricantes de material esportivo passaram a lançar uniformes atuais com <a href="https://investnews.com.br/off-work/nostalgia-que-vende-camisas-retro-impulsionam-mercado-esportivo-em-ano-de-copa/">design que imita as décadas de 1980 e 1990</a>, e campeonatos europeus organizaram rodadas inteiras dedicadas a essa referência visual. A moda retrô deixou de ser resistência de nicho e virou linha de produto dentro da própria indústria que ela supostamente contestava.</p> <h2>Do campo para o quarto: por que essa camisa importa</h2> <p>A camisa de futebol é só a ponta mais visível de um movimento maior. A mesma geração que recolocou uma blusa de time descontinuado dentro do guarda-roupa também redescobriu o gesto manual: zine feito à mão, crochê, bordado, cerâmica, qualquer atividade que produza um objeto físico a partir do tempo e das mãos de quem faz.</p> <figure id="attachment_64730" aria-describedby="caption-attachment-64730" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" fetchpriority="high" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/07/hobbies-tateis.png" alt="Ilustração de uma mesa com um zine, crochê e um botão de time." width="1440" height="1052" class="size-full wp-image-64730"><figcaption id="caption-attachment-64730" class="wp-caption-text">A mesa dos hobbies táteis: crochê, zine, botão de time. Ilustração: Cíntia Vitorino.</figcaption></figure> <p>O que conecta a camisa ao crochê não é nostalgia de época, porque quem está fazendo isso, em boa parte, nasceu depois que esses objetos já tinham saído de moda pela primeira vez. O que conecta é a busca por algo que a tela não entrega: um resultado tangível, produzido devagar, que existe fora do feed e não desaparece quando o aplicativo atualiza.</p> <p>Essa procura por objeto físico e gesto lento é o mesmo impulso que puxou a geração para dentro do retrotech, o nome dado ao revival de tecnologias analógicas ou semianalógicas entre jovens. Câmera instantânea, MP3 player, celular com teclado físico, walkman, tudo isso voltou a circular não como peça de museu, mas como equipamento de uso diário escolhido de propósito.</p> <h2>O retorno da tecnologia velha</h2> <p>Os números confirmam que não é fenômeno marginal. Uma pesquisa da Mission Brasil, com 400 entrevistados, constatou que 92,3% das pessoas reconhecem a influência direta do conteúdo publicado em redes sociais na compra de produtos considerados nostálgicos. Câmeras instantâneas específicas registraram alta de mais de 50% nas vendas desde janeiro de 2024. iPods e MP3 players voltaram a circular, valorizados pela experiência de ouvir um álbum inteiro, offline, sem interrupção. Fones com fio, antes vistos como sucata, viraram acessório de moda.</p> <figure id="attachment_64731" aria-describedby="caption-attachment-64731" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/07/instax-tocador-mp3.png" alt="Ilustrações de uma Fujifilm Instax e de um tocado de MP3." width="1440" height="710" class="size-full wp-image-64731"><figcaption id="caption-attachment-64731" class="wp-caption-text">Fujifilm Instax e tocador de MP3. Ilustração: Cíntia Vitorino.</figcaption></figure> <p>Celulares antigos, principalmente os modelos com teclado físico ou formato flip, reapareceram como objeto de desejo. Parte de quem usa esses aparelhos escolheu especificamente modelos sem acesso à internet, como forma deliberada de reduzir o ritmo da própria vida e se afastar da notificação constante.</p> <figure id="attachment_64732" aria-describedby="caption-attachment-64732" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/07/celulares-antigos.png" alt="Ilustrações de quatro formatos de celulares antigos." width="1440" height="786" class="size-full wp-image-64732"><figcaption id="caption-attachment-64732" class="wp-caption-text">Candybar, flip, e-ink e flip cor-de-rosa: quatro formas do mesmo recuo. Ilustração: Cíntia Vitorino.</figcaption></figure> <p>A Fujifilm é o caso mais evidente de como esse desejo virou negócio bilionário. A linha Instax, de câmeras e impressoras instantâneas, ultrapassou 100 milhões de unidades vendidas no mundo em abril de 2025, e a divisão de imagem da empresa bateu recorde de receita, puxada pela demanda de usuários jovens. O mercado global de câmeras de impressão instantânea deve crescer de 1,84 bilhão de dólares em 2025 para 2,59 bilhões em 2031.</p> <p>O disco de vinil conta a mesma história em outro setor. Segundo a Recording Industry Association of America, o vinil cresceu pelo décimo nono ano consecutivo em 2025, ultrapassando 1 bilhão de dólares em vendas só nos Estados Unidos, quase metade da receita global do formato. Foram vendidos 46,8 milhões de LPs contra 29,5 milhões de CDs, mais do triplo em receita. O disco físico de Taylor Swift, <cite>The life of a showgirl</cite>, sozinho vendeu cerca de 1,6 milhão de cópias em vinil.</p> <h2>O nome disso é anemoia</h2> <p>Existe uma palavra para o sentimento que move esse consumo: anemoia, criada em 2012 pelo escritor norte-americano John Koenig, que define a saudade de um tempo ou lugar que a pessoa nunca viveu de fato. Uma pesquisa da Harris Poll, amplamente citada, mostrou que perto de 60% dos jovens adultos da Geração Z afirmam desejar voltar a uma época passada, especificamente antes de todo mundo estar permanentemente conectado à rede.</p> <p>Quem nasceu depois de 1993 não passou pela transição entre o mundo analógico e o digital, porque já nasceu dentro dele. O que ela sente não é memória. É falta de uma experiência que nunca teve a chance de acontecer.</p> <p>Essa nostalgia por um tempo nunca vivido tem uma explicação geracional concreta. A geração anterior, a dos millennials, viveu a passagem do analógico para o digital e guardou a lembrança de como era o mundo antes da conexão permanente. A Geração Z tem passado, memória e história como qualquer outra geração. O que ela não tem é a lembrança desse antes específico, o mundo anterior à rede ligada o tempo inteiro, porque já nasceu com ela em funcionamento.</p> <figure id="attachment_64733" aria-describedby="caption-attachment-64733" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" loading="lazy" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/07/camera-digital.png" alt="Ilustração da frente de uma câmera digital." width="960" height="693" class="size-full wp-image-64733"><figcaption id="caption-attachment-64733" class="wp-caption-text">Camp Snap: câmera digital sem tela. Ilustração: Cíntia Vitorino.</figcaption></figure> <p>Um dos sintomas mais específicos desse mal-estar é o que pesquisadores chamam de recusa à ditadura da alta resolução. Nas últimas duas décadas, Apple, Samsung e Google disputaram entre si a corrida por câmeras cada vez mais nítidas, com inteligência artificial corrigindo pele, exposição e imperfeição em milissegundos. A resposta de parte da Geração Z foi ir atrás exatamente do oposto: câmeras digitais compactas do início dos anos 2000, como Canon Powershot e Sony Cyber-shot, compradas em brechós e sites de usados pela imagem imperfeita que produzem, cheia de grão e flash estourado.</p> <p>Só que essa recusa já vem torta desde o início. A imagem que essas câmeras produzem, com todo o grão, sai direto para o feed e é postada dentro do mesmo sistema digital que ela deveria contestar. E boa parte da estética analógica que circula nas redes nem passa por uma câmera de verdade. É filtro de celular que simula grão e vazamento de luz sobre uma foto tirada no próprio telefone. Nesses casos a câmera antiga vira enfeite, um objeto de cena que aparece na mão de quem fotografa e na foto de perfil, enquanto a imagem que alimenta o feed continua nascendo digital do começo ao fim.</p> <h2>A engrenagem que empurrou até aqui</h2> <p>Para entender por que uma geração inteira está cansada a ponto de forjar uma nostalgia por um tempo que nunca viveu, é preciso olhar para o desenho dos aparelhos e aplicativos que ocupam o tempo dela.</p> <p>Um aplicativo de rede social não é neutro. Cada elemento dele, do jeito que o feed rola sem fim até a forma como as notificações chegam, foi desenhado para prender a atenção da pessoa pelo maior tempo possível. Esse tempo é convertido em dado, o dado é vendido para anunciante, e o anunciante paga mais quanto mais tempo a pessoa passar olhando a tela. O modelo de negócio inteiro depende de a pessoa não conseguir parar.</p> <p>Esse modelo tem nome na literatura sobre tecnologia: capitalismo de vigilância, termo cunhado pela pesquisadora Shoshana Zuboff para descrever um sistema em que o comportamento da pessoa, não só o tempo dela, vira matéria-prima. Cada rolagem, cada pausa na tela, cada curtida alimenta um perfil que prevê e direciona a próxima ação do usuário. A pessoa não precisa entender esse cálculo para estar dentro dele. Basta usar o aplicativo todo dia.</p> <p>Empresas de pesquisa de mercado já tratam esse desgaste como fato consolidado. A MIDiA Research afirma que tempo e atenção são recursos finitos, algo que a própria indústria já sabe muito bem, e descreve como o público está tentando recuperar parte desse tempo que hoje é dedicado ao celular. No primeiro trimestre de 2024, mais de três quartos dos consumidores entrevistados pela MIDiA disseram ter tentado reduzir o tempo de tela, principalmente apagando aplicativos do celular.</p> <p>A recusa da Geração Z não precisa ser consciente para ter peso. Não há como afirmar que quem troca o smartphone de última geração por um celular com teclado físico faz isso como ato deliberado contra o capitalismo de vigilância. É mais provável que a maioria sinta apenas o cansaço, sem nomear a causa nem pensar a decisão em termos políticos. Ainda assim, o gesto de escolher um objeto com limite, vinte e sete fotos reveladas em vez de três mil guardadas na nuvem, um disco físico em vez de uma faixa perdida em playlist algorítmica, retira aquela pessoa, por um momento, do fluxo de dado que sustenta o sistema. A intenção pode não estar lá. O efeito material está. O disco físico ou a foto impressa têm limite, e é exatamente esse limite que devolve valor a cada faixa e cada imagem, porque uma coleção de 5 mil músicas ouvidas em streaming dificulta lembrar até o nome de quem canta.</p> <h2>A recusa que virou produto</h2> <p>O problema é que essa recusa foi identificada, nomeada e vendida de volta para quem a estava fazendo, na mesma velocidade em que ela apareceu.</p> <p>A cooptação não é acidental nem recente. Já em 2001, pesquisadores de marketing descreveram o retrobranding como estratégia deliberada, que combina o design de um período passado com a tecnologia do presente, criando o que chamam de graus de autenticidade. Nenhum produto retrô é realmente antigo, ele foi construído para parecer antigo. Marcas como Granado, Brastemp e Mococa já usam embalagem e identidade visual antigas há mais de uma década, exatamente para vender a mesma saudade que hoje move a compra de uma câmera Instax.</p> <p>Quando corporações de tecnologia perceberam que a geração mais jovem procurava a estética crua e imperfeita, a resposta veio rápido. Marcas como Urban Outfitters e a própria Apple passaram a produzir e vender design neovintage em escala. A recusa à inovação constante virou nicho hiperlucrativo dentro da própria lógica que ela recusava.</p> <figure id="attachment_64734" aria-describedby="caption-attachment-64734" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" loading="lazy" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/07/freewrite.png" alt="Ilustrações de um Freewrite e um EP-133." width="1440" height="590" class="size-full wp-image-64734"><figcaption id="caption-attachment-64734" class="wp-caption-text">Freewrite (esq.): e-ink, sem internet. EP-133: fricção como interface. Ilustração: Cíntia Vitorino.</figcaption></figure> <p>O caso da Fujifilm resume essa virada melhor do que qualquer outro. A empresa não vende puramente o passado, vende uma ponte entre a estética analógica e a conveniência digital. Modelos híbridos como a Instax Wide Evo permitem revisar, editar e escolher a imagem numa tela digital antes de decidir se vale a pena gastar o filme, que é caro e configura o verdadeiro obstáculo do negócio. A escassez que antes era física, o rolo de filme com número limitado de poses, virou escassez simulada por firmware, calculada para preservar a margem de lucro sem abrir mão da promessa de autenticidade.</p> <p>O mesmo aconteceu com o próprio ato de sair das redes. Levantamento da MIDiA mostrou que o Instagram foi, ao mesmo tempo, um dos aplicativos mais apagados e um dos mais baixados de novo, formando um ciclo de baixar, apagar e baixar outra vez que só infla os números da empresa nos dois sentidos. Tentar sair da rede virou, ela própria, uma métrica que alimenta o sistema que a pessoa estava tentando deixar.</p> <p><figure id="attachment_64735" aria-describedby="caption-attachment-64735" style="width: 320px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" loading="lazy" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/07/nothing-phone.png" alt="Ilustração dos “glifos” na parte de trás de um celular da Nothing." width="320" height="496" class="size-full wp-image-64735"><figcaption id="caption-attachment-64735" class="wp-caption-text">Carcaça transparente, matriz de LED: a estética de circuito como assinatura de um aparelho de ponta. Ilustração: Cíntia Vitorino.</figcaption></figure>O passo mais recente dessa captura é vender de volta a própria desconexão como experiência de consumo. Encontros presenciais sem celular, clubes de leitura offline, cafés que cobram para guardar o telefone na entrada, campanhas de marketing inteiras desenhadas especificamente para uma economia da atenção fragmentada. A pesquisa MIDiA já chama esse movimento de faca de dois gumes para a própria indústria do entretenimento, porque devolve margem maior por produto, mas em volume muito menor do que o consumo digital em massa que ele substitui.</p> <h2>O que fica</h2> <p>A camisa de um time extinto, comprada por alguém que nunca viu aquele time jogar, e a câmera antiga que na prática vira enfeite enquanto a foto de verdade sai do próprio celular, contam a mesma história por ângulos diferentes. Uma geração inteira sentiu, na pele, o custo de viver dentro de um sistema desenhado para nunca soltar sua atenção, e respondeu buscando objetos com limite, peso e tempo próprio.</p> <p>Essa resposta é real. O cansaço que a origina também é. Mas o mesmo mercado que desenhou o sistema de onde essa geração está tentando escapar já aprendeu a vender o próprio escape, embalado, com firmware, filtro de grão e campanha de marketing.</p> <p>A recusa não desapareceu dentro dessa captura. Ela continua sendo, no fundo, uma recusa genuína a um modelo de negócio que trata tempo de vida como matéria-prima. O que mudou é que agora ela também é vitrine.</p> <p class="ctx"><strong>Nota do editor:</strong> A Cíntia é pesquisadora vinculada à UFBA e criadora de artefatos digitais interativos. <a href="https://cintiavtrn.github.io/retrotech/">A versão original deste texto</a> é uma viagem, com um mapa isométrico navegável todo feito com ilustrações vetoriais. Mesmo que tenha lido o texto inteiro aqui, vale dar uma passada por lá. E <a href="https://cintiavitorino.com.br/">no site dela</a> também.</p>
  6. Novo Órbita, agora em domínio próprio

    Tue, 28 Jul 2026 23:33:29 -0000

    Após meses de desenvolvimento e muitos testes, o Órbita recebe sua maior atualização, com software desenvolvido do zero e em domínio próprio. Confira as novidades.
    <p class="ctx"><strong>Atualização (29/7, às 7h30):</strong> O envio de e-mails foi estabilizado. Se você ainda não recebeu o seu, solicite o link no <a href="https://orbita.social.br/forgot-password">“esqueci a senha”</a>.</p> <p class="ctx"><strong>Atualização (21h55):</strong> Deu ruim no nosso fornecedor de e-mails transacionais. Quase ninguém (ou ninguém?) recebeu o e-mail com as instruções de migração da conta e novos cadastros foram suspensos porque não funcionariam de qualquer forma. Estamos trabalhando para corrigir esse probleminha.</p> <p>Após meses de desenvolvimento e muitos testes, o Órbita recebe sua maior atualização, com software desenvolvido do zero e em domínio próprio. Atualize seus favoritos para <a href="https://orbita.social.br">orbita.social.br</a>.</p> <p>Se você tinha uma conta no Órbita antigo com pelo menos um post ou comentário publicado, ela foi migrada automaticamente para o novo e você receberá (se já não recebeu) um e-mail atualizando sua senha de acesso.</p> <p>O Órbita vinculado ao blog do <strong>Manual</strong> foi desativado. O blog do <strong>Manual</strong> voltará a ser apenas mais um blog pessoal sobre tecnologia, como era até 9 de fevereiro de 2023, quando o Órbita estreou. Aos (muitos) leitores que reclamaram por anos da minha atenção dividida entre blog e Órbita, acho que as coisas ficarão mais interessantes por aqui. (Continuarei participando e moderando o novo Órbita.)</p> <p><a href="https://orbita.social.br">O novo Órbita</a> é resultado do esforço do <a href="https://altendorfme.com">Renan Altendorf</a> com uma infinidade de pitacos meus. (Desculpa, Renan!) Antigos problemas foram sanados e recursos pedidos para o Órbita antigo, enfim, atendidos. Por exemplo:</p> <ul> <li>Mais filtros para os posts além dos dois que existiam (conversas populares e ordem cronológica inversa).</li> <li>Opção para salvar posts para retornar a eles mais tarde.</li> <li>Editor de posts e comentários com suporte a Markdown.</li> <li>Notificações seletivas, no site e por e-mail.</li> <li>Mais tipos de reações, agora baseadas em emojis.</li> </ul> <p>Seguimos abertos a sugestões e agradecemos de antemão por alertas de falhas e comportamentos inesperados. O código do Órbita será aberto em breve, para ficar alinhado com <a href="https://github.com/manualdousuario/">tudo que fazemos no <strong>Manual do Usuário</strong></a>.</p> <p>A gente espera que os atuais participantes e os que virão curtam essa nova versão do Órbita. A gente se vê por lá!</p>
  7. A mesa de trabalho do Pedro

    Mon, 27 Jul 2026 16:44:36 -0000

    A mesa de trabalho do Pedro, engenheiro civil que trabalha com projetos de geometria e terraplenagem de obras de infraestrutura. Ele a divide com sua companheira, professora de inglês.
    <p class="ctx"><label>Nota do editor</label> Nesta seção, leitores do <strong>Manual</strong> mostram suas mesas (e o que tem em cima delas), explicam o que usam e como, e nessa todo mundo aprende alguma coisa nova. <a href="https://manualdousuario.net/assunto/mesas-de-trabalho/">Veja outras mesas</a> e, se puder, <a href="https://tally.so/r/w2dzqb">envie a sua</a>.</p> <p>Me chamo <a href="https://pedro.dalbo.me/">Pedro</a>, tenho 41 anos. Trabalho com projetos de geometria e terraplenagem de obras de infraestrutura, principalmente rodoviárias, sou formado em engenharia civil.</p> <p>Tem tempos que tenho interesse em mandar minha mesa de trabalho, mas como sempre trabalhei em regime presencial, não achava interessante mandar a mesa do escritório. No trabalho atual, onde comecei no final do ano passado, estou em regime híbrido e montei uma estrutura para o teletrabalho que acho que vale compartilhar. Ainda não está do jeitinho que quero, mas quando estiver compartilho novamente.</p> <p>Ah, tentarei colocar a data em que comprei cada item.</p> <p><span id="more-64700"></span></p> <h2>Mesa</h2> <p>A mesa que uso é uma mesa em &quot;L&quot; que minha conpanheira comprou num brechó. A mesa tem quase 1,5m de largura, é enorme, o que dá um bom conforto para trabalhar. Como ela é usada, não temos ideia da marca [nov/2025].</p> <p>Eu compartilho a mesa com minha companheira, trocamos de notebooks dependendo de quem vai usar ou simplesmente tiro o meu e guardo numa gaveta. Ela é professora de inglês e usa a mesa para preparar ou ministrar as aulas.</p> <h2>Computador</h2> <p>Meu computador pessoal é um <strong>Avell i52</strong> [maio/2025]. Comprei ele para um trabalho (famoso bico) que me apareceu e agora uso ele no emprego atual quando estou em teletrabalho. O notebook da empresa é bem bom, mas muito pesado para o leva-e-traz.</p> <p>O teclado uso do próprio notebook, tanto em casa quanto no escritório, principalmente pela posição do notebook em relação ao segundo monitor. Não me desagrada o teclado do notebook e tem o ponto de que se a tela do notebook ficasse mais distante, seria ruim, para mim, aproveitar uma resolução maior. Existem hoje alguns teclados ergonômicos interessantes, mas meus sonhos de consumo seriam (em ordem de preferência) o teclado Sculpt da Microsoft e o Ergo K860 da Logitech.</p> <p>O mouse eu uso um <strong>Logitech Lift para canhotos</strong> [jun/2025]. Esse eu comprei para melhorar a empunhadura e gostei demais do uso. Apesar do <a href="https://manualdousuario.net/bom-mouse-logitech-m110-m90/">Ghedin não ver muito sentido</a>, ter um mouse com alguns botões extras ajuda demais, mas eles realmente não precisavam custar tão caro. Esse eu levo e trago ao escritório em dias de presencial. Faz toda a diferença o mouse ergonômico e os botões de atalho, depois que acostuma, fica difícil ficar sem. Meu sonho ainda é um trackball, mas para canhotos está bem complicado de encontrar opções, no Brasil e lá fora também. 😥</p> <p>Os monitores são:</p> <ul> <li><strong>LG 24M5500</strong> [nov/2025], com o suporte um <strong>NB F80 (North Bayou)</strong> [nov/2025]. O monitor é cedido pela empresa que trabalho para o teletrabalho. Meu sonho atual é um <em>ultrawide</em> de 34” para substituir o de 24” e ainda servir quase como dois monitores. Faz muita falta trabalhar com mais área de trabalho em aplicativos CAD.</li> <li><strong>Arzopa S1 Table</strong> [jun/2023], com um suporte de mesa genérico [abr/2025]. Curioso que o monitor portátil comprei antes dessa onda de monitores portáteis desaguar aqui no Brasil, primeiramente para ter uma segunda tela quando viajava para Belo Horizonte para visitar minha companheira e precisava de um segundo monitor para o teletrabalho. Hoje ele fica de terceiro monitor aqui em casa. O uso principal dele é para deixar o Outlook, o Teams e o explorador de arquivos e abrir um documento ou outro de consulta.</li> <li>por fim, a tela do notebook, na distribuição de telas, funciona como tela principal para documentos e planilhas de apoio para os projetos ou quando estou construindo relatórios.</li> </ul> <figure id="attachment_64702" aria-describedby="caption-attachment-64702" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" loading="lazy" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/07/mesa-trabalho-pedro-dal-bo-2.jpg" alt="Mesa de trabalho do Pedro por outro ângulo, com notebook fechado e monitores desligados." width="1440" height="1080" class="size-full wp-image-64702"><figcaption id="caption-attachment-64702" class="wp-caption-text">Foto: Pedro Dal Bó/Arquivo pessoal.</figcaption></figure> <p>Os fones de ouvido são:</p> <ul> <li><strong>Kuba Mali2</strong> [jan/2026] que comprei em 2025 na pré-venda. Antes eu tinha um Galaxy Buds2 [2022], que no início de 2025 apresentou um problema de zumbido em um dos fones e nunca tive disposição para levar na Samsung ao menos para ouvir &quot;não temos o que fazer, senhor&quot;. O Kuba eu uso mais para ouvir música e ele fica pareado com o celular mesmo. Gosto que ele tem o modo ambiente que ajuda a ouvir os gatos ou o interfone, sem incomodar.</li> <li>O outro é um Logitech, o <strong>Zone300</strong> [jul/2025], que tinha comprado para minha companheira, mas ela achou um Basseus Bowie H1 num brechó, e agora uso o Zone de headset para reuniões de trabalho. Esse é um fone que me surpreendeu, atende muito bem e cancela bem o barulho externo em reuniões. Uma outra vantagem é não ser muito pesado. Em algumas reuniões mais longas, demora até que comece a incomodar próximo à aste dos óculos.</li> </ul> <p>Tenho sempre um caderninho sem pauta para as notas diárias e reuniões. Ainda prefiro usar papel e <strike>caneta</strike> um lápis para essas anotações. São caderninhos genéricos, muitas vezes recebidos como brindes em eventos que minha mãe (que é intérprete) faz. (Infelizmente ele não estava na mesa na hora da foto.)</p> <p>Além disso tenho um apoio pra copo do SPFC que ganhei de presente de um grande amigo, ele mesmo fez. Uma recordação linda que tenho dessa amizade que minha estadia no Rio de Janeiro fez o favor de me dar.</p> <p>Para finalizar, tenho um <a href="https://kumori.com.br/produtos/deskmats/kumori-deskmat-cozy-feltro-manual-kumori"><strong>deskmat da Kumori</strong></a> [jun/2023] em parceria com o <strong>Manual do Usuário</strong>. Comprei no lançamento e além de bonito ajuda demais ao substituir os mousepads pequenos e os gatos adoram deitar nele.</p> <p>Já ia esquecendo da cadeira. É uma <strong>Ergonomic Office Chair</strong> cinza da H. Homall [nov/2025]. Não tenho ideia de que marca é essa, comprei na Black Friday do Mercado Livre por recomendação do meu irmão. É bastante confortável e minha companheira adora, especialmente o apoio retrátil para os pés.</p> <p>Na mesa não tem muitos enfeites. Esse trabalho eu deixo para os gatos que ficam se revezando e deitam na mesa para ficarem comigo enquanto trabalho. Mesmo que tivessemos alguma coisa em cima da mesa, acredito que os gatos não dariam sossego pra elas. Deixo sempre umas toalhas na mesa para orientar onde os gatos devem deitar, quem tem gato sabe que isso pode ou não funcionar e é o que acontece.</p> <p>Essa é a minha mesa e como a utilizo quando ela é minha mesa de trabalho.</p>
  8. Suporte básico a telas E-Ink no Readeck para Android

    Mon, 27 Jul 2026 14:33:55 -0000

    A pessoa que abriu a “issue” para pedir por melhor suporte a telas E-Ink no aplicativo do Readeck para Android, que comentei nas primeiras impressões do Boox Go, nos deu um presente neste domingo: subiu modificações para este fim e um binário pronto para uso. Ainda carece de polimento, mas já é uma avanço significativo.
    <p>A pessoa que abriu a “issue” para pedir por melhor suporte a telas E-Ink no aplicativo do Readeck para Android, que comentei nas <a href="https://manualdousuario.net/boox-go-10-3-lumi-primeiras-impressoes/">primeiras impressões do Boox Go</a>, nos deu um presente neste domingo: <a href="https://github.com/jensomato/ReadeckApp/pull/178">subiu modificações</a> para este fim e <a href="https://github.com/dalekirkwood/readeckapp-eink-preview">um binário pronto para uso</a>. Ainda carece de polimento, mas já é uma avanço significativo.</p>
  9. A OpenAI (supostamente) hackeou a HuggingFace com uma IA

    Fri, 24 Jul 2026 12:57:45 -0000

    Se a história contada por esses dois comunicados à imprensa for 100% verdadeira, então o hackeamento da HuggingFace pela OpenAI foi um caso de incompetência batendo de frente com incompetência — que os dois lados transformaram numa jogada mútua de marketing. Mais um do David Gerard, do blog Pivot to AI.
    <p>Em 16 de julho, o repositório de modelos de IA HuggingFace publicou um <a href="https://github.com/huggingface/blog/blob/main/security-incident-july-2026.md">relatório de incidente de segurança</a>. Bom, “relatório de incidente” é bondade minha; o texto se parece mais com um comunicado à imprensa do apocalipse de IA:</p> <p><span id="more-64694"></span></p> <blockquote><p>No início da semana, detectamos e respondemos a uma invasão em parte da nossa infraestrutura em produção. Esta foi diferente de tudo que já tínhamos visto antes em um aspecto importante: ela foi conduzida, do início ao fim, por um sistema de agentes de IA autônomo — e nós detectamos e dissecamos o ataque em grande parte com a nossa própria IA.</p> <p>[…] Isso bate com o cenário de “atacante agêntico” que o setor vem prevendo há algum tempo.</p></blockquote> <p>Será que isso é mesmo um relatório de incidente? Parece mais uma peça de marketing. Causa raiz: a IA era boa demais.</p> <p>E aí, na terça (21), <a href="https://openai.com/index/hugging-face-model-evaluation-security-incident/">a OpenAI se pronunciou</a> para dizer que a culpada foi a super poderosa IA deles ainda não lançada:</p> <blockquote><p>Esse incidente específico foi conduzido por uma combinação de modelos da OpenAI — incluindo o GPT-5.6&nbsp;Sol e um modelo em pré-lançamento ainda mais capaz, ambos com salvaguardas de cibersegurança reduzidas para fins de avaliação — enquanto era testado internamente em um benchmark de capacidades cibernéticas.</p> <p>Consideramos esse incidente sem precedentes, envolvendo capacidades cibernéticas de ponta.</p></blockquote> <p>Isso é a OpenAI admitindo algo que normalmente configuraria um crime. E passando um verniz marqueteiro em cima do crime.</p> <p>Quanto dessa história contada pelos dois comunicados de imprensa… realmente aconteceu? E, se algo aconteceu de fato, foi tão exagerado quanto a OpenAI e a HuggingFace estão pintando?</p> <p>A OpenAI diz que mandou o robô deles resolver o benchmark <a href="https://github.com/sunblaze-ucb/exploitgym">ExploitGym</a>. Esse é um benchmark de modelo disponível publicamente, lançado em junho, do tipo que todo mundo ajusta seu modelo para bater. Dá pra simplesmente baixá-lo. Ou treinar em cima dele.</p> <p>A OpenAI mandou o modelo achar as respostas — e o modelo saiu hackeando tudo em seu caminho, para fora do sandbox da OpenAI, e foi parar dentro da HuggingFace!</p> <p>A manchete do post da OpenAI é “OpenAI e Hugging Face firmam parceria para resolver incidente de segurança”. A palavra “parceria” aí soa como se a OpenAI tivesse pago um agrado à HuggingFace para pedir, por favor, não acione a polícia.</p> <p>A HuggingFace destacou que descobriu que o ataque estava rolando usando um modelo de peso aberto que ela mesma hospedava, porque as salvaguardas de segurança do modelo comercial que a HuggingFace tentou usar primeiro não deixavam fazer o trabalho de segurança. Ou seja: use modelos de peso aberto da HuggingFace.</p> <p>Tudo isso soa como se a HuggingFace tivesse ficado meio incomodada com alguma coisa, mas a OpenAI fez alguma coisa pra se reconciliar com ela? E agora os dois lados estão inflando o episódio ao extremo, claramente por interesses comerciais.</p> <p>O que aconteceu de verdade?</p> <p>Tentar chegar à verdade a partir de sutilezas da linguagem é difícil aqui, porque é quase certeza que a OpenAI usou o ChatGPT e a HuggingFace, o Claude, mas dá para sacar algumas coisas.</p> <p>Isso foi, antes de tudo, um desastre de vibe coding. O estimado Jonny, do Neuromatch, <a href="https://neuromatch.social/@jonny/116962420054181281">rastreou o código-fonte</a> da ferramenta interna de processamento de dados que a HuggingFace estava usando:</p> <blockquote><p>Código escrito por IA para alimentar mais dados para outra IA no mínimo estava associado a — quando não introduziu — alguma vulnerabilidade que agora está sendo corrigida às pressas com mais rodadas de código de IA, enquanto os testes continuam falhando.</p> <p>[…] suas medidas de segurança se resumem a fazer esses arremedos mambembes no seu próprio código.</p></blockquote> <p><a href="https://tech.lgbt/@eestileib/116962477028031577">O usuário do Mastodon eestelieb notou</a> que o processamento de dados da HuggingFace consiste em “colocar um texto na frente com instruções de processamento e uma tag SGML, e então entregar esse blob a um LLM”.</p> <p>A HuggingFace parece ter vibecodado o próprio software até o último fiapo. Eles alimentam esse emaranhado de vibecode com qualquer coisa vinda da internet hostil. Um chatbot então manda o que ele entendeu disso tudo para uma conta de serviço que poderia rodar qualquer comando de Kubernetes com controle total.</p> <p>Quando tudo dá errado, eles “analisam” com mais IA. Depois corrigem com mais IA.</p> <p>O lado da OpenAI não é muito melhor. O post da OpenAI usa voz passiva do início ao fim. Eles falam como se o chatbot simplesmente tivesse decidido sair por aí hackeando coisas, quando, na verdade, eram as pessoas da OpenAI que estavam rodando o sistema e tinham responsabilidade sobre as coisas que o computador deles fazia sob seu comando.</p> <p>Como foi que o robô escapou da sandbox vibecodada? (A OpenAI se gaba do uso interno intenso do Codex.) Eles vibecodaram a sandbox, imagina só.</p> <p>A forma certa de testar ferramentas de hacking é usar um “air gap” — um sistema sem hardware de rede, ou numa rede fisicamente isolada. Você não testa uma ferramenta de invasão dentro de algo que você chama de “sandbox”, mas que ainda está conectado à internet. Faz-se do jeito certo. A não ser que você seja uma empresa de IA.</p> <p>Adorei esse trecho do post da OpenAI:</p> <blockquote><p>[…] estamos implementando controles rígidos na configuração de infraestrutura, ao custo da velocidade de pesquisa.</p></blockquote> <p>Tradução: até agora, fazer as coisas direito só estava atrapalhando a OpenAI. Mais rápido! Quebre tudo!</p> <p>Se a história contada por esses dois comunicados à imprensa for 100% verdadeira, então o hackeamento da HuggingFace pela OpenAI foi um caso de incompetência batendo de frente com incompetência — que os dois lados transformaram numa jogada mútua de marketing.</p> <p>A parte realmente assustadora dessa história é que ser burro o suficiente para algo assim ser possível é justamente o futuro que os techbros do vibe coding querem para você. Sugiro não aceitar essa oferta.</p> <p class="ctx"><a href="https://pivot-to-ai.com/2026/07/22/openai-hacks-huggingface-with-an-ai-allegedly/">Publicado originalmente no <cite>Pivot to AI</cite></a> em 22/7/2026.</p>
  10. Guarde as suas fotos no iCloud. É super legal!

    Thu, 23 Jul 2026 17:12:40 -0000

    Guarde todas as suas fotos no iCloud! É super conveniente. Fácil de usar. Integração! Ecossistema da Apple! E é mesmo. Corta para alguns anos mais tarde. Talvez eu devesse fazer um becape das minhas fotos *fora* do iCloud. Inicia a exportação. “7 fotos ausentes.”
    <figure id="attachment_64687" aria-describedby="caption-attachment-64687" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" loading="lazy" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/07/fotos-ausentes-exportacao-fotos-icloud.png" alt="Print da saída do osxphotos no terminal, indicando a ausência de sete fotos." width="960" height="676" class="size-full wp-image-64687"><figcaption id="caption-attachment-64687" class="wp-caption-text">Quais?</figcaption></figure> <p>Guarde todas as suas fotos no iCloud! É super conveniente. Fácil de usar. Integração! Ecossistema da Apple!</p> <p>E é mesmo.</p> <p>Corta para alguns anos mais tarde.</p> <p>Talvez eu devesse fazer um becape das minhas fotos *fora* do iCloud.</p> <p>Inicia a exportação.</p> <p>“7 fotos ausentes.”</p> <p>🤡</p>
  11. Links legais da semana

    Thu, 23 Jul 2026 16:00:12 -0000

    Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web.
    <p class="ctx">Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? <a href="https://manualdousuario.net/assunto/links-legais/">Acesse o arquivo</a>.</p> <p><a href="https://theuselessweb.com/sites-we-lost/">The Sites We Lost</a>. Arquivo com sites que integravam o The Useless Web e saíram do ar.</p> <p><a href="https://clipart.studio">clipart.studio</a>. Crie colagens com revistas de papel, só que no digital.</p> <p><a href="https://www.mixfont.com/experiments/decoy-font">Fonte anti-IA</a>. Esta fonte disfarça o conteúdo com palavras diferentes sobrepostas. Legal, mas com o detalhe de que o texto original também é difícil para seres humanos (eu, pelo menos). <a href="https://manualdousuario.net/orbita-post/fonte-anti-ia/">Dica do arrthur</a>.</p> <p><a href="https://www.neatnik.net/steganographr/">Steganographr</a>. Outra maneira de ocultar mensagens, esta para seres humanos. Este sistema usa caracteres obscuros do Unicode para ocultar o texto original usando esteganografia.</p> <p><a href="https://www.hmd.com/en_int/nokia-210-4g?sku=1GF043CPE1A02">Nokia 210 4G com botão de IA</a>. Diretamente de uma linha do tempo alternativa, um Nokia “jogo da cobrinha” com botão de IA. Ninguém respeita mais nada mesmo.</p> <p><a href="https://github.com/tonhowtf/omniget">Omniget</a>. O yt-dlp é uma pequena maravilha para baixar vídeos do YouTube e de outras plataformas, mas a linha de comando intimida muita gente. O Omniget oferece uma interface gráfica. FOSS, para Linux, macOS e Windows. Dica do Antonio.</p> <p><a href="https://store.steampowered.com/app/4404580/MOBU/"><cite>MOBU</cite></a>. Um “roguelite de ação” (não me pergunte) desenvolvido pelo irmãos Matheus e Alicia. (Ele, leitor deste <strong>Manual</strong>.) Para Windows e Linux, por menos de R$&nbsp;20.</p>
  12. “Inteligência artificial saiu do controle e fez algo que não devia…

    Thu, 23 Jul 2026 14:25:30 -0000

    “Inteligência artificial saiu do controle e fez algo que não devia, diz empresa dona da IA” é marketing terrorista voltado a políticos e empresários. O desafio da baleia azul dos engravatados. A boneca momo que aterroriza o PIB. O pior é que os caras caem nessa lorota.
    <p>“Inteligência artificial saiu do controle e fez algo que não devia, diz empresa dona da IA” é marketing terrorista voltado a políticos e empresários. O desafio da baleia azul dos engravatados. A boneca momo que aterroriza o PIB. O pior é que os caras caem nessa lorota.</p> <p>Note o tom da chamada: <a href="https://braziljournal.com/agentes-da-openai-escapam-durante-teste-e-fazem-ataque-cibernetico-tudo-por-conta-propria/">Agentes da OpenAI escapam durante teste e fazem ataque cibernético. Tudo por conta própria</a>.</p>
  13. Boox Go 10.3 (gen II) Lumi: Um tablet Android e, não bastasse isso, com tela E-ink

    Wed, 22 Jul 2026 17:15:37 -0000

    Lembra quando eu contei que estava usando o Kindle como meu jornal particular? E que aquela solução era ideal porque eu não precisava comprar outra bugiganga? Então… Comprei um tablet Android com tela E-ink.
    <p>Lembra quando eu contei que estava <a href="https://manualdousuario.net/kindle-ler-feeds/">usando o Kindle como meu jornal particular</a>? E que aquela solução era ideal porque eu não precisava comprar outra bugiganga?</p> <p>Mantenho aquela opinião, mas comprei outra bugiganga para ser o meu “jornal particular”: um tablet <a href="https://shop.boox.com/products/go103gen2lumi">Boox Go 10.3 (Gen II) Lumi</a>. (Ufa! Daqui em diante, chamarei-o apenas de Boox Go.)</p> <p><span id="more-64663"></span>Essa marca, Boox, não atua no Brasil. Ela é especializada em dispositivos Android com telas E-ink, a mesma do Kindle, em diferentes tamanhos de tela. Ficou mais conhecida pela linha Palma, um leitor digital do tamanho de um celular.</p> <p>Meu Boox Go, o de segunda geração, é o modelo mais recente deles. A maior novidade é a presença de iluminação na versão (pouca coisa) mais cara. Ela também sai de fábrica com o Android na versão 15. A geração passada vinha e permanece com o Android&nbsp;11, sem indícios de que algum dia será atualizada.</p> <p>Apesar do Android recente, o da Boox sempre foi bem diferente daquela que se vê em celulares e tablets convencionais. Há um “launcher” próprio e uma pequena seleção de aplicativos da própria fabricante, com as possibilidades de expansão em uma lojinha própria, com poucos aplicativos recomendados, e a Play Store do Google.</p> <p>Poderia usá-lo assim? Sim. Só que eu sendo eu, claro que fui caçar confusão a fim de remover todas as coisas da Boox e do Google. Desde o início, meu objetivo era ter um tablet Android “ideal”.</p> <p>Adianto que consegui, mas não sem sofrimento. É como o Bruno De Blasi resumiu no seu relato do <a href="https://sudormrf.click/2026/07/assinei-um-telefone-fixo/">retorno ao telefone fixo</a> (há gente em estado pior que eu, afinal):</p> <blockquote><p>Afinal, por que estou depositando tanta energia nesses objetos? Por que estou me concentrando tanto em coisas que eu, volta e meia, reclamo ou digo que não gosto? Até que, um dia, soltei: “talvez eu esteja usando só porque está disponível.”</p></blockquote> <p>***</p> <p>Tablets Android nunca alcançaram o mesmo nível de prestígio do iPad junto a desenvolvedores. Na prática, isso se traduz numa escassez digna de nota de aplicativos adaptados à tela grande.</p> <p>Um tablet com tela E-ink traz outra dimensão a esse cenário de miséria. Não é legal rolar telas no E-ink. Por mais rápida que a taxa de atualização da tela seja, a animação fica toda zoada e a tela “suja”, ou seja, sobram resquícios das imagens anteriores devido à própria tecnologia E-ink.</p> <p>Bons aplicativos para telas E-ink trocam a rolagem por paginação, como se fossem livros (ou <kbd>Page&nbsp;Down</kbd> e <kbd>Page&nbsp;Up</kbd>, para os millennials que ainda usam computador). A paginação diminui a “sujeira” reminiscente do E-ink. Esse sistema também desorienta menos.</p> <p>Disso veio a primeira decepção: o <a href="https://f-droid.org/packages/de.readeckapp/">aplicativo para Android do Readeck</a>, serviço de “ler depois” que uso, não tem paginação. Verdade seja dita, o aplicativo é precário mesmo em telas comuns, incluindo o do iOS.</p> <p>Há <a href="https://github.com/jensomato/ReadeckApp/issues/135">uma “issue” aberta</a> no repositório do aplicativo em dezembro de 2025, sem atualizações relevantes desde então. Eu não esperaria de pé por tais melhorias, mas seguirei esperando sentado. Enquanto isso, fui buscar uma alternativa.</p> <p>Desenhou-se à minha frente uma situação bastante inusitada: descobrir essa limitação no Readeck às vésperas de <a href="https://pcdomanual.com/wallabag-encerramento/">encerrarmos o Wallabag no PC do Manual</a>. O aplicativo do Wallabag é bem chinfrim também, mas tem a opção de paginação.</p> <p>Pedi ao Claude para fazer um script de migração do Readeck para o Wallabag e subi uma instância desse no meu servidor doméstico. Funcionou.</p> <p>Outro aplicativo que me deu dor de cabeça foi um navegador web. Testei o <a href="https://f-droid.org/pt_BR/packages/info.plateaukao.einkbro">EinkBro</a>, que se apresenta como um otimizado para telas E-ink. De fato, ele está em casa no Boox, mas as outras funcionalidades deixam um pouco a desejar, ou assim me pareceu à primeira vista. Talvez o revisite mais à frente.</p> <p>Fui pesquisar soluções para o que já me era conhecido (Firefox e Chromium) e encontrei a sugestiva extensão <a href="https://addons.mozilla.org/pt-BR/firefox/addon/pag-up-and-down-scroll-buttons/">Page up and down scroll buttons</a> para o Firefox. Instalei o <a href="https://f-droid.org/pt_BR/packages/org.mozilla.fennec_fdroid">Fennec</a>, um fork menos poluído do Firefox, e problema resolvido. (Não que fosse um problemão; o que menos estou usando nesse tablet é o navegador web.)</p> <figure id="attachment_64665" aria-describedby="caption-attachment-64665" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" loading="lazy" src="https://manualdousuario.net/wp-content/uploads/2026/07/boox-olauncher.jpg" alt="Detalhe da tela inicial do Olauncher no Boox Go 10.3 (gen II) Lumi, com quatro aplicativos." width="1440" height="960" class="size-full wp-image-64665"><figcaption id="caption-attachment-64665" class="wp-caption-text">Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.</figcaption></figure> <p>Por fim, instalei o <a href="https://f-droid.org/pt_BR/packages/com.capyreader.app">Capy Reader</a> para ler meus feeds sincronizados com o Miniflux do PC do Manual, e o <a href="https://f-droid.org/pt_BR/packages/org.koreader.launcher.fdroid">KOReader</a> para livros digitais. Também coloquei o <a href="https://f-droid.org/pt_BR/packages/com.chiller3.basicsync">BasicSync</a> para sincronizar meus livros com a biblioteca do computador e <a href="https://f-droid.org/pt_BR/packages/com.maxistar.textpad/">um editor de texto puro</a> porque sim, é sempre útil. Para finalizar, o <a href="https://f-droid.org/pt_BR/packages/app.olauncher/">Olauncher</a> com cores invertidas para deixar a tela inicial do tablet bonitona.</p> <p>Sinceramente? Acho que não preciso de mais nada neste tablet.</p> <p>***</p> <p>Adicionar aplicativos foi fácil. Instalei todos via F-Droid. O difícil foi remover os que eu não queria.</p> <p>Recorri ao <a href="https://github.com/Universal-Debloater-Alliance/universal-android-debloater-next-generation">Universal Android Debloater NG</a>, que <a href="https://manualdousuario.net/android-leve-universal-android-debloater/">já comentei aqui no <strong>Manual</strong></a>. Removi alguns pacotes e tal, mas <strike>a praga</strike> o software da Boox não saía por completo.</p> <p>Outro problema que me pegou foi a desativação periódica dos aplicativos que instalei pela F-Droid. A Boox tem um negócio chamado “congelamento” para os aplicativos, imagino que uma precaução devido à baixa quantidade de memória (4&nbsp;GB de RAM). Tive que voltar ao launcher da Boox para desativar esse recurso e prevenir que os meus aplicativos sumissem do Olauncher.</p> <p>O que me ajudou, mesmo, foi <a href="https://appsec.space/posts/onyx-boox-go-10.3/">este tutorial</a>. Ele não é específico para o Go 10.3 de segunda geração, mas as sobreposições são quase perfeitas. Acho que só desinstalei uma ou outra coisa extra de IA que não estava contemplada na lista do site.</p> <p>Devo notar que os primeiros dias de tentativa de configuração foram bem estressantes. Não sei explicar o porquê e já estou tratando isso na terapia.</p> <p>***</p> <p>Meu interesse por um tablet Android com tela E-ink foi despertado pela <a href="https://manualdousuario.net/tcl-nxtpaper-4/">análise daquele da TCL com tela Nxtpaper&nbsp;4.0</a>, que passou por aqui no início de 2026. Ao final dos testes, percebi que meu uso para um tablet é apenas leitura, e que um com a mesma tela do Kindle, só que maior, seria perfeito.</p> <p>De fato, o Boox tem suprido as minhas expectativas. Consigo ler nele todos os tipos de materiais que costumo ler (e agora também artigos em <code>*.pdf</code>!) em uma tela confortável, tudo sincronizado com o meu computador ou serviços na nuvem independentes, sem surpresas, com um consumo energético baixíssimo e zero estímulos indesejados.</p> <p>Uma canetinha e uma capa magnética vêm inclusos no pacote. A caneta, infelizmente, veio com a ponteira torta e as ponteiras sobressalentes se perderam na viagem. Não tenho uso para a caneta, então… ok? Uso a capa apenas para transportar o Boox&nbsp;Go, porque o tablet em si é finíssimo e leve. Temo que qualquer pressão nele possa entortá-lo ou coisa pior.</p> <p>Aliás, é um negócio tão leve (364g) e bem distribuído (por 10,3&nbsp;polegadas) que dá para segurá-lo com uma mão só, numa boa.</p> <p>Vou usá-lo por mais algum tempo para compartilhar impressões de longo prazo aqui, neste mesmo blog.</p>
  14. Soberania digital começa pela infraestrutura: por que hospedar sites, sistemas e aplicações no Brasil se tornou uma decisão estratégica

    Tue, 21 Jul 2026 13:55:10 -0000

    #publi A transformação digital também passa por onde seus dados estão hospedados. Conheça a Cloudx e descubra como infraestrutura brasileira pode melhorar desempenho, segurança e autonomia tecnológica.
    <p>Durante muitos anos, falar sobre hospedagem de sites significava apenas discutir preço, espaço em disco e quantidade de tráfego disponível. A internet amadureceu. Empresas passaram a depender integralmente de aplicações web, governos digitalizaram serviços públicos, universidades ampliaram projetos online e pequenos empreendedores descobriram que seus negócios vivem, literalmente, conectados à rede.</p> <p>Nesse novo cenário, uma pergunta ganhou importância: onde estão armazenados os dados?</p> <p>A resposta parece simples, mas envolve aspectos técnicos, econômicos, jurídicos e estratégicos. A localização física da infraestrutura influencia latência, disponibilidade, conformidade com a legislação, proteção das informações, impostos adicionais e até mesmo a autonomia tecnológica de um país.</p> <p>Cada vez mais organizações brasileiras passaram a compreender que soberania digital não é um conceito abstrato. Trata-se da capacidade de manter informações, aplicações e serviços críticos sob infraestrutura nacional, reduzindo dependências externas e fortalecendo o ecossistema tecnológico brasileiro.</p> <p><span id="more-64640"></span></p> <h2>A internet brasileira amadureceu</h2> <p>Há pouco mais de vinte anos, era comum que boa parte dos sites brasileiros estivesse hospedada em servidores localizados nos Estados Unidos. A justificativa era simples: havia pouca oferta nacional, custos elevados e limitações técnicas.</p> <p>Esse cenário mudou profundamente.</p> <p>O Brasil possui atualmente uma das maiores infraestruturas de conectividade da América Latina, com data centers modernos, redes de alta capacidade e um dos maiores Pontos de Troca de Tráfego (IX.br) do mundo.</p> <p>Isso permitiu que empresas nacionais oferecessem serviços capazes de competir em desempenho, estabilidade e disponibilidade com provedores internacionais em diversos segmentos.</p> <p>Além disso, o crescimento da economia digital fez surgir uma nova geração de empresas brasileiras especializadas em cloud computing, hospedagem, virtualização, armazenamento e plataformas de desenvolvimento.</p> <p>Mais do que infraestrutura, passou a existir conhecimento técnico produzido localmente.</p> <h2>Latência ainda faz diferença</h2> <p>Existe uma ideia equivocada de que a internet eliminou completamente as barreiras geográficas.</p> <p>Na prática, a distância física continua influenciando o desempenho.</p> <p>Quando um visitante acessa um site hospedado dentro do Brasil, o caminho percorrido pelos pacotes de dados costuma ser significativamente menor do que quando os servidores estão em outro continente.</p> <p>Essa redução de percurso impacta diretamente:</p> <ul> <li>Tempo de carregamento.</li> <li>Velocidade das aplicações.</li> <li>APIs.</li> <li>Ssistemas administrativos.</li> <li>Lojas virtuais.</li> <li>Painéis corporativos.</li> <li>Plataformas educacionais.</li> </ul> <p>Em aplicações modernas, onde centenas de requisições são realizadas simultaneamente, poucos milissegundos representam uma diferença perceptível para o usuário.</p> <h2>WordPress continua sendo protagonista da web</h2> <p>Mesmo após mais de duas décadas de evolução da internet, o WordPress permanece como a plataforma de gerenciamento de conteúdo mais utilizada do planeta.</p> <p>Seu sucesso está relacionado à flexibilidade, enorme comunidade de desenvolvedores, facilidade de administração e um ecossistema extremamente rico de temas e plugins.</p> <p>Mas o desempenho de um projeto em WordPress depende diretamente da infraestrutura onde ele está hospedado.</p> <p>Servidores configurados especificamente para WordPress conseguem entregar ganhos relevantes utilizando tecnologias como cache em nível de servidor, PHP atualizado, bancos de dados otimizados, armazenamento SSD ou NVMe e mecanismos modernos de compressão.</p> <p>Quando a infraestrutura está localizada no Brasil, o visitante ainda se beneficia da menor latência, fator que melhora a experiência de navegação.</p> <p>Para empresas brasileiras cujo público está concentrado no país, essa combinação costuma representar uma escolha técnica bastante racional.</p> <h2>Soberania digital também significa independência tecnológica</h2> <p>A discussão sobre soberania digital normalmente se concentra em governos.</p> <p>Entretanto, pequenas empresas também enfrentam riscos relacionados à dependência excessiva de plataformas estrangeiras.</p> <p>Mudanças repentinas de preços, alterações de políticas comerciais, indisponibilidade regional ou limitações técnicas podem afetar diretamente negócios que concentram toda sua infraestrutura em fornecedores internacionais.</p> <p>Diversificar fornecedores e fortalecer empresas brasileiras especializadas em infraestrutura representa uma forma de reduzir esses riscos.</p> <p>Da mesma maneira que diversos países investem em produção local de tecnologia, semicondutores e inteligência artificial, o fortalecimento de provedores nacionais ajuda a desenvolver conhecimento técnico dentro do próprio país.</p> <h2>Infraestrutura nacional impulsiona inovação</h2> <p>Uma característica interessante do mercado brasileiro é o surgimento de empresas que deixaram de atuar apenas como revendedoras de tecnologia para desenvolver soluções próprias.</p> <p>Esse movimento cria empregos qualificados, incentiva pesquisa, forma profissionais e amplia a capacidade de inovação nacional.</p> <p>A <a href="https://cloudx.com.br/">Cloudx</a> faz parte desse grupo ao investir não apenas em serviços de hospedagem e infraestrutura, mas também no desenvolvimento de software nacional.</p> <p>Entre esses projetos está o <a href="https://isistem.com.br/">Isistem</a>, sistema desenvolvido para atender necessidades específicas do mercado de hospedagem, oferecendo uma alternativa construída por uma empresa brasileira para empresas brasileiras.</p> <p>O desenvolvimento de software próprio cria conhecimento interno, reduz dependências tecnológicas e fortalece um ecossistema que permanece no país. </p> <p>Além da plataforma de publicidade em sites <a href="http://upeex.com/">Upeex.com</a> que gosta com sistema próprio para monetizar blogs e fazer publicidade de pequenas e medias empresas do Brasil, com custo fixo, sem leilões e um sistema simples para que o pequeno empreendedor mesmo consiga criar suas campanhas, sem precisar contratar um agencia por exemplo, já que o orçamento das PME e sempre limitado.</p> <h2>Universidades e empresas podem caminhar juntas</h2> <p>Outro aspecto frequentemente negligenciado na discussão sobre soberania tecnológica é a formação de novos profissionais.</p> <p>Nenhuma infraestrutura se sustenta sem pessoas capacitadas.</p> <p>Nos últimos anos, iniciativas de aproximação entre empresas privadas e instituições de ensino passaram a desempenhar papel importante na formação prática de estudantes.</p> <p>Ao abrir espaço para universitários conhecerem ambientes reais de infraestrutura, cloud computing, administração de servidores e desenvolvimento de sistemas, empresas ajudam a reduzir a distância entre teoria e prática.</p> <p>A Cloudx tem buscado participar desse processo apoiando estudantes da UEPA, como estágios, palestras e patrocínio em eventos, aproximando o ambiente acadêmico das demandas do mercado e incentivando o desenvolvimento de soluções nacionais.</p> <p>Esse tipo de aproximação beneficia todos os envolvidos: estudantes ganham experiência, universidades fortalecem sua formação prática e empresas contribuem para ampliar a disponibilidade de profissionais qualificados.</p> <h2>Dados também são patrimônio</h2> <p>Para muitas organizações, o ativo mais importante deixou de ser um prédio ou um equipamento físico.</p> <p>Hoje, o patrimônio está nos dados.</p> <p>Cadastros de clientes.</p> <p>Sistemas internos.</p> <p>Documentação.</p> <p>Projetos.</p> <p>Pesquisas.</p> <p>Históricos financeiros.</p> <p>Bases de conhecimento.</p> <p>Perder essas informações pode significar prejuízos muito superiores ao custo de qualquer infraestrutura.</p> <p>Por isso, estratégias modernas incluem redundância, backups automatizados, monitoramento contínuo, proteção contra ataques DDoS e políticas de recuperação de desastres.</p> <p>Mais do que adquirir espaço em servidor, empresas passaram a contratar continuidade operacional.</p> <h2>Infraestrutura local também é uma estratégia de continuidade</h2> <p>Quando uma empresa escolhe onde hospedar seus sistemas, normalmente avalia preço, capacidade de processamento e armazenamento. No entanto, existe um fator igualmente importante: a previsibilidade operacional.</p> <p>Ao utilizar infraestrutura localizada no Brasil, organizações conseguem reduzir variáveis relacionadas à conectividade internacional, simplificar a comunicação com fornecedores e manter maior proximidade técnica para suporte e resolução de incidentes.</p> <p>Isso não significa que provedores internacionais sejam inadequados. Em muitos cenários, eles são a melhor escolha. Mas também existe espaço para uma infraestrutura nacional robusta, especialmente quando o público, a equipe de desenvolvimento e a operação estão concentrados no Brasil.</p> <p>Essa combinação permite que empresas distribuam riscos, adotem arquiteturas híbridas e mantenham maior autonomia sobre serviços considerados estratégicos. Em vez de depender exclusivamente de um único ecossistema tecnológico, é possível construir ambientes mais resilientes, preparados para crescer conforme as necessidades do negócio.</p> <p>À medida que a economia digital brasileira amadurece, essa diversidade de fornecedores deixa de ser apenas uma questão comercial e passa a representar uma vantagem para todo o ecossistema de tecnologia do país.</p> <h2>O papel das empresas brasileiras</h2> <p>O Brasil possui milhares de desenvolvedores, administradores de sistemas, engenheiros de redes, pesquisadores, empreendedores e comunidades técnicas extremamente qualificadas.</p> <p>Valorizar empresas nacionais que investem em infraestrutura, desenvolvem software próprio, apoiam a formação de novos profissionais e produzem conhecimento técnico significa fortalecer todo esse ecossistema.</p> <p>Soberania digital não se constrói apenas com grandes investimentos governamentais.</p> <p>Ela também nasce quando empresas escolhem hospedar seus projetos em infraestrutura nacional, quando universidades aproximam alunos do mercado, quando desenvolvedores compartilham conhecimento e quando provedores brasileiros continuam investindo em inovação.</p> <p>No fim, a infraestrutura da internet não é apenas um conjunto de servidores conectados por cabos de fibra óptica.</p> <p>Ela representa a base sobre a qual empresas crescem, pesquisas são desenvolvidas, serviços públicos funcionam e milhões de pessoas trabalham todos os dias.</p> <p>Fortalecer essa infraestrutura dentro do Brasil é, antes de tudo, investir na capacidade do próprio país de inovar, competir e construir seu futuro digital.</p>
  15. Aqui não tem propaganda de bets

    Tue, 21 Jul 2026 07:00:07 -0000

    EDITORIAL: entendemos que os veículos de jornalismo precisam se posicionar institucionalmente contra a influência crescente das bets no debate público – seja pelo lobby, seja pela compra de espaços publicitários.
    <p>Quando a saúde, o bem estar e o orçamento das famílias brasileiras estão em risco, é dever do jornalismo profissional se posicionar.</p> <p>Quando um setor econômico traz mais malefícios do que benefícios à população, é com o jornalismo que a sociedade conta para investigar os atores envolvidos e cobrar providências das autoridades.</p> <p>É esse o caso das casas de apostas online, ou bets.</p> <p>Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo indica que as bets são hoje o principal fator de endividamento dos brasileiros, cinco vezes mais que os cartões de crédito e empréstimos.</p> <p>Os recursos oriundos do Bolsa Família gastos em bets <a href="https://www.bcb.gov.br/conteudo/relatorioinflacao/EstudosEspeciais/EE119_Analise_tecnica_sobre_o_mercado_de_apostas_online_no_Brasil_e_o_perfil_dos_apostadores.pdf">chegaram a R$&nbsp;3&nbsp;bilhões em agosto de 2024</a>, segundo o Banco Central. O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) aponta que <a href="https://apublica.org/nota/bets-entre-18-e-3-milhoes-apostaram-bolsa-familia-e-nao-tem-previsao-de-reaver-dinheiro/">1,8&nbsp;milhão de assistidos usaram o cartão do programa Bolsa Família em casas de apostas</a>.</p> <p>Dados econômicos apontam para uma epidemia. Segundo o Instituto Locomotiva, um terço dos apostadores <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2024/08/um-terco-dos-apostadores-de-bets-estao-endividados-e-com-nome-sujo-diz-pesquisa.shtml">já estavam endividados em 2024</a> e 45% afirmaram que <a href="https://static.poder360.com.br/2024/08/Locomotiva-pesquisa-apostas-e-saude-mental-ago-2024.pdf">as apostas já causaram prejuízo</a>, ao mesmo tempo em que os números de afastamentos no INSS por ludopatia – compulsão por jogos – deu um salto estratosférico, <a href="https://www.intercept.com.br/2025/06/25/bets-auxilios-doenca-vicio-em-jogos-brasil/">de mais de 2.000%</a>.</p> <p>Liberado em 2018 e apenas regulamentado em 2023, o setor de apostas online reuniu neste ínterim poder econômico e político, arregimentando grande influência no Congresso que impede o avanço de matérias regulatórias.</p> <p>Em consequência, os lucros deste setor são hoje exorbitantes. E permitem influenciar, através de patrocínios e apoios, variados setores da sociedade, como é o caso dos influenciadores digitais e celebridades do mundo do entretenimento e dos esportes.</p> <p>As empresas de bet investiram só em 2024, segundo a Kantar Ibope Media, <a href="https://www.meioemensagem.com.br/marketing/bets-ja-investiram-r-23-bilhoes-em-compra-de-midia-em-2024">R$&nbsp;2,3&nbsp;bilhões em compra de mídia no Brasil</a> — 58% disso pra TV e 42% pro digital. Já a receita bruta dessas empresas <a href="https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/01/21/bets-registram-receita-bruta-de-r-37-bilhoes-em-2025.ghtml">chegou a R$&nbsp;37&nbsp;bilhões no ano passado</a>.</p> <p>Anúncios de bets incentivando apostas estão por todos os lados: em jogos e programas de TV, sites da internet, jornais, revistas, shows, festas populares. Empresas de apostas online batem cotidianamente à porta de empresas jornalísticas e até de organizações sem fins de lucro oferecendo anúncios e parcerias.</p> <p>Repudiamos publicamente essa influência, sobretudo sobre o jornalismo, que deve ser, antes de tudo, comprometido com o interesse público. Nosso papel é o da defesa da sociedade e, portanto, o de investigar, denunciar com independência o poder indevido do setor e exigir das autoridades regras mais estritas às propagandas e à atuação das bets.</p> <p>Ao aceitar propagandear os jogos online, consideramos que estaríamos contradizendo informações apuradas com rigor pelas nossas equipes.</p> <p>A seriedade da atual epidemia que tem vulnerabilizado, sobretudo, os mais pobres, não pode ser relativizada por conta de interesses comerciais, sob pena de minar a credibilidade do jornalismo.</p> <p>Mais do que isso: entendemos que os veículos de jornalismo precisam se posicionar institucionalmente contra a influência crescente das bets no debate público – seja pelo lobby, seja pela compra de espaços publicitários. Deve, ainda, cobrar das autoridades ações para proteger a população da propaganda e da influência pública das Bets, assim como regular sua atuação e trabalhar para mitigar os danos já causados.</p> <p>Para combater essa epidemia os setores público e privado e a sociedade organizada têm de atuar conjuntamente e com a urgência que a questão social exige.</p> <p>Veículos que assinam este editorial:</p> <ul> <li><a href="http://<a href="https://www.agencialupa.org/institucional/2026/07/21/aqui-nao-tem-propaganda-de-bets/"><cite>Agência Lupa</cite></a></li> <li><a href="http://<a href="https://apublica.org/2026/07/aqui-nao-tem-propaganda-de-bets/"><cite>Agência Pública</cite></a></li> <li><a href="https://almapreta.com.br/sessao/quilombo/editorial-aqui-nao-tem-propaganda-bets/"><cite>Alma Preta</cite></a></li> <li><cite>Amado Mundo</cite></li> <li><cite>Aos Fatos</cite></li> <li><cite>Manual do Usuário</cite></li> <li><cite>Matinal</cite></li> <li><a href="http://<a href="https://www.canalmeio.com.br/edicoes/2026/07/21/convencoes-partidarias-comecam-em-meio-a-indefinicoes/"><cite>Meio</cite></a></li> <li><a href="https://www.mobiletime.com.br/noticias/21/07/2026/bets-editorial/"><cite>Mobile Time</cite></a></li> <li><cite>My News</cite></li> <li><a href="http://<a href="https://noticiapreta.com.br/grupo-de-15-veiculos-se-une-para-dizer-nao-a-anuncios-de-bets/"><cite>Notícia Preta</cite></a></li> <li><a href="https://neofeed.com.br/insiders/editorial-aqui-nao-tem-propaganda-de-bets/"><cite>NeoFeed</cite></a></li> <li><cite>Plural</cite></li> <li><cite>Portal IMPRENSA</cite></li> <li><a href="https://capitalreset.uol.com.br/opiniao/editorial-aqui-nao-tem-propaganda-de-bets/"><cite>Reset</cite></a></li> </ul>